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6 de abril de 2016

Volta ao Mundo: Finlândia

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Quantum Break é a nova aposta da Remedy Enterntainment. Provavelmente é o seu título mais caro, envolve um elenco estelar, alterações no fluxo do tempo, várias cenas filmadas como se fossem um seriado e o apoio total da Microsoft, que quer transformar o jogo não apenas em um destaque no seu console Xbox One como também em um exemplo para sua integração com o PC. Se serão bem-sucedidos, essa é uma outra história, mas foi um longo caminho para esses finlandeses.

A Finlândia é um país que conseguiu sua independência da Rússia durante a Revolução Comunista. Enquanto o tzar estava perdendo sua cabeça, os finlandeses disseram "basta" a um longo período de dominação. O medo de voltarem a serem incorporados à Rússia foi mais forte que o medo dos nazistas na Segunda Guerra Mundial e perdura até hoje. É um país que vive sob essa sombra e onde o Sol nasce às 8 da manhã para se por às quatro da tarde, dependendo da época do ano. Onde aquilo que nós chamamos de frio de rachar, eles celebram como Verão.

Apesar de todos os desígnios do destino, é um país onde a indústria de jogos floresceu e berço de muitos títulos que eu aposto que você acredita terem sido produzidos na ensolarada e altiva América. E que não foi coberto em minha série Volta ao Mundo lá atrás no passado do blog. Falha corrigida agora.

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Da Finlândia, veio Max Payne, o mais novaiorquino de todos os policiais dos jogos eletrônicos. Ele foi o protagonista do primeiro jogo de sucesso da mesma Remedy. Na época, os desenvolvedores que vinham saído da cena demo europeia só tinham produzido Death Rally. Eles não tinham um tostão furado para contratar atores e o próprio Sam Lake, Diretor Criativo da Remedy, emprestou suas feições para a caracterização do icônico personagem. A combinação jamais vista de bullet time, cinema noir, histórias em quadrinhos e violência tomou o mundo de assalto e colocou a empresa no mapa do mundo.

Hoje, um cartaz pago pela Remedy em um ponto de ônibus na capital Helsinque mostra o quanto a profissão de desenvolvedor de jogos pode render frutos.

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"Mamãe sempre disse que jogar jogos não iria me arrumar um emprego. De Espoo, com amor desde 1995."

Mas a Remedy não foi a única a aprender essa lição na distante e fria Finlândia. A Bugbear entrou com tudo no mercado de jogos de corrida e bateu de frente com medalhões da indústria com sua franquia FlatOut. O sucesso garantiu a eles um contrato com a Namco para o desenvolvimento de Ridge Racer Unbounded e, recentemente, a empresa retornou às suas origens (leia-se, corrida de carros com destruição maciça de veículos) com o Wreckfest, mesmo depois de uma fracassada tentativa de financiamento coletivo.

A também finlandesa RedLynx é a responsável pela franquia de corrida Trials, sob o comando da Ubisoft, sua atual proprietária.

Mas há poucos gêneros que aparentemente não tenham sido cobertos ainda pelos finlandeses. A Colossal Order fez sua carreira com os simuladores de cidades Cities in Motion e Cities: Skylines. A Frozenbyte iniciou seu currículo com jogos de ação, como Shadowgrounds, e agora é famosa pela série de RPG Trine. 

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E a Housemarque, uma das pioneiras do país, fundada em 1995, tem em seu catálogo títulos como o adventure Alien Incident, o shoot'em up Super Stardust HD, o jogo de plataforma Outland  e agora está prestes a lançar o jogo de ação Alienation.

angry-birdsA indústria de jogos da Finlândia não está restrita aos PCs e consoles. Um dos maiores gigantes do país é a Rovio, a desenvolvedora que se tornou uma febre mundial com a franquia Angry Birds. Os famosos pássaros e sua guerra eterna com os porcos podem não ter se tornado o novo Mickey Mouse, como seus desenvolvedores imaginavam, mas a marca ainda guarda muita força e a empresa tem 800 funcionários em diversos escritórios do mundo inteiro preparando novos jogos, um filme de animação, séries para a televisão e produzindo jogos de plataforma móvel de outras desenvolvedoras.

O sucesso da Rovio movimentou a indústria local de desenvolvedores de jogos mobile e deu à luz um gigante menor, a Supercell, responsável (ou culpada?) pelo título Clash of Clans, que gerou uma legião de clones e continua gerando até hoje.

Da Finlândia também veio o fenômeno adolescente Habbo Hotel, uma mistura de rede social, comunidade online e jogo que tem mais de 250 milhões usuários cadastrados de todas as partes do mundo e recebe cerca de 5 milhões de visitantes únicos todo mês. Em seu início humilde, o projeto começou como uma sala de bate-papo para uma banda local, desenvolvida por um único programador e um designer. Atualmente, a Sulake, empresa que administra o Habbo, conta com 132 funcionários e escritórios em 11 países.

Que a Rússia deixe esse país em paz por mais um século pelo menos. E que o clima continue do jeito que está por lá, porque está dando certo.

Ouvindo: Megadeth - Play For Blood
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