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2 de novembro de 2013

Jogando: Left 4 Dead 2

Left4Dead2 Quando a sequência de Left 4 Dead foi anunciada na E3 de 2009, uma parte significativa dos jogadores não aprovou a ideia de um novo capítulo tão rápido. Um boicote chegou a ser organizado e, como acontece hoje em dia, um grupo no Steam foi formado. O L4D2 Boycott (NO-L4D2) chegou a reunir 10 mil membros no seu primeiro final de semana e 37 mil um mês depois. Entre as preocupações dos organizadores do boicote estavam a ambientação do novo jogo (todo à luz do dia, ao contrário do tom noturno do primeiro), a possibilidade de fragmentação da comunidade e o eventual abandono da Valve em relação ao jogo anterior.

Em uma jogada de mestre, a Valve convidou os líderes do movimento para jogar versões preliminares de Left 4 Dead 2 em seus escritórios. Um deles, arrecadou dinheiro para pagar seu voo da Austrália para a Valve. Gabe Newell se ofereceu para pagar a viagem do próprio bolso e o dinheiro arrecadado foi destinado à caridade. Dois meses depois de sua fundação, o L4D2 Boycott (NO-L4D2) foi desativado. Segundo Newell, a porcentagem de ex-membros do grupo que fez pre-order do jogo foi bem maior do que aqueles que nunca participaram do boicote...

Por que este preâmbulo? Por que o boicote estava certo.

Banho de Sangue

Reabrir esta ferida quatro anos depois é completamente irrelevante. Mas é impossível não lembrar do assunto enquanto mato centenas de zumbis no que parece ser uma reprise requentada das aventuras de Francis, Zoey, Bill e Louis. Há muito pouca novidade que justifique um título separado, vendido a preço cheio na época do seu lançamento. Hoje, com Left 4 Dead 2 atingindo valores ridículos em constantes promoções, pode parecer uma reclamação tola. Mas em 2009, não deve ter sido.

Left 4 Dead 2 traz novos cenários, focado na região Sul dos Estados Unidos. Mas os melhores mapas ficaram mesmo no primeiro jogo e longe se vai a escala épica de destruição alcançada anteriormente. Faltou tempo e empenho por parte dos designers ou a memória ainda está muito fresca? A troca da eterna noite dos mortos-vivos pela claridade ofuscante do dia esvaziou a tensão. Percebe-se na prática que há um motivo óbvio para a maioria dos filmes de terror ter seus melhores momentos na escuridão da noite. Há um medo atávico do escuro no coração do ser humano e não adianta muito teimar contra isso.

Katana Fumaça

Os novos protagonistas da série carecem do carisma dos protagonistas originais (que já não era tão alto assim, uma vez que enredo não é o forte da franquia). Na verdade, Nick, Ellis, Coach e Rochelle parecem encarar o apocalipse zumbi com uma atitude mais leve que os outros sobreviventes, suas conversas são menos assustadas e suas brigas internas praticamente inexistentes. Os novos antagonistas, por sua vez, pouco acrescentam à jogabilidade: três novos superinfectados (Spitter, Jockey e Charger) e alguns mortos-vivos diferenciados com impacto nulo (palhaço, mudder, policial, HAZMAT etc). Armas brancas também aparecem, assim como algumas novas armas de fogo, mas, mais uma vez, nada que altere a forma como se joga e não pudesse ter sido incluído em um Weapon Pack da vida.

Motosserra

Uma boa novidade do jogo é o clima, raramente influente em muitos jogos. De forma até surpreendente, a Valve entrega em alguns mapas uma tormenta de fazer inveja a São Pedro, capaz de inundar o terreno e dificultar a orientação em alguns momentos. Pena que o recurso é pouco aproveitado, aparecendo de forma tímida em algumas campanhas e sendo o foco apenas em Hard Rain. Um bom furacão e sua subsequente devastação poderiam ter tornado Left 4 Dead 2 único e um sinistro lembrete do Katrina, que arrasou parte do Sul dos Estados Unidos em 2005. Pior do que enfrentar a legião dos mortos-vivos, seria ter que enfrentá-la junto com a fúria dos elementos.

Alagados

No meu entendimento, o conteúdo de Left 4 Dead 2 poderia ter sido integrado ao primeiro jogo em forma de DLCs, até mesmo pagos, se fosse o caso, até chegarmos a uma versão Ultimate ou GOTY de Left 4 Dead. Mas o que temos hoje é o primeiro título se tornando obsoleto, com a comunidade migrando em peso para o novo título. Não por acaso, Left 4 Dead 2 também traz boa parte (se não todas) das campanhas anteriores, na companhia do quarteto original.

Uma vez que a Valve não demonstra ser capaz de contar até três, fica a dúvida: para onde vai a franquia agora? Que o verdadeiro Left 4 Dead 2, com uma nova engine, novos desafios e, talvez, uma história, se apresente.

Jockey

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Um comentário:

Artur Carsten disse...

O que a Valve fez com o primeiro L4D é algo bastante único e acho que nem eles conseguem explicar isso direito. É um dos raros casos que um jogo atinge total obsolência, pois comprar o L4D1 hoje é loucura, uma vez que TODO o seu conteúdo foi migrado para o L4D2.

Não só o clima do primeiro jogo era melhor, mas como todo o impacto causado pelo jogo à época me fizeram gostar mais dele. Eu aderi prontamente ao boicote de L4D2 mas logo logo consegui encontrar 3 amigos para rachar um 4-pack em pré-venda e acabei cedendo.

Não me arrependo. L4D2 é um ótimo jogo e digo que ele fez valer muito bem os 44 reais que eu paguei nele em pré-venda. Porém, é inegável que o jogo foi uma sequência completamente desnecessária (mas nem por isso ruim). Ainda assim, permanece aquela nostalgia pelo primeiro, que pra mim sempre será o melhor.

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