Retina Desgastada
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25 de fevereiro de 2015

Jogando: Minecraft Hardcore

Belos Efeitos de Luz

Depois de passar quase 2014 inteiro jogando Minecraft e construindo um império com vilas muradas, zoológico, criação de animais e outros badulaques, meu filho e eu colocamos o jogo em um hiato para respirar enquanto testávamos outros títulos.

Durou pouco.

Com as férias de verão, recoloquei o ícone do jogo na área de trabalho e partimos em uma jornada de explorar novos mods, sem pausa para construir. Mas a vida de nômade cansa.

A obra definitiva do sueco Markus "Notch" Persson é uma obra aberta que pode ser jogada de diferentes formas por diferentes pessoas. Sem objetivos claros, você cria suas metas. Resolvemos então aceitar um desafio: jogar no modo Hardcore.

O que diferencia esse modo do tradicional Survival é a existência da permadeath. Morreu, acabou tudo. O mundo é automaticamente apagado, com tudo que você criou e não tem como reverter isso de dentro do jogo. Você sempre pode fazer um backup da pasta onde o mundo está guardado, mas a ideia não é essa. Modo Hardcore é o que separa meninos de homens.

Ou medrosos de suicidas. Porque teoricamente você pode cavar um buraco no chão e se enterrar ali todas as noites, garantindo sua sobrevivência. Mas qual seria a graça se você não desse a cara para bater? Considerando a quantidade de vezes que morremos no modo Survival, era certo que não iríamos longe no modo Hardcore. Mas fomos. Estamos indo, firmes e fortes.

Pacote Gráfico

Meu filho adora o pacote de texturas Adventure Time, por razões óbvias

Para não cavar o proverbial buraco no chão e se esconder ali, criamos uma lista de 15 objetivos a serem alcançados:

  1. Fazer uma casa bonita, com janelas (alcançado no segundo dia, embora a casa tenha sido melhorada depois)
  2. Criar 6 bichos de fazenda (temos 8 galinhas agora)
  3. Domar um animal selvagem (temos 4 cobras de estimação e um golfinho, cortesia de um mod)
  4. Ter uma armadura de ferro
  5. Ter todas as ferramentas de ferro
  6. Encontrar uma vila (essa meta deu trabalho, mas agora já conhecemos 4 vilas diferentes!)
  7. Matar um ogro (incompleta)
  8. Encontrar um templo (levou semanas e o encontrado estava parcialmente enterrado no deserto)
  9. Cultivar 6 plantas de 2 tipos diferentes (temos abóboras e cana de açúcar em profusão)
  10. Cruzar um oceano (incompleta)
  11. Encontrar uma mina
  12. Escrever o nome do meu filho em letras gigantes (uma das primeiras metas completadas!)
  13. Matar um dinossauro (de um mod, felizmente tinha um bioma com eles bem próximo)
  14. Ter 5 cachorros (demoramos muito para encontrar)
  15. Construir um "porão" (meu filho insistiu nesse, mas foi muito fácil de fazer

Contrariando todas as previsões, ainda conseguimos visitar o Nether, onde quase morremos durante um ataque de Ghast. E criamos uma vila artificial no quintal de casa, com quatro aldeões "sequestrados" e três casas montadas do zero.

Visão Panorâmica

A minha regra individual é: se a morte acontecer enquanto eu e meu filho estamos jogando juntos, o mundo acabou. Para sempre. Talvez funcione como uma lição sobre causas e consequências ou sobre a perenidade das coisas ou sobre a necessidade de se obedecer regras. Entretanto, quando jogo sozinho, depois que o garoto foi dormir, sempre salvo uma cópia dos arquivos porque meu filho não merece acordar sabendo que o burro do pai pisou na bola e estragou a diversão. E aconteceu mesmo. Duas vezes, para ser sincero.

A Casa Maldita

Temos um mirante em nossa residência, de onde é seguro vislumbrar a noite e observar as criaturas que aparecem, na esperança do surgimento do mítico Ogro. Em uma destas noites, vimos uma luz onde antes não havia nada.

Para entender nosso espanto é preciso lembrar que, em Minecraft, terreno que foi visitado é terreno que foi gerado. Não há como ele ser alterado pelo engine do jogo ou por mods instalados depois, a menos que você realize um complicado processo de resetar com uma ferramenta externa.

Ou assim pensávamos.

A súbita aparição de uma luz e o que parecia ser uma casa em um lugar próximo ao nosso território e pelo qual já tínhamos passado era algo que desafiava nossa compreensão da natureza de Minecraft e beirava o terreno das creepy pastas.

Teoricamente, a sessão de jogo deveria terminar em cinco minutos para o guri tomar banho e jantar. Jogamos tudo para o alto. Suspende a comida! Temos um mistério em nossas mãos!

Como seguro morreu de velho e o peso do modo Hardcore está sempre presente, esperamos o amanhecer para explorar a luz-fantasma.

Chegando perto, vimos que era mesmo uma construção. Uma única construção de vila, uma casa de trem introduzida por um outro mod, mas que nunca havíamos visto isolada de outras casas. Muito menos aparecendo espontaneamente. Para complicar a estranheza, o lugar tinha três andares, quando normalmente possui apenas um e parte das entradas estavam bloqueadas por terra e pedras. Lá dentro, três aldeões.

O que se seguiu é um exemplo de jogabilidade emergente. Interferimos no fino equilíbrio da situação e cavamos saídas para o lugar, ao mesmo tempo em que tampávamos os acessos por onde poderiam entrar monstros. A ideia era pernoitar ali. No segundo andar, tampamos as paredes expostas, mas cometemos o erro de gastar toda a madeira antes de fazer uma cama.

A noite caiu.

E um furacão atingiu a casa com toda a força, o pior e mais assustador efeito do mod Weather.

Vimos as paredes sendo arrancadas com violência enquanto buscávamos uma forma de sobreviver. Um dos aldeões foi levado pelos ventos e nunca mais foi visto. Enquanto isso, ouvimos o barulho de zumbis no andar de baixo, que não apenas haviam encontrado uma forma de entrar (ou dar spawn) como também estavam DEVORANDO os outros aldeões.

Parecia certo que o modo Hardcore iria reclamar nossas vidas naquela noite. Mas o furacão nos deixou em paz. Tampamos a entrada do andar de baixo, ainda ouvindo os sons de zumbis vindos de lá. O lugar todo estava em pior estado do que quando tínhamos encontrado.

Tão inexplicavelmente quanto surgiu, a Casa Maldita agora estava vazia, castigada pelo azar e por algoritmos que não entendemos.

Deixamos as tochas acesas. Na verdade, até acrescentamos outras. Do mirante ainda dá para ver o fatídico farol do destino brilhando na escuridão ameaçadora de Minecraft.

Ouvindo: CPM 22 - Anteontem
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5 comentários:

Mateus Gabriel disse...

Só me falta bater palmas toda vez que você posta uma história dessas. Você escreve incrivelmente bem, com sinceridade. O texto prende, como se cada parágrafo fosse um prego te ligando ao chão. Ou ao próprio texto, nesse caso. Saiba que seus leitores te adoram, Aquino!

Shadow Geisel disse...

Excelente texto. Dá vontade não só de jogar, mas fixar moradia no mundo de minecraft

Raphael AirnMusic disse...

Concordo com Shadow... eu que não tinha vontade nenhuma de jogar Minecraft, agora quero me perder nesse mundo também hehehe.

José Guilherme Wasner Machado disse...

A princípio, nunca tive muita vontade de jogar Minecraft, mas a cada post do Aquino, essa opinião vai mudando...

Gabriel disse...

Eu amo os teus textos Aquino, o problema é que quando vou jogar vejo o mundo tão vazio, tento, luto, faço coisas, mas mesmo assim a solidão ainda paira sobre mim. Jogando com amigos tiro melhor proveito, o problema é que a zueira comanda tudo e não dá para explorar o além. Ainda espero o teu pack dos mods!

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