Retina Desgastada
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20 de dezembro de 2015

Jogando: How To Survive

How To Survive 14

Quando o camarada @magaiverpr me passou um presente de Steam com How To Survive - Storm Warning Edition, confesso que suei frio. Foi esse o sujeito que me apresentou a World of Warcraft, a porta de entrada para um vício que durou anos em MMOs. Foi esse o sujeito que me deu o Minecraft, um vício que nem eu nem meu filho conseguimos largar.

Não lembro suas palavras exatas, mas acho que ele disse que "estava curtindo muito e que eu tinha que experimentar". Definitivamente, uma conversa de traficante.

Das 18 horas de jogo marcadas aqui pelo Steam, pelo menos metade delas foi passada em um estado febril de vício, de não conseguir parar, de querer avançar só mais um pouco, de querer só ver o que tem ali naquela parte desta ilha, de salvar depois que escurecer. Só mais alguns zumbis. Deixa só eu cozinhar essas coisas aqui. Só mais uma missão.

A outra metade das 18 horas foi na linha de "o que é o que eu estou fazendo com esse jogo tosco?".

How To Survive 02How To Survive 19

How To Survive 08

Em How To Survive, você acorda em uma ilha, não tem uma memória clara de como foi parar ali, mas o lugar está infestado de zumbis. Não é a melhor das aberturas e acredite: o enredo não vai ficar nem um pouco mais inteligente depois disso. Ao contrário da franquia Dead Island, que se esforça para construir uma história (e, honestamente, fracassa), How to Survive nem mesmo tenta e mergulha de cabeça no surreal, com um pé na galhofa. No grande painel dos acontecimentos, ninguém vai te explicar o que está realmente acontecendo ou de onde vem essas criaturas e, no lugar de respostas, você é apresentado a um manual muito maroto que vai te explicando a arte da sobrevivência (daí o título do jogo) e dando a tônica do jogo: não me leve a sério, mas sobreviver é meio complicado.

No meio disso tudo, você é apresentado ao próprio autor do livro, um pirado que está nessas ilhas há mais tempo do que todo mundo e manja muito da arte de ficar vivo. E gosta do que faz. É quase uma paródia. Ou crítica à cultura dos zumbis.

Mas Kovac, o autor de "How To Survive", não é a única figura bizarra do elenco de personagens. Tem uma velha senhora com um pino solto na cabeça que está viva sabe-se lá como. Tem macacos inteligentes (!) que se comunicam através de papagaios (!!) e que te passam missões. Tem outros sobreviventes cuja sobrevivência também desafia toda a lógica.

How To Survive 04

Mas lógica é o que menos importa em um jogo onde você combina três pedaços de osso e umas pedras afiadas e cria um bumerangue tríplice que irá se tornar a arma definitiva para matar zumbis por mais de metade da jornada. O importante é que o bumerangue rasga dois, três zumbis em sequência e ainda volta para sua mão. Você mata e não gasta munição. Melhor arma de toda a história do extermínio de mortos-vivos.

Sendo obrigado a administrar elementos como fome, sede, cansaço, lugar para dormir, munição, componentes para criar novos equipamentos, árvore de evolução de habilidades e o infinito respawn criaturas, a princípio, parece um jogo desafiador. A noite, quando mutantes mais velozes surgem, a aventura fica bastante tensa. Mas o tempo, a experiência, e o equipamento certo deixam o jogo bastante repetitivo depois de determinado ponto.

As missões para avançar a história envolvem um bocado de caminhada e o fluxo constante de mortos faz não só com que passe pelo mesmo ponto diversas vezes, como também faz com que você mate exatamente os mesmos mortos diversas vezes. E isso irrita.

O título também pode ser jogado com a ajuda de um amigo online, o que deve tornar as batalhas ainda mais divertidas. E fáceis. Mas não experimentei essa opção.

A edição que eu ganhei vem acompanhada de vários DLCs. Não testei todos. Por pura coincidência, joguei com o personagem Nina, que não faz parte da versão comum do jogo. Se ela traz alguma diferença para a balança, não posso dizer. Ela é especializada em armas que envolvem fogo, mas não construí nenhuma e me mantive fiel ao bumerangue tríplice que não precisa de combustível para funcionar.

How To Survive 07

Recomendo o DLC El Diablo Islands, que acrescenta uma história paralela mais interessante que a principal (o que nem é um mérito tão grande assim), três novas ilhas bem perigosas, novas criaturas e dois novos NPCs, além de efeitos de névoa e chuva para todo o jogo, que já valem o investimento. É possível alternar entre as ilhas e jogar as duas histórias ao mesmo tempo.

Misturando elementos de construção de itens, como Minecraft, com grinding de monstros, como um MMO, não me espanta que Magaiver tenha me recomendado o jogo. Mas How To Survive carece de algo mais e, felizmente, ou infelizmente, consegui me libertar depois de ver como terminam a trama de Kovac e a trama dos cientistas.

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5 comentários:

Shadow Geisel disse...

"Definitivamente, uma conversa de traficante."

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Pablo Henricky disse...

Me lembrou bastante Projeto Zomboid, com a mesma mecânica, só que mais sério e sombrio, gostaria muito de uma análise sua no blog.

Fausto Albertoni disse...

Ri muito com esse jogo, aquele manual de sobrevivência é comédia pura. Joguei pouco, não me adaptei a aquela camêra isométrica de jeito nenhum.

Diogo Batista disse...

Só não comprei esse título o por conter zumbis. Simplesmente estou enjoado de títulos sobre zumbis, mas lendo o seu texto, me pareceu bem divertido. Quem sabe não dou uma chance.

Eder R. M. disse...

Oi Aquino! Como sempre, suas análises dão vontade de experimentar o jogo, por mais distante do meu perfil que possa parecer. :-P

Quanto à MMOs, caso você queira/possa gastar dinheiro com um, recomendo o Elder Scrolls Online - Tamriel Unlimited, que atualmente se tornou "buy to pay", ou seja, você precisa comprar o jogo (e eventuais DLCs) mas não há mensalidade. Não é nada de outro mundo, mas é um MMORPG bem apresentável e divertido que tem a "vibe" Elder Scrolls, apesar de ter uma equipe diferente do Morrowind/Oblivion/Skyrim.

Atualmente criei um personagem que é um Dark Elf e estou fazendo quests em Morrowind e o cenário e flora/fauna, claro, são inspirados no Elder Scrols III. Estou me deliciando fingindo que estou em um suposto "Morrowind parte dois" enquanto luto em meio a inimigos familiares como nyx hounds, kwama warriors kagoutis.

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