Retina Desgastada
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30 de setembro de 2013

Jogando: Batman - Arkham City (Conclusão)

Concluí minha jornada por Arkham City com uma profecia. Azrael, a figura misteriosa que vigia Batman, fala sobre fogo, destruição e como o Cavaleiro das Trevas será aquele que fechará os portões do Inferno. Foi a última missão que estava disposto a completar. Uma conclusão macabra para um título repleto de presságios, tragédia e morte.

Arkham City

Se a Rocksteady Studios estava testando o terreno com Batman - Arkham Asylum, aqui ela está à vontade para criar uma história do Batman e do Coringa que entra para o rol dos grandes conflitos dos eternos rivais. O final do embate é de arrepiar e a cena no meio dos créditos sintetiza esta estranha simbiose. O Morcego completa o Palhaço e o Palhaço completa o Morcego. Caim e Abel em um paraíso perdido. E uma desenvolvedora de jogos, que já havia provado ser capaz de compilar décadas de referência em uma única obra, provou que tem talento de sobra para forjar sua própria lenda para ser contada em volta da fogueira.

Coringa

A princípio, acreditei que o tema central do jogo seria o embate com Hugo Strange. O vilão frio e calculista parece ser o perfeito antagonista, pura lógica científica sem um traço de emocional, um Batman genocida com uma visão perturbadora sobre como lidar com o problema da criminalidade. E quando seu plano, o anunciado Protocolo 10, é colocado em prática, eu junto os pontos e vejo que é um plano tolo de histórias em quadrinhos que não resiste a dois minutos de raciocínio. Não por acaso, o nosso herói gasta boa parte do seu tempo em Arkham City tentando enrolar o novelo esticado pelo Coringa. Não por acaso, o Protocolo 10 só recebe a devida atenção quando ativado. Não por acaso, a história prossegue quando Strange é derrotado.

O palco é do Coringa e o que ele representa. Strange, Protocolo 10 e os demais são coadjuvantes.

Coringa

Felizmente, as tramas paralelas ao enredo central sossegam bastante depois do início do jogo. É a Rocksteady apresentando todas suas armas no começo, mas depois habilmente movendo os holofotes para o conflito principal. Há tempo para resolver todas as pontas soltas depois. E, neste quesito, Zsasz tem a melhor das missões secundárias, um doentio jogo de gato e rato que culmina com o vilão humilhado. Quase dá para sentir pena do serial killer: ele também é uma vítima de si mesmo.

Não satisfeita com o que já seria perfeito, a Rocksteady traz a Mulher-Gato e ela funciona como um outro jogo dentro de Arkham City. Se ela sai de cena logo no começo, para só retornar mais para o final, também é porque o foco está no duelo Batman x Coringa. Mas eu compraria fácil um título baseado na ambígua personagem, dedicado à ação furtiva e roubos ousados. Fiz questão de recuperar todo o saque da felina antes mesmo de encerrar minha jornada com o verdadeiro herói do jogo.

Mulher-Gato

Como avaliei na minha primeira análise, Arkham City é mais fácil que seu antecessor. Não posso dizer se os enigmas do Charada estão mais complexos, uma vez que não tive paciência para eles antes e tampouco tive agora. Mas todo o resto da jogabilidade está mais tranquila. Apesar de adicionar novos tipos de inimigos nos combates corpo a corpo, Batman agora conta com tantos truques na manga que é capaz de agradar qualquer tipo de jogador. Havia apetrechos e combos do herói que eu quase nunca usei. O decifrador criptográfico virou um brinquedo, quando era uma fonte de irritação em Arkham Asylum. As sequências alucinógenas do Espantalho reaparecem na forma de confrontos com outros vilões, porém também são menos desafiadoras.

Em defesa da Rocksteady, posso dizer que fiquei com a impressão de que eles apenas corrigiram o que não estava funcionando muito bem em Arkham Asylum e não que estavam tentando baixar o nível da dificuldade. E a principal evolução é justamente o aumento de opções ao alcance do Batman. A jogabilidade de Arkham City pode ser resumida em uma palavra: "liberdade". Você decide como e quando vai derrubar a maioria dos seus inimigos, dentro de um amplo leque. Existem 12 táticas diferentes para você neutralizar o Sr. Frio, por exemplo. Você é livre para executar as missões secundárias na ordem e na forma que quiser. Você também é livre para ignorar o enredo principal, se for sua vontade, embora seja uma clara afronta ao trabalho excepcional dos roteiristas.

E Arkham City vive. Sua geografia se altera com o desenrolar dos eventos. Histórias múltiplas estão sempre sendo capturadas pelos ouvidos curiosos de Batman. Uma delas envolve a mãe de um bandido e um baile de formatura, começa de forma cômica e tem uma terrível reviravolta no final. Assim como Deus Ex e Mass Effect, vale a pena simplesmente parar e ouvir as vozes da cidade. Há algo sendo contado também em cartazes, jornais velhos ou lugares abandonados. Apesar de ser um mundo aberto fisicamente pequeno se comparado com seus irmãos na indústria dos jogos, ele é psicologicamente vasto e opressor. O Museu controlado pelo Pinguim e suas peças em exibição poderiam muito bem fazer parte de um jogo de survival horror.

Pinguim?

Depois dos acontecimentos de Arkham City, para onde vai o Homem-Morcego? Quando será cumprida a profecia de Azrael? Enquanto a Rocksteady se afasta da franquia rumo a um destino ignorado, o próximo jogo do Batman irá contar uma história que se passa antes de Arkham Asylum.

Os atores saem do palco. A cortina desce. O mistério permanece.

Coringa

Ouvindo: The Donnas - When The Show Is Over

7 comentários:

Ed R M disse...

Jogaço com "J" maísculo.

Pena que você resolveu ignorar os desafios do Charada, pois a cada determinado número de enigmas resolvidos, você precisa salvar uma vítima no melhor estilo Batman de ser, e no final você enfrenta o vilão em pessoa em sua própria armadilha, em um momento sensacional que consegue ser tão (ou mais) bacana que o acerto de contas com o ZsasZ.

Eder R M disse...

Ah, você conseguiu descobrir o segredo da Arlequina e ouvir a música que ela canta no final? Se não, procure no youtube, pois é mais uma possível pista pro futuro (além do Azrael).

Gledson A. disse...

Ótimo jogo!

Só tenho mais uma coisa a dizer:


(SPOILERS!!!)








"[...]Do you want to know something funny?

Even after everything you've done, I would have saved you."








(SPOILERS!!!)

Shadow Geisel disse...

concordo. os desafios do Charada são muito divertidos, principalmente o final deles.

Shadow Geisel disse...

Aquino, desculpa pelo off topic mas preciso desabafar: eu escrevi um post sobre a demo de Beyond Two Souls. Acredita que apareceu um sujeito me acusando de ter plagiado o texto dele? eu morro e não vejo tudo...

Ed R M disse...

Grande momento do game: a referência do Coringa ao final de Lost ("How come it all ended on a church?") :D

fmrbass disse...

Maldito Aquino que me fez ficar com vontade de jogar esse jogo de tanto que falou/elogiou/postou screenshots dele.

"Só" falta uma máquina decente pra isso, já que nem Sine Mora rodou na minha.

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