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5 de junho de 2015

Eu Li: Dead Island

Dead Island. Aqui estou de novo escrevendo sobre Dead Island. Dead Island é como aquele primo distante seu com quem você deu umas voltas no passado e foi bem legal, mas todo mundo fala mal dele. Você tenta defendê-lo, porque, afinal, vocês se divertiram um bocado em uma época, mas a grande verdade é que ele vacila. Vacila muito. Ele engravidou uma menina de 14 anos. Ele foi pego dirigindo embriagado. Ele abriu o supercílio de um cara na balada. Espera aí, ainda estamos falando de Dead Island?

Dead Island
Movido pela sensação agradável de ter jogado Dead Island, caí na asneira de comprar a novelização na época. A fila de livros era grande, a leitura acabou ficando para agora. Na teoria, seria um bom modo de relembrar a zoeira, as farras inconsequentes... misturei as metáforas de novo.

Na prática, Dead Island, o livro assinado por Mark Morris, é mais um tropeço na longa folha corrida da franquia.

As primeiras páginas demonstram um potencial enorme para a adaptação. Exibindo eventos que antecedem o incidente de Banoi, somos apresentados aos quatro protagonistas do jogo em uma dinâmica que estabelece muito mais de suas personalidades e seus passados do que horas e horas de jogabilidade deixam transparecer. Ali, naquele momento, são personagens vivos, com os quais é possível se importar.

Quando o jogo começa, o livro desanda. É compreensível que um autor precise cortar as longas horas de sidequests para se focar na trama principal. Entretanto, em Dead Island, esse eixo principal é justamente o seu calcanhar de Aquiles. O enredo absurdo que é a mola motriz do jogo fica oculto em desvios e atmosfera durante a jogabilidade. No livro, com os holofotes todos em cima, a trama desaba. A inexplicável linha do tempo do jogo (onde dia e noite não passam e você precisa ficar rastreando mentalmente quantos dias se passaram) se transforma em 72 horas de ação. Entre o vírus começar a se espalhar e toda a civilização na ilha entrar em colapso se passam menos de 24 horas. Nada é verossímil, as manipulações de bastidores se tornam risíveis.

Imagino que Mark Morris tenha recebido apenas um delineamento dos eventos do jogo e não tenha tocado no controle ou no teclado. Ou mesmo visto um vídeo de Dead Island. É a única explicação para ele não apenas ignorar todos os infectados especiais que existem em Banoi, jogando tudo na vala comum do "zumbi corredor" como também focar agressivamente no uso de armas de fogo e deixar de lado a improvisação e os combates viscerais de vida e morte. Ler um livro de Dead Island sem a brutalidade de uma marreta com pregos e sem ninguém pisando na cabeça dos zumbis para finalizar o serviço? Faça-me o favor. Em seu lugar, tiroteios, tiroteios e tiroteios sem qualquer nível de tensão.

O livro não obedece nem mesmo à sua própria lógica. Em uma página, um personagem normal, sem imunidade, informa que se um zumbi sequer babar em cima de você, a contaminação será fatal. Três páginas depois, o personagem toma um banho de sangue e vísceras e nem se abala.

O pecado final de Mark Morris está na alteração do final e das forças que se embatem ali. Aparentemente, não satisfeito com a premissa ridícula de quem está planejando o quê que existe no jogo, o autor tira da manga um roteiro ainda mais clichê, ainda mais infantil, que esvazia o poder de um dos maiores vilões do jogo, remove o papel dos protagonistas na conclusão e consegue reduzir um dos raros momentos dramáticos da obra da Techland.

Eu suspiro desolado diante de mais um vacilo. Esse primo não toma jeito mesmo. E o que será agora que ele saiu da casa dos pais e está ainda mais louco?

Ouvindo: Meu filho aprontando todas na sala
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4 comentários:

Shadow Geisel disse...

Uma boa leitura sobre um jogo: Rapture.

Luiz Antônio disse...

Concordo com vc Shadow Geisel. Comprei esse livro e adorei. Como fã (quase fanático) da franquia Bioshock posso dizer que foi o melhor livro sobre um jogo que já li. O período do livro é antes do 1º jogo e esclarece vários detalhes sobre Rapture (até mesmo sobre a sua construção) e a origem de vários personagens e como as "coisas" começaram a dar errado devido ao confinamento no fundo do mar, ao uso dos tônicos e da ideologia extremamente radical de Ryan que prega a total liberdade do homem sem nenhuma interferência do Estado ou da religião (NEM DEUSES, NEM REIS. SOMENTE HOMENS). A lei do "quem pode mais, chora menos" levada ao seu extremo. É um livro tão bom que, mesmo se nunca tivesse existido o jogo, já seria uma boa leitura. O que prova o quão genial foi e é Bioshock. Esse livro está num lugar especial na minha estante de livros.

Shadow Geisel disse...

Concordo com cada palavra, Luiz. Esse livro faz uma construção muito boa de personagens. AndreW (ou seria Andrei? rsrsrs) Ryan, Fontaine (que passa a ser mais assustador depois que conhecemos seus "antecedentes" ao jogo. Serviu pra tirar o gosto ruim que ficou depois de ler Diablo 3: A Ordem.

Anônimo disse...

O primeiro jogo foi divertido apesar dos pesares, já o segundo parei com 10 minutos ali na cabine do capitão do navio, aff.
Minha dúvida era justamente se o livro detalha a trama do jogo mas acontece o contrário, obrigado por poupar meu suado dinheirinho !

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