Retina Desgastada
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3 de novembro de 2015

Jogando: Turok (2008)

Turok 07

A primeira impressão que se tem ao se ouvir falar do reboot da franquia Turok feito pela Propaganda Games em 2008 é que ela é desnecessária. Turok agora é um soldado de uma força de elite em um futuro distante, que cai em um planeta habitado por dinossauros, outros monstros e mercenários. Em outras palavras, mais agressivo, mais extremo, mais Rob Liefeld, mais adequado para a geração que cresceu com Call of Duty e Battlefield, certo?

Errado.

Dos quatro jogos da série lançados para PC, joguei três (a única exceção é o segundo, Seeds of Evil). E este exemplar aqui ocupa facilmente a segunda posição na minha cotação, perdendo apenas para o clássico Turok original porque o clássico era inovador onde este aqui é formulaico.

(o fato de Turok Evolution ser um desastre com breves momentos de genialidade também ajuda)

Mas este Turok da Propaganda Games se prova um FPS sólido, tradicional, bem-executado e uma releitura interessante da série. Não seria exagero afirmar que não há nada de errado em remover o personagem de seu costumeiro ambiente e lançá-lo em um cenário de ficção-científica genérico e barato. Desde seu surgimento nos quadrinhos, Turok vem passando por recriação após recriação após recriação, independente da mídia em que ele ressurge. Apenas dois fatores se mantém sempre: ele é um índio e ele caça dinossauros.

E aqui ele caça em grande estilo. Ao contrário de outros jogos da série, é possível executar um golpe devastador com a faca se os dinossauros chegam muito perto. Ao mesmo tempo que o personagem economiza munição, somos brindados com animações sanguinolentas e vamos construindo aquela mítica de herói mais durão que os durões.

Turok 03Turok 05Turok 08

O jogo transpira testosterona. Turok mata a rodo, com brutalidade, com eficiência e sem esboçar um sinal de fraqueza ou dúvida. Ex-criminoso, foi solto para ser treinado para uma força especial de assassinos. Nesse grupo, seu carismático (mas insano) líder insistiu que o herói aprendesse a usar um arco por razões de estereótipos raciais. Ao invés de sair protestando no Facebook ou sabe-se lá que rede social usam no futuro distante, Turok aprendeu mesmo a usar o arco e se tornou a máquina de matar que tanto desejavam. Obviamente, esse grupo de elite se tornou renegado, Turok não concordou com a mudança e agora está em outra equipe justamente para localizar e exterminar quem o treinou. Sem remorso. Com o diacho do arco.

É claro que dá tudo errado na cena de abertura do jogo e agora Turok vai ter que enfrentar a selvagem fauna local, os mercenários e a desconfiança do seu próprio time que acredita que o herói ainda tem lealdade para com seu antigo líder.

E Turok? Não demonstra um pingo de temor. Ele encara um Tiranossauro de faca na mão!

Com uma trilha sonora tão matadora quanto o índio do futuro, o jogo nos conduz por bem-disfarçados corredores pela selva, por bases subterrâneas, por cavernas e outros ambientes. Há uma certa liberdade para explorar desvios e encontrar munição extra e, ao contrário dos FPS modernos, não há um jeito único de vencer os desafios, havendo espaço para improviso. Você pode tentar se aproximar sorrateiro de seus inimigos, atrair dinossauros para a confusão, escolher suas armas entre um amplo leque de opções (muitas com modos de tiro alternativos) ou mesmo descobrir atalhos que evitam confrontos.

Turok 09

Faz falta aqui uma variedade maior de coisas para fazer. É essencialmente um FPS onde você atira e corre e mais nada, como aqueles do passado. Sem "invencionices" como pilotar veículos ou montar em pterodátilos (a única parte excelente de Turok Evolution, enquanto aqui os animais nem mesmo aparecem). A repetição pode se tornar um fator de risco, mas felizmente o jogo tem o tamanho certo que precisa ter.

Os controles para ativar os modos alternativos das armas e a granada também são desnecessariamente complicados, talvez resultado de um desenvolvimento que começou nos consoles e depois foi para o PC. O Quick Save é completamente inútil, já que ele apenas salva o último checkpoint, algo que o jogo já faz automaticamente sem a sua ajuda. Felizmente, os checkpoints são bem distribuídos.

Ao contrário de outros episódios da série, Turok de 2008 tem uma historinha que se desenrola, com direito a flashbacks, personagens coadjuvantes (um deles dublado pela lenda viva Ron Perlman) e até reviravoltas. Nada estelar, mas bem acima da trama do vilão-cósmico-quer-dominar-o-mundo dos outros jogos. Tem mortes heroicas, briga de faca, um momento hilário e uma batalha final de tirar o fôlego.

Turok não é um jogo que fará parte da Lista de Favoritos de ninguém. É aquilo que se convencionou chamar de "competente", um modo educado de dizer "é bom, mas...". Dado o histórico da franquia, que entregou um fracasso após o outro depois do sucesso inicial, a Propaganda Games fez um resgate histórico na verdade e, com um pouco mais de esmero, poderia ter recriado um clássico. Talvez fosse esse o destino de Turok 2. Lamentavelmente, por razões totalmente alheias à vontade da desenvolvedora, a continuação foi cancelada.

Da minha parte, sigo esperando um novo jogo do índio caçador de dinossauros. Independente do cenário, da época, da empresa. Já passou da hora. Turok tem que voltar.

Turok 01

Ouvindo: God Module - Winter torture
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3 comentários:

Cézar Felício disse...

Você conseguiu o jogo aonde? Infelizmente não tem na Steam...

C. Aquino disse...

Comprei em mídia física tem uns 5 anos! Foi tão inusitado, que chegou a ganhar postagem: http://blog.retinadesgastada.com.br/2010/04/recomendado-rock-laser.html

Esio disse...

Lembro de meados de 2006 quando li sobre o jogo em uma revista, eu como fã de dinossauros e fuzileiros espaciais (Aliens e Jurassic Park são duas paixões absolutas) fiquei extremamente animado. Em 2015, sete anos depois do lançamento do jogo finalmente pude joga-lo, tamanha foi a decepção ao constatar que tudo o que li na revista era bem diferente do que veio a ser o produto final. Achei o jogo bem medíocre a tal ponto que me forcei a terminar ele. Os inimigos, cenários, armas, tudo é genérico e sem carisma. A jogabilidade é bem fraca e o andamento do jogo é bem arrastado e repetitivo, a história pra mim foi inexistente. É aquela velha história, jogos e dinossauros dificilmente dão certo.

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