Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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24 de dezembro de 2015

Presas Expostas - Parte IV

Vampire

Desde o início do Horrorvembro, vimos as tentativas passadas de transpor o universo do World of Darkness dos RPGs de mesa para os jogos eletrônicos, as tentativas abortadas de jogos protagonizados por lobisomens e a crônica de decadência e desespero do cancelado MMORPG.

Chegou a hora de encerrar o ciclo e colocar o que já virou Horrorzembro para descansar.

Resta virar nossa percepção em direção ao futuro e tentar visualizar em meio à bruma da incerteza o que está reservado para o Mundos das Trevas , nas mesas, nos consoles e nos PCs. Com a compra da White Wolf pela Paradox Games, a esperança voltou a brilhar no coração dos fãs dos RPGs, se é que isso não quebra a imagem soturna da franquia.

O Rock Paper Shotgun foi atrás de respostas e com ninguém menos que o novo  Príncipe CEO da White Wolf, Tobias Sjögren. Transcrevo abaixo as partes mais significativas desta entrevista com o vampiro:

RPS: Eu tenho visto preocupação com o fato de que a White Wolf é uma empresa de mesa com derivados de jogos eletrônicos, e que estando nas mãos de uma desenvolvedora e produtora de jogos eletrônicos, a balança possa pender para lançamentos digitais. Isso é algo que vocês consideraram?

Sjögren: Tem sido muito importante para a Paradox tornar a White Wolf Publishing uma empresa separada com sua própria agenda e objetivos. Nós estamos assumindo uma ampla abordagem transmídia para o Mundo das Trevas e suas outras propriedades. RPG de mesa, live-action e card games são uma parte vital da herança da White Wolf e irão permanecer assim. Mas a IP é poderosa demais para ficar limitada ao relativamente pequeno mercado de jogos físicos. Há um bocado de espaço para criar mais jogos eletrônicos baseados nessas propriedades. Apenas veja o quão popular Bloodlines ainda é, com uma comunidade que ainda corrige bugs e joga o título onze anos depois do ser lançado!

Eu venho trabalhado na Paradox por dois anos antes de me tornar o CEO da White Wolf e eu tenho testemunhado a imensa paixão por jogos de mesa aqui. Não se esqueça de que um dos mais populares jogos da Paradox, o Europa Universalis, foi um jogo de tabuleiro antes de se tornar um jogo para PC e que a empresa inteira tem suas raízes nos jogos da Äventyrsspel and Target, criadores de Mutant, Kult e Drakar och Demoner (a resposta sueca para Dungeons and Dragons). Nos anos 80 e 90 eles eram basicamente a TSR da Suécia.

Kult

RPS: CCP vinha trabalhando em um MMO do Mundo das Trevas. É algo que vocês consideraram prosseguir? É correto que Martin Ericsson, que trabalha anteriormente no MMO, é agora o "narrador líder" na White Wolf?

Sjögren: É muito cedo no processo e nós no momento não comentamos sobre nenhuma estratégia de produto. Mas, sim, nós estamos muito animados em ter Martin como nosso Narrador Chefe. Ele é uma pessoa chave na empresa e seu trabalho é costurar e preservar a visão criativa e a linha narrativa abrangente para o Mundo das Trevas. Ele tem algumas ideias bem radicais, e é perfeito para a franquia.

As credenciais do Martin vão muito além de apenas ter trabalhado anteriormente como Desenvolvedor Senior de Conteúdo na White Wolf/CCP.

RPS: O que você acha que pode oferecer para a White Wolf e seus fãs que não tenha sido feito antes?

Sjögren: Esta é uma pergunta difícil considerando-se que esta é uma marca com 25 anos de grandes produtos e incríveis indivíduos que criaram alguns produtos muito coesos e alucinantes. Entretanto, nós não teríamos feito essa aquisição se nós não achássemos que existem coisas que nós podemos adicionar ao ecossistema de produtos e apoiar nossos grandes parceiros. Em termos de produtos, nós iremos falar a respeito do que podemos fazer quando nós tivermos coisas concretas para mostrar. Em um nível mais geral nós iremos implementar uma linha narrativa contemporânea poderosa e provocativa, garantindo que haja uma história do Mundo das Trevas singular que seja fácil de entrar para os novatos mas que se desenvolva e aprofunde o universo que os fãs ancestrais amam. E, sim, não houve jogos eletrônicos suficientes ambientados no Mundo das Trevas. Esta é uma coisa colossal que nós podemos oferecer bem aqui.

Chicago by Night

RPS: Nós vimos os jogos de Grande Estratégia se guinarem para a ficção-científica, então fantasia sombria é a próxima direção? O modelo de gerenciamento estratégico de dinastias de The Crusader Kings II parece que se encaixaria muito bem em algumas propriedades do Mundo das Trevas até um certo ponto. Vocês já debateram internamente o uso dessas licenças pelo próprio Paradox Development Studio?

Sjögren: Desculpe sobre não poder comentar novamente aqui, mas ainda é muito cedo para se falar a respeito de qualquer coisa específica. Mas eu gostaria de dizer que eu e Martin temos apreciado muito todas as ideias e comentários que vem chegado da comunidade lá fora, algumas ideias grandiosas e inspiradoras!

RPS: Saindo da estratégia, tem havido uma reação online imediata e enorme. Um bocado dela envolve Vampire: The Masquerade: Bloodlines e o desejo por um novo RPG single-player? É algo que vocês tem considerado e vocês gostariam de trabalhar com desenvolvedoras terceirizadas? A Obsidian foi mencionada, parcialmente porque já existe um relacionamento mas também porque eles parecem uma escolha adequada de muitas formas.

Sjögren: É impressionante ver que Bloodlines da Troika Games e publicado pela Activision ainda tem uma adoração vital lá fora. Através da história há um punhado de jogos assim que simplesmente não saem da cabeça das pessoas e é fantástico ser capaz de trabalhar em uma possível continuação de uma experiência tão apreciada. Mas (novamente) nós não podemos comentar sobre coisas específicas aqui então eu posso apenas dizer que fiquem tranquilos que nós iremos procurar qualquer oportunidade de fazer algo grandioso com todas essas propriedades que nós temos acesso.

Nesse ponto, o pessoal do Rock Paper Shotgun solta a bomba e pede que o CEO da White Wolf comente sobre uma série de tuítes agitados de funcionários da Obsidian, onde os desenvolvedores literalmente imploram pela chance de trabalhar em Bloodlines 2 e insinuam que talvez estejam sendo solicitados para fazer um jogo...

Vampire The Masquerade Bloodlines

Novamente, Sjögren é vago sobre o futuro. Mas, desta vez, um pouco menos vago: "na minha primeira semana de trabalho eu tive vários telefonemas com todo tipo de potenciais parceiros por aí que querem aprender mais sobre as oportunidades à frente e nós iremos continuar trabalhando para fazer com que estes impressionantes produtos saiam".

Vampiros, Lobisomens, Fantasmas, Magos e outros seres da noite respiram aliviados. A era da obscuridade se aproxima do fim. O Mundo das Trevas está voltando.

Encerra-se aqui nessa postagem o mais longo e estranho Outubro do Horror da história do blog, em plena véspera de Natal. Mas, ano que vem, as estrelas se alinham novamente.

Ouvindo: Fischerspooner - Circle (Vision Creation New Sun)
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2 comentários:

Eder R. M. disse...

Falando nisso, você já jogou o Bloodlines, Aquino?

Caso não, retifique esse equívoco imediatamente e compre já esse título seminal! :-)

Shadow Geisel disse...

Eu joguei um Vampire The Masquerade que era em terceira pessoa. O personagem começava no passado e acordava na época moderna. Tinha uma freira e tal. Eu gostava bastante, pois eles conseguiram adaptar as disciplinas de forma bem convincente. O Bloodlines eu não cheguei a jogar, mas acho que falavam muito dos bugs dele. Realmente é uma franquia que carece de um jogo moderno, desde que feito direito claro.

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