Retina Desgastada
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27 de dezembro de 2014

Jogando: Sonic and All-Stars Racing Transformed

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Como é que você supera ou pelo menos tenta igualar um jogo redondinho como o primeiro Sonic & Sega All-Stars Racing? O caminho mais comum é acrescentar mais pistas, mais personagens, requentar o bolo e lançar. A Sega escolheu apelar para um novo recurso mecânico que não funciona tão bem como deveria e quase, quase, estraga a diversão de Sonic and All-Stars Racing Transformed, ou SART.

O truque que a Sega tira da cartola, desnecessariamente, vale dizer, é o poder de transformação dos veículos: as pistas envolvem corrida em terra, no mar e no ar, com seu carro se transformando em barco e avião automaticamente. Em um primeiro momento, há o choque óbvio que a dirigibilidade não é a mesma. O barco balança e tem pouca aderência (por razões óbvias), enquanto o avião exige que você também controle para cima e para baixo. Em outras palavras, você está ali dando o máximo de velocidade que tem e então acontece uma mudança de terreno e você é forçado a adaptar seu estilo para uma forma que não é exatamente perfeita.

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O que é um choque no começo, é compensado pelos incríveis visuais das novas pistas, ainda mais impressionantes do que aquelas que existiam no primeiro título. O cenário tirado de AfterBurner é de enlouquecer os sentidos, envolvendo navios de guerra, explosões, caças de combate, carcaças flamejantes e muita adrenalina.

E, tenho que ser honesto, com o tempo você se acostuma tanto com o barco quanto com o avião. Ainda que eu tenha seguido preferindo os carros até o último momento do jogo.

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Membro legítimo do gênero dos "jogos de kart", SART traz uma lista de power-ups diferente dos originais que apareciam no primeiro jogo, mas que serão familiares a qualquer um que já tenha jogado algo assim. Tem o poder que só atinge quem está na primeira posição, tem o poder que é teleguiado, tem o poder que fica plantado na pista esperando a vítima passar por cima, tem aquele que acelera e tem aquele que ativa a habilidade única do corredor, entre outros.

Apesar de um bug aqui e outro ali (além da mais tosca interface de configurações já vista), a Sega se esmerou de uma forma geral na produção, com falas diferentes para cada um dos corredores em momentos-chave como ultrapassagens, derrubadas e vitórias, além de algumas animações hilárias, um festival de "beijinhos no ombro" quando se ocupa a primeira posição. Tudo funciona como um incentivo para o modo carreira, a World Tour, para se desbloquear novos personagens e conhecer suas falas, trejeitos e transformações.

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Três personagens e uma pista só podem ser liberados mediante compra de DLCs. O pacote do Metal Sonic traz também a curta pista inspirada em Outrun e é facilmente encontrado em promoções que envolvem todos os jogos do ouriço. Já o DLC do Ryo Hazuki só traz o personagem mesmo, caracterizado pelo seu jeito lacônico na pista e por estar pilotando uma máquina de arcade, literalmente jogando Outrun enquanto corre! Mas o mais divertido DLC é do Yogcast, que adapta o icônico YouTuber para o mundo de Sonic, incluindo seus gritinhos e jeito, digamos, expansivo. Esse último DLC nunca entra em promoção, mas apenas porque todo o dinheiro arrecadado com sua venda vai para instituições de caridade: ou seja, vale pelas risadas e vale pelo gesto nobre.

Apenas 1,9% de todos os jogadores de SART conseguiram desbloquear todos os personagens (e eu acredito que esta estatística não contabiliza os personagens pagos). Com imensa persistência e trabalho de equipe, meu filho e eu conseguimos a façanha. Foi uma jornada de muitas gargalhadas, high fives, urros de raiva e pulos de alegria, mesmo com as transformações. Sonic e sua turma mais uma vez atropelaram todos os outros jogos instalados no PC e o garoto não sossegou enquanto não conquistamos o último personagem.

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São necessárias 165 estrelas para liberar o corredor final. Sem perceber, estávamos jogando e vencendo (com muito suor) desafios no último nível de dificuldade possível para extrair estrela de pedra. Foi um triunfo do teclado sobre o controle, uma prova de dedicação. Mas meus dedos doíam. Entre uma sangria e outra, meu filho pedia para correr umas "só por diversão", o que geralmente significava correr uma Battle Arena, uma das três pistas no modo carreira onde o objetivo é eliminar os outros corredores com três ataques de power-ups enquanto tenta sobreviver aos ataques alheios. É sensacional, uma luta de gato e rato que deveria estar disponível para outras pistas e fora do World Tour.

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Mas se a conquista de estrelas nos fazia dar dancinhas da vitória, o modo online funciona como um balde de água fria no ego e mostra que tem gente lá fora anos-luz à nossa frente. Não disputamos tantas corridas assim, até porque o Lobby costuma ficar vazio, mas nosso melhor resultado foi um humilde quarto lugar.

Meu filho já pergunta sobre um mítico All-Stars Racing 3. Fica a dica, Sega. Há mercado, está na hora. Mas traga de volta o Billy Hatcher no próximo!

Ouvindo: The Jesus and Mary Chain - Degenerate
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3 comentários:

Michel Oliveira disse...

Só eu acho esquisito o Sonic dirigindo um carro se ele é muito mais rápido que qualquer carro?

Susej Menegroth disse...

O jogo é realmente muito divertido. Jogo com a minha sobrinha e, apesar de não dividir o mesmo entusiasmo que seu filho pelo jogo, ela adora atirar as armas nos oponentes. Inclusive, a mira dela é muito melhor que a minha.

Sobre controle, comprei um de xbox 360. Gostaria de compartilhar minha experiência com o mesmo. Mas tenham sempre em mente esta pequena introdução.
Meu último console foi o Mega Drive. Aquele controle pesadão, grande demais para as mãos de uma criança. Claro, comprei incontáveis horas em playstation 1 e nintendo 64 nas antigas locadoras de video games também. Mas antes mesmo da geração 64-bits terminar, me tornei exclusivamente parte da #PcMasterRace.

Desde então, mouse e teclado me acompanham nas jogatinas. E, apesar de um tanto desconfortável às vezes, não há como negar a versatilidade e precisão do combo. Dos os FPSs mais frenéticos, aos RTSs mais estratégicos e até os space sims mais complexos, mouse e teclado tiram de letra. E após tantos anos, as configurações mais comuns para todos os gêneros acabam ficando na memória muscular dos dedos, tornando novos jogos uma experiência bem mais suave.

Mas enfim, comprei um controle após todos esses anos de mouse e teclado.
E após um certo tempo para me acostumar um pouco com aquele objeto, posso dizer que, não importa o jogo, não há controle que seja mais preciso que mouse e teclado. Mesmo para platformers 2D ou jogos de corrida simples como SART. Se você, como eu, está acostumado a controlar quaisquer personagens milimetricamente, vai sentir uma diferença absurda. A ponto de tudo parecer mais truncado e lento. E isso falando apenas de platformfer 2D e jogos de corrida simples.

Agora, quando o negócio é shooter, seja em primeira ou terceira pessoa, meu amigo... É inacreditável o quão lento e truncado tudo fica. Não importa como a sensibilidade da câmera esteja configurada, esta se move com a lentidão de uma lesma manca e aquela precisão milimétrica que nos permite dar um headshot em segundos no mouse, vai pro espaço. Claro, como tudo na vida, com a prática fica mais fácil. Ainda assim, o abismo da velocidade e precisão entre controle e mouse + teclado é gigantesca.

Em SART, por exemplo, por ser um jogo mais simples e com a física bem longe do real, a diferença não é grande o suficiente para importar muito. Pelo menos entre jogadores "normais". E com isso quero dizer jogadores não-"hardcore". E o mesmo se aplica a platformers 2D.

Já em jogos como Distance (http://youtu.be/2FDUER54A1Q), que tem uma física bem mais próxima do real e controle milimétrico faz uma grande diferença, mouse e teclado é muito melhor. Quando tentei jogar Distance com controle, foi catastrófico.

Apesar de tudo isso, também é impossível negar que controle é muito mais confortável que mouse e teclado. Principalmente para SART e platformers 2D, chega a ser relaxante. E a LER agradece.

Welben Ribeiro disse...

joguei (e ainda jogo) o primeiro dessa série. o que me espanta é a dificuldade dele. na demo do SART mesmo, tentei várias vezes completar o desafio no estágio de lava (aquele de pegar boosts) no nível mais fácil e ainda não consegui. fico me perguntando como é possível completar nos outros níveis. esse jogo tem um visual infantil mas exige uma dedicação e paciência de um monge budista adulto.

AKA Shadow Geisel

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