Retina Desgastada
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1 de dezembro de 2013

(não) Jogando: Incredipede

Incredipede é o jogo indie por definição: criado por apenas três pessoas a partir de uma ideia que jamais passaria pelo comitê de aprovação de uma empresa, cheio de charme e que certamente tem um lugar no coração de um nicho de pessoas. Pena que este nicho de pessoas também é chamado de "masoquistas", uma vez que é o primeiro jogo que eu me lembre que me provocou angústia quase física.

O casal Colin e Sarah Northway atravessou 12 países durante 4 anos, parando alguns meses em cada um deles enquanto desenvolviam a passos lentos o que seria sua bem-sucedida empreitada independente. No princípio, Incredipede tinha um visual bem... sem sal, para dizer o mínimo:

Incredipede - Começo

Através da Wikipédia, pesquisando sobre aranhas saltadoras, de alguma forma, Colin esbarrou no trabalho do artista Thomas Shahan, que nunca tinha participado de um jogo eletrônico na vida. Mas conseguiu transformar o protótipo nisto:

Incredipede - Final

Definitivamente, Shahan caiu do céu no projeto, porque a estética fantástica de sua arte casou com perfeição com a bizarrice do conceito de jogo do casal.

Em Incredipede você tem a infelicidade de controlar uma aberração da natureza formada de um olho e pernas/braços que vão te ensinar um novo conceito de sofrimento. Em 6o níveis, tudo o que você precisa fazer é ir do ponto A para o ponto B, em uma distância que geralmente ocupa uma única tela, e, às vezes, passando obrigatoriamente pelo ponto C. Não há inimigos. Não há limite de tempo. Tudo o que você precisa fazer é se locomover. E isto é a coisa mais frustrante já criada antes de CLOP.

Você controla na verdade cada conjunto de músculos nas mais inusitadas formas que o protagonista mudo pode assumir. Nem sempre seus membros se movem na direção que você acha que eles irão se mover, nem da forma que você gostaria. A cada nível, você precisa remapear estes comandos no seu cérebro e tentar decifrar a física da locomoção da criatura. É insano. É genial, à sua maneira. É divertido também, mas geralmente é insano e você vai dar risadas de profundo nervoso e xingar com todas as suas forças o pobre mutante. É como sentir coceira em um membro amputado, é como tentar correr em um pesadelo, é angústia traduzida na forma de um jogo bonito de se ver.

Incredipede

No princípio, meu filho e eu topamos o desafio. Rimos, gritamos, rimos mais ainda e passamos do primeiro mundo. No começo do segundo, já estávamos inquietos. No meio, eu já tinha certeza de que jamais veríamos o terceiro sem quebrar o teclado. Resolvemos que cada um cuidaria de um conjunto de músculos. Foi ainda mais engraçado, foi ainda mais impossível. Decidimos que eu tentaria sozinho. Não deu certo. De tempos em tempos, pulávamos para o próximo mapa, sem concluir o anterior. E então estávamos no final do segundo mundo, com metade dos mapas inacabados e sem coletar todos os itens. "Vamos ter que tentar de novo alguns mapas". Abrimos o primeiro que não tínhamos vencido. Ele carregou e demos um grito conjunto de "não, esse não". Trocamos de nível e foi a mesma coisa. E de novo. E de novo.

E de novo.

Ouvindo: Das Ich - Kain Und Abel
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Um comentário:

Gledson A. disse...

Caramba!

Que jogo é esse?! Exagero ou realidade?

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