Retina Desgastada
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4 de agosto de 2013

Jogando: Dark Crusade

Wallpaper dos Necrons

Eu posso dizer que a série Dawn of War reacendeu minha vontade de jogar títulos de estratégia, depois de quase uma década achando que Age of Empires era o único representante em cima do qual todo o gênero deveria se pautar. Ledo engando. A guerra sem fim de Warhammer 40,000 me engajou a um ponto de virar tag por aqui e me fazer comprar livros sobre seu universo.

Dark Crusade é a segunda expansão do jogo original e, assim como Winter Assault, roda sozinho e sua história não é influenciada por eventos anteriores. Aliás, história é algo que faz falta em Dark Crusade, mas eu chego lá.

Os Necrons estão chegando!

Esta expansão tem os Necrons como personagens em destaque, mas você pode escolher qualquer uma das sete raças presentes para controlar durante a campanha: Tau (inéditos na franquia até este jogo), Space Marines (com os Blood Ravens, protagonistas do título original), Imperial Army (controláveis em Winter Assault), Eldar (também controláveis em Winter Assault), Chaos Space Marines (também controláveis em Winter Assault), Orks (a quarta raça  controlável de Winter Assault) e os tais Necrons, que aparecem como chefe final na expansão anterior. Com sete possibilidades diferentes de campanha, cada raça com suas próprias unidades, peculiaridades e territórios iniciais, você pode imaginar o fator replay que existe aqui.

Tela inicial

Infelizmente, essa liberdade dada ao jogador se reflete no enredo: ele basicamente não existe. As sete facções estão disputando ao mesmo tempo o planeta Kronus, lar ancestral dos Necrons. Não sou profundo conhecedor das engrenagens de Warhammer 40K, mas ter sete poderes no mesmo lugar ao mesmo tempo em conflito me parece um peso muito grande para jogar nas costas da coincidência. Como seria impossível do ponto de vista técnico criar sete linhas narrativas simultâneas, com suas próprias cutscenes elaboradas e reviravoltas, Dawn of War economiza em personagens, diálogos e cenas. Depois de tanto tempo defendendo com unhas e dentes que jogos de estratégia não eram um lugar para se contar histórias, me surpreendi sentindo falta de uma nesta expansão. Certamente, Winter Assault e o primeiro jogo me deixaram mal acostumado.

Se você jogou o modo Skirmish de qualquer um dos dois jogos anteriores, você tem a noção exata do que o espera na campanha de Dark Crusade: mapas simétricos, inimigos começando com quase o mesmo que você e batalhas curtas. Para um jogo que se propõe a mostrar o titânico embate de sete forças, é estranho que você não veja mais de duas facções no mapa simultaneamente, algo que sempre foi possível de se habilitar no modo Skirmish. Com uma épica exceção, que eu não vou dizer qual é, para não estragar a surpresa. Mas a exceção está ali apenas para mostrar a falha de forma ainda mais palpável: por que todo o jogo não poderia ter sido desta forma?

Mapa da Campanha

Como se fosse um metajogo, a Campanha oferece um mapa geral do planeta, com a posição de suas tropas e das tropas inimigas. Esta interface funciona como uma visão estratégica mais ampla, permitindo que você desloque reforços ou escolha alvos pela proximidade geográfica. As opções ainda são um pouco limitadas, mas esta dinâmica de guerra contínua mapa a mapa era algo com que eu sonhava desde os tempos em que criava meus próprios cenários no editor de Age of Empires.

Equação Anti-Vida

Como todo bom devoto do Imperador, iniciei minha campanha com os Space Marines. Sua bravura e sua bravata não tem similar no universo de Warhammer 40K. Com o fanatismo no máximo, fui à luta.

E fui massacrado.

De alguma forma, ou eu havia desaprendido a jogar Dawn of War no espaço de menos de um ano, ou Dark Crusade é mais cruel do que os jogos anteriores. Meus primeiros embates com os Tau resultaram em massacre. Minha única luta contra os Necrons terminou em aniquilação. Até o Imperial Army estava dançando em minha tumba.

Engoli o meu orgulho e recomecei o jogo no modo Easy. Minha experiência prévia com o modo Skirmish indicava que o computador joga pesado quando não tem que obedecer a um roteiro prévio.

E fui massacrado.

Cheguei a pensar em desinstalar o jogo. A bradar em alto e bom som que a Relic havia criado uma expansão que descartava a história em prol de uma dificuldade hardcore. Estava prestes a declarar que o jogo não era feito para mim.

E então, deu-se minha corrupção.

As máquinas avançam

Movido pela curiosidade e pela insatisfação, testei uma batalha no modo Skirmish com facções aleatórias. O computador escolheu os Necrons para mim. E tudo mudou. Pela primeira vez em Dark Crusade, estava sentindo o poder de uma avalanche de destruição na ponta dos meus dedos. Que o Imperador perdoe minha alma, mas os Necrons eram perfeitos.

Minha estratégia principal em títulos do gênero é fortificar minha posição e lentamente construir uma máquina de guerra, para, só então, soltar a derrota e o sofrimento sobre meus inimigos. Quis o destino que esta também seja a estratégia mortal dos Necrons. Suas unidades se movem de forma muito lenta pelo cenário, sua construção de tecnologia demora, para controlá-los o jogador precisa se fazer valer de muita paciência, algo que tenho de sobra. Nada de zerg rush para mim, mas "devagar e sempre". As regras de Warhammer 40K equilibram a falta de mobilidade dos Necrons com uma resistência ímpar e um poder de fogo medonho. Em duas batalhas, eu já tinha traçado a técnica definitiva para a vitória.

Mais um inimigo derrotado...

Sem brados de guerra ou frases de efeito, os Necrons são uma fria e muda massa de máquinas-zumbi devotadas à extinguir toda a vida. Com pesados laços com poderes macabros, como não poderia deixar de ser neste universo de ficção-científica tão sombrio. Vê-los avançando pelos mapas com sua carapaça metálica e a energia verde pulsante de suas armas é uma visão de pesadelos. Exceto que eu estou no comando. Quando o Monolith dos Necrons é despertado, se torna impossível a vitória do inimigo: é a unidade mais lenta dos robôs, mas também a mais poderosa de todo o jogo, com disparos que provocam detonações quase nucleares.

Space Marines... nunca mais

Em toda a Campanha com os Necrons, sofri uma única derrota, motivada pelo meu excesso de confiança. De resto, meus oponentes pereceram debaixo do aço milenar de pés robóticos. O Nightbringer chegou.

Ouvindo: Diablo 3 - Bastion's Keep
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6 comentários:

Ed R M disse...

Os únicos games de estratégia que joguei "de verdade" (até o final) foram os Starcraft 1 e 2, mais por serem games da Blizzard do que qualquer outra coisa.

E os dois são bem carregados na história, ainda que daquele método esperado: diálogos e cutscenes.

O que acho ótimo, pois jogos single-player com quase nenhuma história não me atraem mto (com algumas exceções, claro).

Até porquer, acho que qualquer meio em qualquer tipo de arte pode servir para se contar uma história, por mais incidental que ela possa parecer.

Enfim, vou ficar com o seu relato do game como minha experiência com ele, porque provavelmente jamais irei jogá-lo mesmo. :P

Planets Movies disse...

Olá.. estou começando um canal de animações cartoon no youtube, e fiz um vídeo com personagens do starcraft.

Ficaria eternamente grato se você pudesse divulgar no blog, caso goste! Meu trabalho é sério e também seria um estímulo saber que o pessoal está gostando.

http://www.youtube.com/watch?v=gcZH4Ex22Os

Abraço e obrigado pela atenção!

Fagner P. disse...

Saudades de Dawn of War... Joguei muito! Talvez um dos titulos de RTS que mais joguei na minha vida, e olha que o gênero é meu favorito!

Não sei se tenho o Dark Crusade no Steam... Mas poderíamos marcar de jogar Dawn of War multiplayer um dia, nem que seja o puro, hein? heheheh

Edgar Menezes disse...

Parece bom esse game, vou tentar!

Anderson disse...

Tbm fui de necrons, mesmo sabendo q a campanha canonica não era deles.

Quando resolvi jogar algum tempo depois com outras facções tbm tive essa sensação de ter desaprendido.

Acho q a unica unidade q supera o Monolith em poder de destruição é o Baneblade da Imperial Guard, aquilo varre o mapa sem precisa de ajuda das outras unidades

Rodrigo Miranda Silveira disse...

Para mim nenhuma força supera os ataques coordenados de longa distância de Tau Empire. Você derrota meio mundo de inimigos sem nem encostar neles.

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