Retina Desgastada
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24 de janeiro de 2014

"Nós Somos Eles e Eles São Nós"

dorklyz (originalmente publicado em http://www.dorkly.com/comic/58310/dayz-ed-and-confused)

DayZ ainda está em Early Access e conseguiu vender um milhão de cópias, em plena Holiday Sale do Steam. De pequena pérola semi-obscura criada por um funcionário da Bohemia em suas horas vagas para um fenômeno cultural sustentado por relatos de horror. Basicamente, a pedra fundamental sobre a qual se ergueu um novo, bem-sucedido e perturbador gênero: Mundo-Cão Online.

Tudo que é desprezado, bloqueado, proibido, criticado em jogos para múltiplos jogadores encontra seu lar debaixo do mesmo teto: um mundo aberto sem regras ou roteiro onde o mais forte sobrevive e o mais fraco vive em constante medo. É o triunfo do mito do huehuebrbr, sem fronteiras, aplaudido e rendendo milhões de dólares para os cofres dos desenvolvedores que abriram as porteiras do Inferno.

Um grupo de jogadores cerca um desavisado e lhe dá uma escolha: cantar para os bullies ou ser morto. Tudo devidamente documentado no YouTube, porque não seria engraçado se não fosse público. Outro grupo funda um "culto", que anda sem calças, carrega machados e se comporta de forma... estranha. Um jogador no Steam descreve o jogo como o único título onde é possível "correr seminu com um bastão de baseball, gritando 'LEEEEEROY JENKINS' e soltando canções-temas aleatórias de diversos filmes". Outro relata que foi amarrado, forçado a comer 5 maçãs podres, baleado na perna e largado na floresta. E pobre daquele que tentar uma aproximação mais cooperativa.

DayZ - Sequestro

DayZ não está sozinho. Pavimentado o caminho, outros vieram em sua esteira: o infame WarZ (renomeado para Infestation: Survivor Stories), 7 Days To Die, The Dead Linger. E Rust.

Rust tem o pedigree do criador do Garry's Mod, que é essencialmente uma sandbox em cima da Source Engine. Em sua nova sandbox, a Facepunch Studios resolveu levar a sério o seu nome e acrescentou diversas mecânicas para estimular a fina arte de tornar a vida de outro ser humano desagradável. A mais famosa análise do jogo descreve como um jogador construiu sua casa ao redor da casa de outro jogador, o transformou em seu prisioneiro e ficou alimentando-o com uma dieta de comida enlatada e maus-tratos. Traição, tortura, truculência e trollagem são a tônica do jogo. Ultrapassou DayZ como o mais vendido e o mais jogado.

Rust

Do paraíso prometido da "narrativa emergente", das histórias criadas pelos jogadores, brotam apenas sangrentos post-its do pesadelo. "É apenas um jogo", afinal.

Zumbis? A ameaça global que deveria unir todos em torno do mesmo propósito? Pouco vistos, raramente mencionados, irrelevantes. Não me espantaria de vê-los removidos totalmente em uma futura atualização ou em um próximo clone. A maior de todas as ameaças é o seu semelhante.

Mais de vinte anos depois da refilmagem de Noite dos Mortos-Vivos, alguém finalmente entendeu o recado do mestre Romero: zumbis são e sempre foram uma metáfora. Nós somos eles. E eles são nós.

Ouvindo: Blutengel - The End
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6 comentários:

Marcos disse...

acho que o sucesso do Rust mesmo o carregando a frustração dos outros jogos no estilo em relação a constante ameaça dos jogadores humanos é o fato disso ser mais estimulado, principalmente por que os itens em Rust são bem mais descartáveis que nos outros jogos

Gabriel disse...

Não consigo jogar esse tipo de jogo, pode me chamar de mocinha, mas não. Tipo não consigo fazer mal há alguém sendo que estou melhor que está pessoa ou então explorar ela, só porque ela começou a pouco, não num jogo pelo menos. E o que aprendi em 15 anos como jogador é que para salvar o mundo e ser o melhor, só se unindo com outros.

Gabriel disse...

Desculpe o double post, mas li um comentario interessante na tirinha e gostaria de compartilhar que diz realmente a situação do jogo:
"Tem tantas pessoas que se acham demais por serem uns babacas nesse tipo de jogo. Ser um babaca não é uma skill que deveriam se orgulhar"

Marcos A. S. Almeida disse...

Bom, por incrível que pareça , em Infestation eu presenciei apenas uma vez essa briga de grupos.Mas realmente eu percebi que é fundamental fazer parte de um.Cheguei a ser morto por uma outra pessoa , por conta de um respawn errado ,mas os meus maiores inimigos eram os zumbis e morria pra praticamente todos os que eu decidia enfrentar.
Até acho interessante essa dinâmica , pois é mais desafiador tentar sobreviver á outros e aos zumbis, mas essa mesma dinâmica me afasta deste tipo de jogo , pois não tenho interesse em participar de um grupo , o que significa praticamente um suicídio.Desativar o Player vs player seria uma ótima solução pra mim, mas com certeza desagradaria a muitos.

Vilas Boas disse...

E eu ainda não entendo como um jogo em acesso antecipado conseguiu ser Top de vendas no Holiday Sale onde com o preço absurdamente elevado!!

Marcos A. S. Almeida disse...

Vilas Boas, têm coisas que são inintendíveis.Entre outras coisas provadas , mostra que é possível ganhar dinheiro com jogos de PC.A pirataria atrapalha? Óbvio!Ela um dia acabará? Nunca!É possível conviver com ela e ainda assim lucrar? Claro! Então Marcos , "o esperto", nos diga o que fazer? Bem aí já não é problema meu.Até porque se eu soubesse a "fórmula mágica" estaria usando ela, não é mesmo? Mas á julgar pelos campeões de venda , não é necessáriamente o preço que define quem vende mais ou menos.
Falo em tom de brincadeira, mas a verdade é que o Steam é um fenômeno ainda pouco estudado , meio que um antídoto contra a pirataria.Mas infelizmente muitos "especialistas" não querem enxergar ou aceitar isso, seja lá por que motivo.

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