Retina Desgastada
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1 de outubro de 2013

Meta-Horror

Sexta-feira à noite. Você sozinho em sua casa, sentado no sofá. Um vento gélido sopra lá fora e balança o galho das árvores. Na tela da TV, um jogo de survival horror. Com os nervos já à flor da pele, você pode jurar que ouviu alguma coisa no quarto ao lado. Mas não deve ser nada. Não há mais ninguém na casa. Passos passam por trás do sofá, você se vira repentinamente e a sala está vazia. E então, algo estranho realmente acontece...

Após tantos títulos de horror que passaram por nossos monitores, televisores e salas de cinema, o cérebro vai criando uma camada extra de coragem, de insensibilidade até. Mesmo com os fones de ouvido grudados na cabeça, olhos fixos nas imagens e luzes apagadas, a imersão não é total. Um telefone que toca, uma conversa paralela com alguém no mesmo cômodo ou apenas o aliviante gesto de remover o fone, dar pausa e passar a mão pelos cabelos já rompem o frágil tecido daquele pesadelo.

Não com o Oculus Rift. O capacete de realidade virtual promete revolucionar a forma como jogamos. Mas, para muitos, ele pode revolucionar a forma como sentimos medo.

Em Alone, você vivencia a situação do primeiro parágrafo. Imobilizado em um sofá dentro de um ambiente virtual, você está jogando um jogo dentro de um jogo. E, sem aviso, as barreiras entre o que é mais ou menos real se rompem e você perde o fôlego. A proposta ainda é meio crua, porém é uma experiência bastante desconfortável, como narrada no vídeo abaixo durante um teste de jogabilidade (recomendo o uso de tela cheia e fone):

Alone está disponível gratuitamente no site oficial, embora a necessidade de um Oculus Rift deva torná-lo pouco popular por enquanto.

A tecnologia está em seus primeiros passos. Mas os resultados já prometem mesmo um novo tipo de horror.

Ouvindo: In The Nursery - Vocopolis

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4 comentários:

Marcos A. S. Almeida disse...

Ainda não tinha visto nenhum vídeo deste Oculus Rift e confesso que esperava mais, algo como um monstro horripilante á la Amnesia caminhando lentamente para o jogador imobilizado.Não sei quais são as limitações do sistema , mas espero que isto não seja a versão final. Seria presunção extrema afirmar que será um fracasso , mas como cético (cauteloso) vou aguardar.

Gledson A. disse...

Marcos, o jogo roda no próprio computador, o Oculus Rift é somente um acessório portanto ele não impõe uma limitação direta no desempenho do jogo.

Se der uma olhada nos comentários do vídeo perceberá que o jogo em si é só um conceito, os desenvolvedores tentarão fazer um Kickstarter para continuar o desenvolvimento.

Gledson A. disse...

Particularmente, vejo Oculus Rift como uma nova tendência. Fiquei ansioso para ter um!

Seria perfeito poder compartilhar o meu hobby favorito com meus familiares que não jogam, não com Alone precisamente mas com outros títulos que visam simplesmente elevar o nível de imersão no ambiente digital.

Shadow Geisel disse...

a ideia é boa mas parece ter sido executada de uma forma bem tosca. me lembrou aquela pegadinha do labirinto do mouse que aparece a cara da menina do Exorcista (nessa tentativa infantil de te distrair com uma coisa na tela pra te assustar com uma coisa no mundo "real"). e essa iluminação da casa virtual? aquela atmosfera deve ter sido idealizada por um executivo da Disney, de tão light.

acho que o melhor óculos de VR ainda continua sendo a nossa própria imaginação. quando li o primeiro parágrafo do texto me lembrei de quando jogava Alone in the Dark, de Psone em um emulador de PC (começa com C e termina com VGS).

Eu jogava quando todo mundo da casa já tinha ido dormir, na completa escuridão, exceto pela (pouca) luz que vinha do jogo. perdido em uma labiríntica mansão, lotada de inimigos que não paravam de reaparecer e me deixando cada vez com menos recursos e munição. no meu quarto n tinha porta, e às vezes eu tinha a sensação de que algo de dentro da densa escuridão do corredor da minha casa me fitava pacientemente, esperando para soltar uma gargalhada de escárnio e pilhéria diante do meu fracasso virtual que, certamente, seria um reflexo do que me aguardava no terror do mundo real.

P.S: n sei se consegui fazer tão bonito quanto vc mas a história é verídica. tomara que a ideia seja lapidada e gere bons frutos.

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