Retina Desgastada
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26 de agosto de 2015

Jogando: Metro 2033

Metro 2033 03

Expectativa é uma faca de dois gumes, principalmente quando ela é revertida não uma, mas três vezes. Ao ler Metro 2033, tive medo de estar diante de uma narrativa repleta de tiroteios do começo ao fim e fui surpreendido por uma história profunda e carregada de críticas sociais. Ao iniciar Metro 2033 Redux (um grande presente do camarada Fausto Albertoni, do Rabisco Virtual), eu esperava um RPG, com estatísticas a serem evoluídas, várias missões alternativas, árvores de diálogos e similares. Estava contaminado pela franquia S.T.A.L.K.E.R., trabalho anterior de muitos dos desenvolvedores que criaram este jogo aqui.

Enganei-me redondamente.

Em seus primeiros minutos, o jogo da 4A Games lembra (e muito) os FPS engessados ao estilo Modern Warfare, em que você é obrigado a seguir o trilho das ações, apertando apenas os botões necessários quando solicitado. Quem acompanha o blog, sabe o quanto eu odiei essa limitação em prol do enredo "cinematográfico". Metro 2033 chega a literalmente te prender a um trilho, enquanto eventos acontecem ao seu redor e você é forçado a reagir de determinada forma logo em sua segunda cena. Minha primeira impressão do jogo não foi das melhores.

Enganei-me redondamente. Outra vez.

Metro 2033 28

Logo adiante, Metro 2033 prova que é um FPS, sim, senhor, mas não um que trava suas opções para contar uma história, mas um que apresenta um amplo leque de jogabilidades enquanto te conta uma história. Apenas calhou da mais limitante ser logo no início.

Variedade é a chave mágica que abre este metrô. Em um momento, você está em uma corrida desenfreada pela vida, em outro você está perambulando por um assentamento humano e testemunhando a que ponto nossa espécie chegou, para em outro estar explorando túneis mal-assombrados, pilotando uma metralhadora em um carrinho de combate, sofrendo com os ventos gelados da superfície, se infiltrando (ou tentando) sem ser percebido ou mesmo encarando o maior pesadelo da sua vida olho no olho.

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Se Metro 2033 está preso a trilhos, estes são de uma montanha-russa frenética que arranca suas entranhas de forma vertiginosa enquanto simultaneamente te apresenta uma reprodução palpável, emocional e quase fiel da obra de Dmitry Glukhovsky. Há doses fartas de survival horror, stealth, mata-mata e gerenciamento de recursos aqui para que o jogo da 4A Games permaneça de cabeça erguida diante da série compatriota S.T.A.L.K.E.R.. São, afinal, dois títulos distintos, unidos pela visão amarga da Humanidade e pela equipe de desenvolvimento (pelo menos, parte dela).

Porém, se funciona magnificamente como FPS, injetando adrenalina e versatilidade ao gênero e provando que o modo single-player não vai morrer tão cedo, por outro lado, Metro 2033, o jogo, fica devendo para Metro 2033, o livro. Na obra de Glukhovsky, há um subtexto bem forte sobre o espírito violento do Homem, seja no passado, no presente ou no futuro. Seu final é amaríssimo e é impossível sair dele com a sensação de triunfo. Em contrapartida, justamente por ser um FPS, o jogo ignora o subtexto ou o explora de uma forma sutil em demasia para que a mensagem pacifista presente no livro transpareça. Há, inclusive, um final alternativo no jogo que escancara melhor essa mensagem. Porém, esse final não é canônico e tampouco fácil de se obter (eu diria impossível em uma primeira jogada, porque, no fundo, somos todos grandes canalhas egoístas). Os questionamentos de Artyom são mais tímidos no jogo e aparecem apenas para aqueles que decidirem ler a notas escondidas pelos cenários.

A 4A Games captura a atmosfera de Glukhovsky, mas não seu propósito. Eu diria que o livro é leitura obrigatória para quem deseja ter a experiência completa de Metro 2033. Ou corre o risco de cometer o mesmo erro de Artyom...

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3 comentários:

Marcos A. S. Almeida disse...

infelizmente nenhum dos dois eu completei: nem o jogo ( que joguei apenas o início) nem o livro ( que fui bem longe , até a metade)mas não me empolguei por nenhum dos dois.E olha que esse tema pós-apocalíptico me atrai muito.Aquino , vou ser sincero: é porque você não gosta de FPS puro , pois com com esse dom de redigir textos maravilhosos acho que você transformaria tranquilamente em poesia até uma partida de Counter Strike. E vou mais longe: acho que seu texto deixa um jogo muito melhor do que realmente é , involutáriamente, claro, pois seu texto reflete apenas a suas sensações e impressões sobre o jogo. Veja bem, não estou dizendo que você " doura a pílula" mas de forma espontânea o seu texto provoca isso.Dá vontade de voltar a tentar a jogar (e ler) só em ler o seu texto.

Marcos disse...

Acho a série de games 2033 muito subestimada. Ele não é daqueles FPS cheios de perfumarias que o protagonista tem poderes especiais ou uma parafernália de habilidade com um desenvolvimento pseudo-rpg. Ele é até meio cru em alguns aspectos, impondo um pouco de dificuldade ambiental para o jogador, por exemplo de limpar a máscara ou trocar ou filtro de ar da mesma. Aqui se trata de um protagonista tímido que vai desbravar pela primeira vez o Metro, encarando os diversos tipos de pessoas e ideologias carcomidas. Nunca consegui fazer o final bom de ambos os jogos, mas de fato o final bom contraria toda a jornada de Artyon, ao ponto dela não fazer o menor sentido, o que de fato é o cerne do surgimento do preconceito e discriminação. Ainda não li o livro, mas aparentemente o jogo deveu de certa forma. Mas como jogador vejo uma licença poética bem-vinda.

Raphael AirnMusic disse...

Ainda estou devendo retomar este para terminar. Quando joguei, gostei bastante do jogo e da narrativa, apesar de achar que algumas partes dele são muito mais difíceis de avançar do que o todo. No geral você consegue ir jogando sem problemas, até chegar em uma parte dessas em que morre muitas vezes até conseguir passar, para em seguida avançar de forma relativamente tranquila... se tentar respirar fora do Metro com sua máscara quebrando pode ser considerado tranquilo hehe =D

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