Embalado por uma trilha sonora no mínimo matadora, Need for Speed: Most Wanted é o mais próximo de uma injeção de adrenalina gratuita que você pode receber direto no coração sem ter que participar de uma cena de Pulp Fiction. E sem consumir entorpecentes. Ou quase morrer para isso.
Não é por acaso que a série tem esse nome: "necessidade por velocidade". É uma expressão que existe nos Estados Unidos, mas que aqui não tem equivalente, embora o sentimento seja meio que universal: a vontade louca de pegar uma estrada, afundar o pé no acelerador e ver no que vai dar. Na maioria dos casos dá em morte mesmo, então a série chega para suprir esse frenesi e "frenesi" era a palavra certa para o que eu sentia quando estava a mais de 200 por hora em uma avenida, passando pelo meio de carros, desviando da polícia e arrancando faíscas da lataria ao raspar nas laterais de um prédio. Insanidade define. As entranhas chegavam a virar, os músculos do corpo tensos, tudo esperando o momento quase orgástico de chegar em primeiro em uma corrida ou finalmente "derrubar" um carro que você estava perseguindo havia dias.
Não tenho experiência suficiente com Need for Speed ou Burnout para opinar com conhecimento de causa, mas me pareceu claro que esse aqui, desenvolvido pela Criterion, tem mais a ver com Burnout Paradise do que com a franquia que usa no nome. Estão ali os "taken downs", os portões para arrebentar, os saltos insanos, a cidade aberta, a trilha porraloca para fazer qualquer um pirar.´
A esta fórmula, acrescentaram uma camada muito leve de customização de veículos (que não chega aos pés de um Need For Speed Underground - quanta saudade...) e a perseguição policial. Se eu tivesse que reclamar de algo, seria justamente dessa necessidade de needforspeedificar o Burnout: Most Wanted. A customização é precária e a perseguição policial funciona apenas como um tempero, uma vez que ser capturado pelos tiras não resulta em absolutamente nada além de uma rápida cutscene.
Mas, como disse, não sou perito em nenhuma das duas séries.
Nem em jogos de corrida, para ser absolutamente sincero. Minha estreia no modo multiplayer contra o camarada @ghedin foi um merecido banho de água fria em meu ego. Em minhas primeiras horas do jogo era bastante comum acidentes extraordinários e amargos últimos lugares.
Entretanto, eu curto jogos de corrida, embora não pareça. E embora eu demore para pegar o jeito. Com perserverança (e vício) fui galgando os degraus desse mundo de alta velocidade, de gráficos impressionantes e música (já falei da música?) de cair o queixo. A falsa casualidade de Need for Speed: Most Wanted ajudou na compulsão: carrega rápido e em poucos minutos você já está sentindo o sangue voar dentro das veias. Vinte minutos em uma brecha nos trabalhos e você fica revigorado e ansioso por mais, mas confiante por ter se superado ou evitado aquela curva mortal que estava destruindo seu carro no dia anterior. É um título fácil de abrir e jogar, mas que exige dedicação para dominar.
Uma das grandes sacadas do jogo é despertar outro instinto em seus jogadores além da tal "necessidade por velocidade". O lado competitivo de cada um de nós é estimulado com o sistema de Challenges e Speedwalls, que comparam seus resultados com os de outros jogadores de sua lista de amigos no Origin. Em cada esquina, em cada radar, em cada corrida, ali estão os números de outros incentivando a superação pessoal.
Quando subiram os créditos depois de ter conquistado o último carro, eu tive a sensação de desafio superado. Não é todo jogo que oferece isso para você, muito menos um sem qualquer contexto ou história.
Termino Need for Speed: Most Wanted saciado, com o terceiro lugar no ranking de pontuação geral entre meus amigos do Origin. Minha marca vai continuar lá desafiando outros e, certamente, será superada. Mas a música não vai sar da minha cabeça tão cedo...
"Go for the kill, go for the kill
Go for the kill, go for the kill
Go for the kill, go for the kill
Go for the kill, go for the kill"
8 Comentários
Dos jogos mais recentes da franquia eu gostei bastante do The Run. A crítica bateu pesado nele e está longe de ser um jogo perfeito (a historinha é clichê e as cut scenes com quick time events, horríveis), mas os gráficos são belíssimos, a variedade de cenários, estonteante, e a jogabilidade (ou seria "dirigilidade"?) é de um NFS puro sangue. Na época o finado Continue existia e escrevi uma crítica. Olha aí: https://docs.google.com/document/d/16dbdntJHZBLHEg5WdHv6iqfCethJhQusbV-9lK2YicI/edit?usp=sharing
Se tiver a oportunidade, dê uma olhada S.int que irá curtir!
Sem falar do multiplayer, que mesmo nos consoles funciona perfeitamente. Outro dia eu entrei pra matar a saudade, e consegui uma sessão com oito jogadores logo de cara, depois de 10 segundos de espera.
Mas NENHUM deles vai superar os clássicos. Most Wanted 2005 na veia! (Inclusive estou jogando, Blacklist 11 tá foda pacas kkkk)
P.S: o número 11 tá difícil pacas? kkkkkkk. Espere até ver o 4...
Apesar de amar aquele jogo, nunca passei dele.