Retina Desgastada
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10 de setembro de 2013

Os Pergaminhos Perdidos

TES Anthology

Com muito luxo e fanfarra, a Bethesda lançou hoje a The Elder Scrolls Anthology. Trata-se de um box que supostamente compila tudo que já foi lançado no universo de The Elder Scrolls: Arena, Daggerfall, Morrowind, Oblivion e Skyrim, com suas respectivas expansões e 5 mapas físicos, das regiões de Tamriel, Iliac Bay, Morrowind, Cyrodiil e Skyrim. Ignore que tanto Arena quanto Daggerfall estão disponíveis para download de graça neste momento. Ou que a caixa não contem as magníficas trilhas sonoras dos jogos. O problema é que estão faltando alguns pergaminhos aí...

Embora a caixa de 80 dólares (mais impostos) contemple a série principal, a Bethesda parece não ter mais qualquer interesse em seus derivados.

An Elder Scrolls Legend: Battlespire

Battlespire Em 1997, logo após o lançamento de Daggerfall, segundo capítulo da série The Elder Scrolls, a Bethesda se viu diante de uma mina de ouro. A série tinha conquistado o grande público e a empresa sentiu a necessidade de reduzir o intervalo de desenvolvimento entre os títulos e lançar com mais frequência. A desenvolvedora começou três projetos simultâneos: Morrowind, Battlespire e Redguard.

Battlespire nasceu como uma expansão de Daggerfall e inicialmente iria se chamar Dungeon of Daggerfall: Battlespire. A expansão iria se focar apenas na exploração de calabouços e na batalha contra monstros.

Battlespire - Enemy

Mas a Bethesda se deu conta de que seus planos para Morrowind eram grandiosos demais. Outras empresas teriam matado Battlespire e Redguard e concentrado seus esforços e equipe no jogo da série principal. Eles fizeram o contrário: colocaram Morrowind na geladeira, de onde só chegaria às prateleiras cinco anos depois e redistribuíram o time nos jogos derivados. Com os reforços, Battlespire ganhou corpo, história, personagens, dublagem, viagens por outras dimensões e se tornou um título independente de Daggerfall. Battlespire é até hoje o único título do universo The Elder Scrolls com suporte para multiplayer.

O lugar que dá nome ao jogo é uma academia de magos do Império situada no coração do Oblivion. Com as comunicações interrompidas, uma agente é enviada para investigar o que aconteceu. Uma vez que a agente não retorna da missão, eles mandam você para tentar entender o que aconteceu. Em Battlespire, todos os magos foram assassinados e o lugar está repleto de Daedras. Aprisionado, sem chance de retornar, cabe ao jogador descobrir o que levou a esta carnificina, o que aconteceu com a agente que foi enviada antes e como fazer para voltar para Tamriel. Em seu caminho, Mehrunes Dagon, um dos Príncipes dos Daedra, aquele que já tentou invadir Tamriel tantas vezes e foi o antagonista de The Elder Scrolls IV: Oblivion.

Battlespire - Death

Battlespire não oferecia lojas nem moedas para o jogador, nem um sistema para descansar. Mas tinha multiplayer cooperativo que permitia seguir a história principal com um amigo, assim como um mata-mata baseado em times.

The Elder Scrolls Adventures: Redguard

Redguard Em 1998, a Bethesda colocava no mercado o segundo título de sua ofensiva pós-Daggerfall. Redguard pode ser considerado como um Knights of the Old Republic em relação ao resto da série, uma vez que é ambientado 400 anos antes da cronologia oficial. Inspirado em títulos como Prince of Persia ou Tomb Raider, a empresa queria lançar uma série (The Elder Scrolls Adventures) onde o RPG daria lugar a um título de ação e aventura. Pela primeira e única vez na série, o jogador não poderia criar seu próprio personagem, sendo obrigado a usar "Cyrus the Redguard", uma experiência que não seria bem recebida muitos anos depois em Dragon Age 2...

Desta vez, também não há um mundo aberto para se explorar, mas um roteiro fixo de eventos. Sai também a opcional visão em primeira pessoa e a câmera fica fixa no modo de terceira pessoa. A receita de Lara Croft estava sendo seguida à risca pela Bethesda nesta série derivada.

Na trama, o Imperador Tiber Septim acabou de conquistar Hammerfell, graças à traição de alguns dos Redguards. Os poucos sobreviventes estão desaparecidos. Entre eles, está Iszara, irmã do protagonista, um Redguard que abandonou seu lar dez anos atrás para levar a vida de mercenário. Cyrus retorna para sua terra, conquistada e dividida, para encontrar sua irmã e acertar algumas contas.

Redguard Redguard

Imagina-se que o título não tenha tido a recepção que a Bethesda esperava e a franquia The Elder Scrolls Adventures jamais teve um novo jogo.

The Elder Scrolls Travels

Mas a Bethesda não desistiu da ideia de gerar uma segunda série em cima do universo que havia criado. Em 2003, nascia a franquia derivada The Elder Scrolls Travels. Com quatro jogos lançados em um intervalo de 3 anos, parecia que desta vez a desenvolvedora tinha conseguido. Exceto por escolher a plataforma errada.

Se você nunca ouviu falar da série é porque ela foi lançada para celulares dotados de plataforma Java, em um momento em que a plataforma ainda engatinhava em seu alcance, ou para o extinto N-Gage, o portátil da Nokia. O quarto título foi anunciado para o PSP, mas já era tarde demais para salvar o projeto e ele nunca foi lançado no portátil da Sony.

Stormhold Dawnstar Shadowkey

De positivo, a série cumpria o objetivo da palavra "Travels" ("Viagens") e contemplava lugares em Tamriel que ainda não tinham recebido um foco na série principal. The Elder Scrolls Travels: Stormhold se passava na prisão de Stormhold, em Black Marsh. The Elder Scrolls Travels: Dawnstar era ambientado em um posto avançado em Dawnstar, no Reino de Skyrim, assolado por ataques de tribos bárbaras. The Elder Scrolls Travels: Shadowkey (exclusivo para o N-Gage!) viajava por Hammerfell, Skyrim e High Rock na busca pelas Shadowkeys. O derradeiro jogo, The Elder Scrolls Travels: Oblivion, era uma versão simplificada de The Elder Scrolls IV: Oblivion, para PC e consoles.

Elder Scrolls Travels - Shadowkey

Com a explosão recente de títulos para dispositivos Android, tablets e outras plataformas portáteis, onde até o independente Ouya encontra seu espaço, não seria talvez o melhor momento para uma nova tentativa da Bethesda?

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4 comentários:

Gledson A. disse...

Bem que ela poderia tentar, seria algo bem vindo. Melhor do que aquele "projeto de jogo" que estão fazendo (The Elder Scrolls Online) que mais parece uma cópia de Kingdoms of Amalur do que TES e que, ainda por cima, é pago.

Mas, voltando ao post, aquela imagem de TES Adventures Red Guard é de um anão??? Com toda essa tecnologia, só pode ser um, ainda mais com esse mapa do planeta no teto.

Fico imaginando se eles já foram devidamente retratados em algum jogo do TES e se algum fato sobre o desaparecimento deles já foi revelado...

Marcos A. S. Almeida disse...

Aquino , a diferença é que antes ela perseguia os milhões - ótimo estímulo á criatividade - hoje ela está sentada sobre eles...

C. Aquino disse...

Que olho clínico, Gledson! Sim, na ilustração temos um Dwemer Astrônomo, conforme a legenda nesta página: http://www.uesp.net/wiki/Lore:Dwemer.

Quanto ao The Elder Scrolls Online, acredito que ele irá se tornar gratuito um ano depois do lançamento. Se ele será bom, aí já são outros quinhentos... Da minha parte, não estou nem um pouco empolgado. Os trailers em CGI são magníficos, mas isso não significa qualidade. O gameplay me pareceu insosso demais para um MMO e descaracterizado de um TES. Quando ficar F2P, eu testo.

Marcos, essa é uma grande verdade...

Ed R M disse...

Ótimo comentário, Marcos. Pra mim, depois do Morrowind, a criatividade foi ladeira a baixo na Bethesda Game Studios.

Claro que estou sendo hiperbólico, e Oblivion, FO3 e Skyrim ainda assim são games bacanas com os quais me diverti em maior ou menor grau, mas em relação à qualidade, digamos, artística, e criatividade mesmo de RPG, o Morrowind foi o ápice para mim.

OBS>: Não mencionei o New Vegas (o meu xodó ;-) ) porque ele foi de fato criado pela Obsidian e distribuído pela Bethesda.

Sabe, meu lado de ex-jogador do WoW (até a próxima expansão, provavelmente :-P ) ficou interessado no MMO, mais pelo lore possível de se ter no game do que qualquer coisa. Só não entendi o comentário do Aquino sobre gameplay insosso (?). Talvez eu tenha me acostumado demais com o WoW, mais prefiro um gameplay mais "lento" em um MMO, tendo todos os ícones das minhas abilidades disponíveis para clicar a qualquer momento (o que também é mais amigável para altas latências) do aquele aquele festival insano de combos a se memorizar que é, por exemplo, o DCU Online. Eu fico confuso e acabo não desempenhando o máximo com meu personagem. Me sinto mais em um MMO Brawler do que em um MMO RPG. Deve ser a idade :D

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