Retina Desgastada
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8 de outubro de 2015

Devaneios Sobre Lara Croft

Logo depois que escrevi minha análise sobre Tomb Raider, percebi alguns detalhes sobre o jogo que na correria de saltar de abismos e atirar flechas em incautos, não havia notado.

A partir deste ponto, mergulhamos nas profundezas do SPOILER. E do "achismo", fique avisado.

HimikoEscrevi que Lara Croft teve várias versões anteriormente e que agora a Crystal Dynamics reiniciou o personagem do zero (apesar de já haver Laras alternativas, seja no novo jogo mobile ou na série de jogos derivados que usam seu nome). Intencionalmente ou não, essa ressurreição de Lara Croft acontece em um título que gira em torno de uma Deusa do passado, que atravessou diversas gerações sempre ocupando o corpo de mulheres indefesas que sofriam para dar lugar ao mito. Embora a desenvolvedora tenha evitado o clichê de transformar a própria Lara Croft na escolhida de Himiko, é interessante observar o paralelo entre a vilã e a própria trajetória do ícone "Lara Croft".

Não que essa reencarnação de Tomb Raider não tenha seus sacrifícios. A heroína relutante apesar de saber se virar muito bem sozinha, tem a ajuda de três homens em três momentos-chave do jogo. Todos os três morrem, para que Lara Croft sobreviva: o capitão do navio (que tenta desmanchar uma situação onde é refém para que Lara não se entregue), Roth  (que recebe uma machadada que estava destinada à arqueóloga) e Alex (que manda Lara embora enquanto ele explode com bandidos em um barco prestes a afundar). Cada um deles pode ser utilizado como uma representação de papéis masculinos para uma mulher: o avô (o capitão, pela idade avançada); o pai (Roth, mentor de Lara) e o namorado (Alex tem uma "queda" secreta por ela). Teria a Crystal Dynamics montado um cenário simbólico de desprendimento, onde os homens de sua vida são sacrificados para que a sobrevivente renasça? Ou não passa de coincidência e teoria maluca?

É interessante perceber que nenhuma mulher morre por Lara Croft (à exceção da própria Himiko no final). Não apenas as tripulantes femininas do Endurance não movem uma palha para ajudar a heroína, como também não há uma única mulher entre as hostes aparentemente intermináveis de cultistas que habitam a ilha.

Curiosamente, se você invertesse os gêneros de todos os personagens do jogo, teríamos um título onde um sujeito mata 200 mulheres do começo ao fim por causa de um Deus e onde outras 3 mulheres se sacrificam para ele ter sucesso. Seria um jogo bastante polêmico...

Por último, as duas outras personagens femininas podem ser apontadas como representando os dois lados em conflito de Lara Croft: Sam acredita no sobrenatural, mas é frágil e precisa ser resgatada, enquanto Reyes é pragmática, incrédula, durona e sem espaço para reações emocionais. Ao renascer na ilha, a protagonista aprende a equilibrar os dois lados e se fortalece, mas também perde sua descrença nos poderes ocultos e na magia existente no mundo.

Acredito que nenhuma destas visões atrapalhe a grande diversão que é Tomb Raider. Mas gosto de pensar que alguém dentro da Crystal Dynamics sabia o que estava fazendo e não estava apenas lançando elementos narrativos ao acaso...

Ouvindo: Secret of Mana - 20
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2 comentários:

Helder disse...

Acho que poucas vezes, esse tipo de coisa acontece por acaso. Quando joguei tinha me alertado a ideia de não haver mulheres nos moradores da Vila, mas não me aprofundei tanto quanto você nessa questão. Boa análise!

Eder R. M. disse...

Muito bem observado, Aquino! Especialmente a parte sobre a "polêmica" caso os gêneros fossem invertidos.

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