Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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13 de fevereiro de 2015

Retrato de um Assassino

hotline-miami-mr-rooster

Sente-se.

Você veio aqui para descobrir de onde veio Hotline Miami. Você já sabe o quê é o jogo, como ele é, quando foi lançado. Talvez também entenda seus porquês. E, obviamente, você é o quem da equação.

Mas de onde veio? De onde surgiu? Vou dar uma dica: não foi de Miami.

A visceral fábula de auto-conhecimento (e carnificina) veio dos recônditos mentais de dois sujeitos perfeitamente normais da fria Suécia: o programador Jonatan "Cactus" Söderström e o artista gráfico Dennis Wedin. Juntos, eles engendraram o mais bizarro dos filhos, um mutante psicodélico que é uma declaração de amor e ódio à violência.

Pronto. Agora você já sabe.

Como? Deseja mais informações? Nunca é o suficiente para você, não é? Posso compreender.

Söderström estava produzindo jogos gratuitos desde 2004, quando tinha 18 anos. Gratuitos mesmo, sem cobrar um centavo. Aos borbotões. Uma fábrica humana de freewares.

Um de seus primeiros projetos se chamava Super Carnage, um jogo top down onde o objetivo era matar tudo e todos sem motivos aparentes. Doente. Violento. Repleto de angst adolescente e testosterona, um manifesto de revolta. Por não conseguir acertar a Inteligência Artificial de seus personagens, ele enterrou a ideia no fundo da gaveta mais escura. E seguiu em frente com sua vida.

Entre as muitas voltas que sua vida deu, uma delas foi desenvolver um jogo gratuito para uma banda metalcore chamada de Fucking Werewolf Asso. No processo, conheceu o baterista e tecladista Dennis Wedin, também artista gráfico nas horas vagas. Se tornaram amigos.

Você pode imaginar o tipo de sujeito que canta em uma banda com um nome desses. Era a pessoa certa para entrar no caminho de um programador compulsivo como Söderström.

Sem dinheiro, com contas para pagar, a dupla decidiu que o próximo projeto deles seria um jogo comercial. Procurando nos guardados do amigo, Wedin encontrou Super Carnage. E deu um sorriso insano.

Arte Conceitual

Um dos primeiros esboços do jogo

Nove meses de trabalho pesado, nenhum orçamento, nenhuma certeza de que o jogo seria um sucesso. Eles apenas sabiam que era bom de jogar. Por que eles criavam e jogavam. Criavam e jogavam. Morre. Mata. Repete. Buscaram inspirações em filmes como Kick-Ass, Drive, Cocaine Cowboys e esbarraram em um problema fundamental: Super Carnage era bom, mas faltava alma. E se o jogo deles também pudesse questionar a mesma violência que glorificava?

Nascia ali Hotline Miami.

Você conhece bem do que estamos falando, não é? A violência. O êxtase da vitória. As dúvidas. Mas a música não deixa você parar. Só mais uma sala, só mais um nível.

O que aconteceu depois com Söderström e Wedin? Prossigamos, então.

A dupla já tinha conseguido uma certa fama no submundo dos freewares. Um conhecido na Vlambeer enviou Hotline Miami para a Devolver Digital, que enxergou de imediato que tinha um hit em mãos. O jogo foi levado pela Devolver para a Rezzed, um festival de jogos independentes, onde faturou seu primeiro prêmio: Game Of The Show.

Um ano depois do lançamento, o jogo já tinha vendido 300 mil cópias. Não se sabe ao certo o número atual. É segredo. Com Hotline Miami marcado para lançar no PlayStation 4 espera-se que as vendas aumentem ainda mais.

A dupla sueca trabalha na continuação do jogo para este mesmo ano. Mesma mecânica, mesmos questionamentos, novos mistérios, novas funcionalidades.

E isso é tudo.

Agora você tem todas as respostas, não é?

Ou será que não?

Ouvindo: Siouxsie and the Banshees - Kiss Them For Me
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22 comentários:

Michel Oliveira disse...

Pena que não consegui gostar dos controles do jogo. Muito difícil pra mim.

Thiago Gianelo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Thiago disse...

Esse é o tipo de jogo que eu não dou um centavo sequer. Violência psicodélica e sem sentido, não consigo gostar de jogos assim!

Anônimo disse...

Foi isso que me fez virar leitor assíduo desse blog.

A informação detalhada sobre o nascimento de um jogo, quem fez, como fez e porque fez, muito bom.

No caso desse jogo era mais ou menos o que eu imaginava: Um jogo hardcore feito por um programador (e gamer) hardcore para jogadores hardcore.

O jogo é bom, sem dúvida, não questiono isso, mas... Repito o que disse na postagem anterior desse jogo como anônimo (esqueci de assinar embaixo):

Em outra época, em que a oferta de novos jogos era mais (muito mais) escassa, os preços eram mais salgados e as horas vagas eram mais abundantes, provavelmente eu iria insistir nesse jogo até "vencê-lo". Mas (e é um grande MAS) hoje... Com tantos jogos renomados e recomendados esperando para serem baixados e jogados (pois comprei e ainda não tive tempo de jogar), ele não foi bom o suficiente para me manter interessado e insistindo até o fim.

Acho que esse é o preço que os programadores e as distribuidores hoje em dia devem estar dispostos a pagar quando criam um jogo nos padrões old school. Boas vendas? Sim, mas não para todos e muito longe de ser um blockbuster.

Abçs

Luiz

Gledson A. disse...

É uma pena que tantas pessoas assim (parece ser a maioria do blog) deixaram de apreciar essa obra de arte por questões tão efêmeras. Mas, traçando um paralelo, nem todos gostaram de Drive, nem todos gostaram de Laranja Mecânica, e nem por isso estas duas obras deixaram de ser boas. O mesmo vale para Hotline Miami.

Se pelo menos vocês conseguissem transpor esses obstáculos... esquecerem um pouco que existem outros jogos, esquecerem um pouco da dificuldade, procurarem entender o significado narrativo da violência na obra. Mas eu compreendo, cada um tem os seus motivos.

Enfim, Aquino, eu podia jurar que você iria citar o episódio do Pirate Bay neste post. Rs, ceder uma cópia atualizada para o site dizendo que queriam que todo mundo experimentasse o jogo!? Uau, que loucura!

Vendo agora que um deles era desenvolvedor freeware, entendo um pouco aquela atitude, mas que coragem, hein.

Anônimo disse...

Veja bem Gledson, nada me impede de um dia, num Domingo qualquer, fuçando na minha bibilioteca de jogos eu não acabe redescobrindo esse jogo e fique encantado com ele. Isso já aconteceu comigo várias vezes, a última foi no ano passado com Halo: Combat Evolved. O jogo foi lançado em 2001 e eu nunca tinha entendido qual a graça que os fãs achavam nele (e na franquia inteira, que para mim, era um mero FPS futurista com gráficos meia boca). Um belo dia, 13 anos depois de seu lançamento, "brincando" com um XBOX classico que estava "jogado num canto", resolvi "jogar um pouquinho" e tive uma epifania. Finalmente entendi o que encantou tantos jogadores durante todos esses anos.
Resultado: Joguei todos os jogos da franquia e hoje é um dos maiores motivos (se não for o único) para que eu venha a pilotar um console next gen, caso Halo 5: Guardians não seja lançada para PC.

O que eu quero dizer é que... Jogos bons, assim como filmes e musicas boas são atemporais. Para algumas pessoas eles são descobertos logo no seu lançamento e para outras eles precisam de um tempo para serem digeridos, apreciados, e as vezes, entendidos.

E o meu ego não é tão inflado a ponto de nunca voltar atrás em uma opinião. Até porque, neste caso especificamente, eu sei que o jogo é bom, eu simplesmente não estou disposto a direcionar a minha atenção e o meu tempo para ele neste momento. Digamos que ele (ainda) não conseguiu me fisgar.

E já que vc citou o filme Laranja Mecânica (acho que vc se referiu ao filme e não ao livro de Anthony Burgess de onde o filme foi adaptado), quero lhe dizer que eu assisti ele no cinema quando ainda era lançamento e tive que suportar as ridículas bolinhas pretas saltitantes que tentavam cobrir as genitálias das personagens... Coisas de Brasil (eu ia dizer que era coisa da ditadura, mas acho que se fosse hoje aconteceria algo semelhante, a exemplo da nossa dublagem que é a mais conservadora do mundo, os dubladores aqui são quase proibidos de falar palavrão, para não abalar a moral e os bons costumes da família brasileira)... Bom... Mas... Voltando ao filme, naquela época, quando assisti, na minha santa ignorância juvenil, eu só queria mesmo era ver mulher pelada e foi tudo o que eu não consegui ver :( Precisei de alguns anos para entender toda a complexidade do filme, entender, entre outras coisas, que a violência e a maldade são características tão humanas quanto a gentileza e a bondade (a dualidade Junguiana que Kubrick sempre gostou de mostrar nas telas) e que se fossem extirpadas da psique humana o resultado seria um sub produto meio-humano.

Hoje considero Stanley Kubrick o maior gênio que já existiu na indústria cinematográfica em todos os tempos. Nenhum outro diretor conseguiu transcrever o lado obscuro da psique humana para as telas como ele. Isso tem muito a ver com a sua busca pela perfeição quase patológica e com a maneira que ele enxergava o ser humano (e nisso eu me identifico muito com ele). Ainda há poucos dias, pela enésima vez, assisti Dr. Fantástico e quase chorei rindo com a interpretação do também genial Peter Sellers.

Um grande abraço,

Luiz

Gledson A. disse...

"Veja bem Gledson, nada me impede de um dia, num Domingo qualquer, fuçando na minha bibilioteca de jogos eu não acabe redescobrindo esse jogo e fique encantado com ele. Isso já aconteceu comigo várias vezes, a última foi no ano passado com Halo: Combat Evolved. O jogo foi lançado em 2001 e eu nunca tinha entendido qual a graça que os fãs achavam nele (e na franquia inteira, que para mim, era um mero FPS futurista com gráficos meia boca). Um belo dia, 13 anos depois de seu lançamento, "brincando" com um XBOX classico que estava "jogado num canto", resolvi "jogar um pouquinho" e tive uma epifania. Finalmente entendi o que encantou tantos jogadores durante todos esses anos.
Resultado: Joguei todos os jogos da franquia e hoje é um dos maiores motivos (se não for o único) para que eu venha a pilotar um console next gen, caso Halo 5: Guardians não seja lançada para PC.

O que eu quero dizer é que... Jogos bons, assim como filmes e musicas boas são atemporais. Para algumas pessoas eles são descobertos logo no seu lançamento e para outras eles precisam de um tempo para serem digeridos, apreciados, e as vezes, entendidos."

-Compreendo, Luiz. Concordo contigo que boas obras não possuem idade, não envelhecem e de sua liberdade de quando e como jogar. Pontos claramente expostos. Mas, isso eu peço sem pretensão de ofender, não deixe que a dificuldade de um jogo te afaste de, talvez, ter uma experiência da qual irá guardar com apresso. É claro que seria um absurdo pedir isso para jogos como Super Hexagon ou até para as fases "opostas" de 140, mas Hotline Miami não é tão brutal assim.

Mas é claro, tudo no seu tempo, e eu realmente espero que sua experiência com a obra seja uma das melhores.

Gledson A. disse...

"E o meu ego não é tão inflado a ponto de nunca voltar atrás em uma opinião. Até porque, neste caso especificamente, eu sei que o jogo é bom, eu simplesmente não estou disposto a direcionar a minha atenção e o meu tempo para ele neste momento. Digamos que ele (ainda) não conseguiu me fisgar."

-Não sei se foi essa a impressão que passei (se foi, eu peço desculpas), mas não quis dizer que o problema era o seu ego, Luiz. Aliás, até disse que compreendia o fato de cada um ter os seus motivos. O real problema (não no seu caso, pelo que entendi) é de hoje em dia ser muito fácil ver alguém virar o rosto em desdém para um jogo/filme/música/livro etc sem ao menos sequer com um motivo aparente.



"E já que vc citou o filme Laranja Mecânica (acho que vc se referiu ao filme e não ao livro de Anthony Burgess de onde o filme foi adaptado), quero lhe dizer que eu assisti ele no cinema quando ainda era lançamento e tive que suportar as ridículas bolinhas pretas saltitantes que tentavam cobrir as genitálias das personagens... Coisas de Brasil (eu ia dizer que era coisa da ditadura, mas acho que se fosse hoje aconteceria algo semelhante, a exemplo da nossa dublagem que é a mais conservadora do mundo, os dubladores aqui são quase proibidos de falar palavrão, para não abalar a moral e os bons costumes da família brasileira)... Bom... Mas... Voltando ao filme, naquela época, quando assisti, na minha santa ignorância juvenil, eu só queria mesmo era ver mulher pelada e foi tudo o que eu não consegui ver :( Precisei de alguns anos para entender toda a complexidade do filme, entender, entre outras coisas, que a violência e a maldade são características tão humanas quanto a gentileza e a bondade (a dualidade Junguiana que Kubrick sempre gostou de mostrar nas telas) e que se fossem extirpadas da psique humana o resultado seria um sub produto meio-humano.

Hoje considero Stanley Kubrick o maior gênio que já existiu na indústria cinematográfica em todos os tempos. Nenhum outro diretor conseguiu transcrever o lado obscuro da psique humana para as telas como ele. Isso tem muito a ver com a sua busca pela perfeição quase patológica e com a maneira que ele enxergava o ser humano (e nisso eu me identifico muito com ele). Ainda há poucos dias, pela enésima vez, assisti Dr. Fantástico e quase chorei rindo com a interpretação do também genial Peter Sellers.

Um grande abraço,

Luiz"

Rs, nunca assisti Dr. Fantástico, mas sua descrição das obras de Kubrick e os seus comentários sobre o mesmo me deram vontade de assisti-lo e "reassistir" Laranja Mecânica. Mas legendado, porque dublado... né.

Enfim, vejo como necessidade de te agradecer pela educação ao qual expôs sua opinião e defendeu seus pontos. Você deve saber como é difícil achar isso na internet hoje em dia. Obrigado.

Anônimo disse...

"Não sei se foi essa a impressão que passei (se foi, eu peço desculpas), mas não quis dizer que o problema era o seu ego, Luiz. Aliás, até disse que compreendia o fato de cada um ter os seus motivos. O real problema (não no seu caso, pelo que entendi) é de hoje em dia ser muito fácil ver alguém virar o rosto em desdém para um jogo/filme/música/livro etc sem ao menos sequer com um motivo aparente."

Com certeza não foi a impressão que vc me passou, eu simplesmente quis dizer que, se um dia eu me der conta que estava equivocado, não terei o menor problema em admitir.




"Rs, nunca assisti Dr. Fantástico, mas sua descrição das obras de Kubrick e os seus comentários sobre o mesmo me deram vontade de assisti-lo e "reassistir" Laranja Mecânica. Mas legendado, porque dublado... né."

Rapaiz, eu não acredito que vc gostou de Laranja Mecânica e não assistiu os outros filmes dele, vc não sabe o que está perdendo, faça um favor para vc mesmo e assista. Não precisa ser os mais antigos, começe por Nascido para Matar (Full Metal Jacket) que é uma produção de 1987 e tenho certeza que vc, além de gostar, vai perceber que tudo o que escrevi sobre Stanley Kubrick ainda é pouco para descrever a sua genialidade e a sua lendária busca pela perfeição. Eu tenho um documentário sobre ele com narrações de vários atores e atrizes que falam que era comum ele levar o elenco a exaustão mental (e física também) de tantas vezes que ele mandava os atores repetirem a mesma cena até ele dizer que estava "bom". Tem até um micro making off da produção do filme O Iluminado em que a atriz se desespera chorando por não conseguir atuar do jeito que ele queria.

Quero esclarecer também que eu NÃO assisto filme dublado em hipótese alguma, eu simplesmente usei o exemplo da dublagem para demonstrar o quando que a ditatura do politicamente correto castra e mutila as produções estrangeiras por aqui.





"Enfim, vejo como necessidade de te agradecer pela educação ao qual expôs sua opinião e defendeu seus pontos. Você deve saber como é difícil achar isso na internet hoje em dia. Obrigado."

Isso não precisava nem agradecer, antes de colocar a minha opinião aqui no blog eu li várias postagens e comentários e percebi que o pessoal que frequenta já tem maturiade suficiente para não deixar se levar pelas paixões e pelo calor do momento e acabar falando algo desnecessário e, consequentemente, desrespeitando a opinião alheia. Então, quando eu for dar a minha opinião, o mínimo que eu posso fazer é tentar manter a "discussão" no mais alto nível que eu puder.

Bom... Era isso... Agradeço pela sua "réplica" e também pela sua opinião sobre o jogo pois os seus argumentos são fortes e merecem ser levados em conta.

Não foram argumentos raivosos nem pejorativos como já li em alguns foruns gringos, xingando os gamers de casuais e já puxando aquele velho discurso de que os gamers casuais são os culpados pela facilidade e pelo emburrecimento dos jogos, que os jogos deveriam ser mais difíceis e blá... blá... blá... Eles só esquecem é que se as desenvolvedoras de jogos fossem viver só das cópias compradas por gamers hardcore elas fechariam as portas depois do primeiro jogo.

Um grande abraço.

Luiz

Gledson A. disse...

"Quero esclarecer também que eu NÃO assisto filme dublado em hipótese alguma, eu simplesmente usei o exemplo da dublagem para demonstrar o quando que a ditatura do politicamente correto castra e mutila as produções estrangeiras por aqui."

-Rs, aquilo que falei sobre assistir legendado ao invés de dublado foi uma brincadeira em sintonia com aquilo que você disse sobre o conservadorismo da dublagem brasileira.



"Rapaiz, eu não acredito que vc gostou de Laranja Mecânica e não assistiu os outros filmes dele, vc não sabe o que está perdendo, faça um favor para vc mesmo e assista. Não precisa ser os mais antigos, começe por Nascido para Matar (Full Metal Jacket) que é uma produção de 1987 e tenho certeza que vc, além de gostar, vai perceber que tudo o que escrevi sobre Stanley Kubrick ainda é pouco para descrever a sua genialidade e a sua lendária busca pela perfeição. Eu tenho um documentário sobre ele com narrações de vários atores e atrizes que falam que era comum ele levar o elenco a exaustão mental (e física também) de tantas vezes que ele mandava os atores repetirem a mesma cena até ele dizer que estava "bom". Tem até um micro making off da produção do filme O Iluminado em que a atriz se desespera chorando por não conseguir atuar do jeito que ele queria."

-Você ficou impressionado com eu não ter assistido os outros filmes dele ainda!? Gostaria de ver a sua cara depois de eu dizer que assisti o filme The Shinning sem saber quem era o diretor.

Rs, pois é. Mas acho que foi para melhor, sabe. Assisti o filme na mesma época que estava lendo o livro; terminei o filme primeiro, como pode imaginar, e, apesar de gostar do mesmo, confesso que fiquei desapontado com o final. Lia o livro pensando nisso e fui surpreendido de forma positiva quando o terminei. Sei lá, foi do jeito que eu imaginei um final bom para aquela situação, apesar de nem sempre um "final feliz" ser "o certo" para determinada obra.

Achei interessante seus relatos sobre o making off, não sabia que ele exigia tanto dos seus atores. Lembrei do filme Whiplash agora e fiquei imaginando ele gritando com os coitados quando um erro acontecia do mesmo jeito que o personagem Fletcher fazia no filme.

Se você não assistiu esse que citei, recomendo. É um filme novo que foi lançado e ele retrata bem essa busca quase doente pela perfeição em uma coisa específica (no filme, se trata de um baterista que toca jazz).

Com suas recomendações já montei uma lista que vai de Paths of Glory até Eyes Wide Shut. Acho que esses meses só vai dar David Lynch e Stanley Kubrick no pc, rs.

= )

Gledson A. disse...

The Shining*

:s

Anônimo disse...

"Achei interessante seus relatos sobre o making off, não sabia que ele exigia tanto dos seus atores. Lembrei do filme Whiplash agora e fiquei imaginando ele gritando com os coitados quando um erro acontecia do mesmo jeito que o personagem Fletcher fazia no filme."

Pois é exatamente aí que vc se engana :). Stanley não era o tipo do diretor que tinha ataques histéricos e que berrava pelo set com os atores, muito pelo contrário, não existe um relato de que algum dia ele tenha alterado o tom de voz com ninguém dentro do set, nem com os atores e nem mesmo com nenhum membro da equipe técnica.

A abordagem que ele usava com os atores era tipo: " - Eu acho que ficou bom mas... Veja bem, eu sei que vc é capaz de fazer melhor do que isso...Afinal é o seu nome que está em jogo, lembre-se que um dia nós morreremos, mas os filmes ficarão "aí" para sempre... Vc não vai querer ser lembrado/a por sua atuação mediana nesse filme, vai?"

E a abordagem com a equipe técnica era semelhante, ele poderia até demitir alguém, mas jamais aumentaria o tom de voz com alguém.

Esse era o estilo dele e no documentário mostra bem isso.




"Se você não assistiu esse que citei, recomendo. É um filme novo que foi lançado e ele retrata bem essa busca quase doente pela perfeição em uma coisa específica (no filme, se trata de um baterista que toca jazz)."

Ainda não assisti, vou procurar para assistir.




"Com suas recomendações já montei uma lista que vai de Paths of Glory até Eyes Wide Shut. Acho que esses meses só vai dar David Lynch e Stanley Kubrick no pc, rs."

Tenho certeza de que vc não vai se arrepender. Também gosto de David Lynch.

Abçs

Luiz

Marcos disse...

falando em Kubrick, rolou a um tempo atrás um video do gameplay de HM2. E Pasmem: Num dos trechos do jogo rola uma entrevista com um diretor sobre um filme adaptando a história do protagonista do Hotline Miami 1, e a aparência do diretor é estranhamente semelhante a do Stanley Kubrick

Thiago disse...

Gledson, eu viro a cara pra esse tipo de jogo porque pra mim não tem muito fundamento tanta violência com tão pouca história.

No final das contas o que faz o jogo vender é o desafio e violência e a única coisa que a maioria das pessoas falam é sobre a violência, porque um jogo desse não tem muito mais a demonstrar a não ser isso, pelo menos para os gamers mais leigos. É tipo aquele Hatred que virou assunto nos últimos dias, jogo totalmente mediócre, mas vai vender horrores pela polemica causada e principalmente a violência... Isso é a arte e a alma do jogo? Bom, se for, não me agrada, infelizmente.

Não discrimino nem desrespeito quem gosta, quem vê sentido, quem enxerga a arte e o recado do jogo... Mas pra mim não dá muito certo.

Veja bem, eu jogo vários jogos hardcore violentos, mas por trás de uma grande maioria, senão todos que terminei, eu enxerguei a história e entendi o contexto e o drama do personagem... Principalmente God of War, que tem toda uma história trágica... Mas não foi o meu caso com Manhaunt, por exemplo, achei o jogo uma porcaria, chega a ser deprimente os objetivos do jogo.

Thiago disse...

Bom, no final das contas é tudo uma questão de preferencia, eu acho... Rsrs

Gledson A. disse...

Thiago, em primeiro lugar gostaria de te dizer que respeito a sua opinião, porém devo dizer que acho que seus argumentos estão um pouco equivocados quanto a natureza da obra.

Não se trata de enxergar a violência como arte. Se você leu meus comentários (assim como os dois posts do Aquino sobre a questão e a opinião detalhadamente descrita de Luiz) deve ter entendido isso, mas sim que a violência faz parte da forma narrativa (e isso não quer dizer que a mesma é vangloriada - vide Spec Ops: The Line ou Apocalypse Now).

Dizer que o único motivo para se jogar Hotline Miami é pela violência é dizer a mesma coisa que ler O Terceiro Tira é só pela loucura ou pelo nonsense, ou seja, não faz sentido.

Sim, muitas pessoas devem jogá-lo com esse propósito em mente, mas dizer que todo mundo o faz e, pior, que essa é a única razão de se jogar a obra não é lá muito justo pela mesma falta de coerência que expus no parágrafo acima.

A proposta de Hatred é diferente. Até agora, no momento atual de desenvolvimento, tudo que os trailers mostram sobre o jogo é que o seu único e verdadeiro propósito é controlar um psicopata e assassinar pessoas inocentes. Só isso, ponto. Nesse quesito, seu argumento funciona: sem enredo, sem um cuidado maior com a narrativa, só pura e crua violência. Vendo por esse lado, é incompatível a comparação entre ele e Hotline Miami.

Agora, seria interessante se trouxéssemos a pergunta: Hatred é ou não necessário para o meio da experiência interativa? Irei esperar a sua resposta sobre isso, seria interessante ler sua opinião.

Gledson A. disse...

Olhando seus comentários me fez pensar na possibilidade de você não ser muito fã de uma narrativa mais subjetiva, mas sim de uma mais direta talvez. David Lynch, Lewis Carrol ou Brian O'Nolan não seriam do seu gosto eu acho, mas entendo. Como você mesmo deixou claro, é questão de preferência.

Gledson A. disse...

Luiz, impressionante como Kubrick não partiu para o lado abusivo nessa busca pela perfeição e mesmo assim consegue fazer obras tão... bom, você sabe, perfeitas. Isso só faz com que ganhe respeito, principalmente nessa área criativa.

Bom, espero te ver por aqui mais vezes. Até lá, bora assistir estes clássicos.

Gledson A. disse...

Marcos, tu fala daquela cena do gameplay que deu o que falar a alguns meses atrás?

Rs, vi uma imagem agora e, realmente, parece ele mais jovem com um boné e o cabelo um pouco longo. Acho que deve ser algum tipo de Easter Egg ou coisa do tipo.

Thiago disse...

Desculpa Gledson, acho que me pressei errado lá em cima. Não quis generalizar e nem dizer que todos que jogam Hotline é apenas pela violência... Eu acredito que você, o Aquino e muitos outros jogadores realmente veem toda a obra de uma forma diferente. Mas uma grande massa adora a parte violenta do jogo, e no final das contas muito hype gira em volta disso e muitos dos que se dizem Gamers compram ou baixam o jogo apenas para conferir isso, porque, infelizmente, nos dias de hoje não existe market melhor que violência e sexo. Claro, existem produtores que se utilizam disso para vender seja no jogo ou no cinema, e produtores que expressam coisas através disso, como no caso do The Witcher, que aliais, adoro. =)

Agora sobre o Hatred, sinceramente, eu não sei. Por um lado, é melhor violência no vídeo game do que na vida real... Do outro, se lançar da forma como foi apresentado, sem conteúdo, somente com o objetivo de matar, não acho que fara falta pra ninguém.

Gledson A. disse...

Pois é, Thiago, e é uma pena que algumas pessoas o façam só por causa da violência. Mas fazer o quê, né?

O importante mesmo é que, por mais que uns tantos tenham jogado só por essa razão, uma boa quantia (pelo menos na época de lançamento) o fizeram por razões mais válidas (por assim dizer).

Agora, sobre Hatred, eu o vejo como um mal necessário na indústria. Acho que já foi discutido isso daqui na época em que descobriram Rapelay, mas é aquele impasse de construir X e não construir Y e onde isso exatamente interfere na liberdade criativa. Tem gente que gosta e, bem, desde que não cause mal algum a ninguém na vida real, acho que vale a pena aprender a conviver com isso.

Gledson A. disse...

"Claro, existem produtores que se utilizam disso para vender seja no jogo ou no cinema, e produtores que expressam coisas através disso, como no caso do The Witcher, que aliais, adoro. =)"

Encontrar outro fã de The Witcher... meu dia está completo.

=D

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