Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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9 de dezembro de 2014

Mundos Paralelos

Em uma dimensão alternativa, C. Aquino é um dos raros blogueiros que cobre o universo fascinante dos arcade games. Inventados por Nolan Bushnell nos anos 70, se tornaram a sensação dos shopping centers e de pequenas lojinhas de subúrbio batizadas de fliperama.

Mas os arcade games estão morrendo, vítimas da própria evolução tecnológica que gerou máquinas cada vez mais potentes e custos cada vez maiores para os consumidores. Poucos fliperamas ainda existem e, tirando febres sazonais, o hobby permanece uma diversão para poucos, entre uma ida ao cinema, um rolê, uma paquera. A hora em uma dessas máquinas é quase tão cara quanto boliche ou paintball, mas menos social.

A Activision e a Atari disputam o que sobrou do mercado com lançamentos cada vez mais bombásticos. Mas nem a ascensão da Internet e a possibilidade de atualização digital dos novos títulos conseguiu manter o interesse do grande público, que ainda vê aquelas salas escuras e seus frequentadores suados como um tipo de tribo a ser evitada.

soldado-baerNesta realidade paralela, o soldado Ralph Baer, especialista em telecomunicações, foi designado por engano para desembarcar na Normandia durante o Dia D e morreu antes mesmo de chegar na areia. A pneumonia que deveria infectá-lo (e livrá-lo do combate por tempo o suficiente para ser localizado e realocado de volta para seu posto longe da linha de frente) foi neutralizada por seu sistema imunológico.

Mas C. Aquino desta realidade não sabe nada sobre Baer, apenas lamenta o declínio dos arcade e se pergunta o que poderia ter sido feito para popularizar os jogos eletrônicos que ele tanto curte.

Em uma outra realidade paralela, a expressão gamer não existe. Todos jogam, sem exceção. Do porteiro do prédio em sua televisão portátil durante as madrugadas até o alto-executivo de multinacional enquanto viaja de avião em seu notebook. C. Aquino não escreve sobre jogos, por que simplesmente não há necessidade: os jogos estão nos noticiários, nos jornais impressos, nas rodas de conversas, em cada esquina, em cada lar.

Jamais passaria pela cabeça de alguém que um jogo eletrônico possa induzir alguém a cometer crimes. Exceto os radicais religiosos.

Canais de televisão disputam a tapa o direito de serem transmitidos nos principais consoles, entre uma partida e outra. Neste estranho mundo, jogos tem intervalo comercial e a receita das principais desenvolvedoras vem em sua maioria da publicidade. Jogos são baratos ou baseados apenas em serviços de assinatura.

A tecnologia gráfica evoluiu de forma exponencial desde os anos 60. Nos anos 90, a febre do streaming varreu o planeta e repentinamente todos sentiram a possibilidade de se tornarem criadores de conteúdo. Uma indústria de jogadores populares nasceu e hoje existem revistas dedicadas a seguir todos os seus passos, mesmo no mundo real. Todos os aparelhos de televisão são 4K desde a virada do milênio. Em 2014, é muito difícil distinguir o que é uma filmagem do que é gerado por computação.

Com o crescimento da indústria dos jogos eletrônicos, o estudo da programação se tornou uma carreira atraente e competitiva. Mais e melhores jogos resultaram em mais e melhores programas e juntos a economia digital ascendeu em velocidade exponencial. Cientistas já preveem o surgimento da primeira Inteligência Artificial ainda nesta década.

engenheiro-baer

Nesta realidade paralela, Ralph Baer foi ouvido em 1951 quando apresentou pela primeira vez a ideia de um aparelho que permitia interagir com os televisores. Ele não foi ridicularizado por fabricantes nem precisou esperar quinze anos para finalmente conseguir montar o primeiro protótipo do que viria a ser o Magnavox Odyssey.

C. Aquino nesta realidade não escreve sobre jogos, mas sabe quem foi Ralph Baer. Todos sabem. Ele figura na ponta da língua de todos, ao lado de grandes inventores como Graham Bell, Henry Ford ou Thomas Edison.

No nosso mundo, Ralph Baer faleceu aos 92 anos, condecorado, lembrado e sempre presente a cada vez que você aperta PLAY.

Ralph Baer

Ouvindo: The Sisters of Mercy - Watch
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4 comentários:

Shadow Geisel disse...

homenagens não faltarão.

Eder R. M. disse...

Requiescat in pace. :-(

Ipsum disse...

Another one bites the dust...

Gledson A. disse...

Fazendo uma certa analogia a um certo livro: "Adeus e obrigado pelos jogos."

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