Retina Desgastada
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2 de maio de 2013

(não) Jogando: Wizorb

Wizorb

O meu celular atual foi o meu primeiro celular com joguinho. É um Motorola ancião do qual não consigo me livrar, mas veio com um passatempo interessante. Monocromático, é um jogo que lembra Pong, onde você controla uma barrinha na parte de baixo que rebate uma bolinha para cima para quebrar blocos. Tenho certeza de que existe um nome para este tipo de jogabilidade. Apesar de simples ou por ser simples, ele me salvou do tédio em filas de banco e salas de espera. Nunca fui além do sexto ou sétimo nível, não apenas porque o casual se transforma em um infernal exercício de concentração e reflexo mas também porque minha hora chegava.

Meu primeiro erro foi acreditar que meu filho poderia ter algum interesse em algo baseado em calcular ricochetes e em agilidade. Meu segundo erro foi acreditar que eu poderia curtir este gênero em um jogo completo.

Wizorb é uma boa tentativa de dourar a pílula, com uma historinha meia boca, gráficos retrô que lembram a geração DOS, música viciante e power-ups. Teoricamente, você encarna um feiticeiro que precisa livrar o reino de um terrível mal. Tem até vila de aldeões e mapa para andar, mas depois que o jogo engrena (meros minutos depois da abertura), o que você irá fazer em 99% do tempo é rebater bolinha pra cima. Mesmo os power-ups não são de muita valia se lhe falta jeito para manter a bola (ou Orb) na tela.

Wizorb 02

Coloquei meu filho em frente do teclado e expliquei a mecânica. Não há muito o que entender. Mas o pequeno prodígio dos jogos de plataforma teve dificuldades em movimentar a barrinha e não se animou para continuar tentando. O que não significa que sua curiosidade infantil não desejasse ver o pai jogando e acertando os ocasionais monstros que apareciam em cena. Algo que deveria ter sido um jogo para ele, ou pelo menos dividido, se tornou um desafio para mim.

Tardiamente, percebi que o que funciona por dez minutos se torna entediante depois de quinze, vinte minutos. Isso se refletia no meu filho indo para o sofá ver desenho ou sumindo no quarto para brincar. Wizorb tem várias fases diferentes, cada uma com DOZE níveis e, somente ao final de cada fase, aparecia um chefe final mais eletrizante. Pressuponho que não seja mesmo interessante observar a trajetória de uma bola que quica. Se daqui a vinte anos, ele se tornar fã de tênis, arranjar ingressos para um torneio e me chamar, irei jogar isso na cara dele.

Wizorb 03

Como minhas habilidades não são isso tudo também, gastava todo meu dinheiro comprando "continues". Wizorb se tornou uma obsessiva busca pelo próximo chefe, pela próxima fase, com urros de frustração a cada queda de bolinha (traduzindo, a cada quatro minutos). Não comprava mais poderes novos para economizar dinheiro. O garoto já reclamava quando eu carregava o título e dizia: "só uma fase, pra gente avançar, depois eu coloco outro jogo!". Tinha medo do que poderia acontecer se não tivesse mais moedas para pagar para continuar. Até que aconteceu: no décimo nível da quarta fase, o dinheiro acabou, a bola caiu e o jogo voltou para o nível um da fase. Com quatro horas marcadas no Steam, caiu também a ficha: não foram as melhores horas divididas entre pai e filho dos últimos meses. Desisti depois de ter alcançado o mapa 46 de 60, sem arrependimentos.

Isso significa que Wizorb é um jogo ruim? Longe disso. Para o que ele se propõe ele é perfeito! Era o jogo que eu queria que meu celular jurássico tivesse. Mas no PC? Com tantas outras opções? Sem chance. Adeus, bolinha.

Ouvindo: The Cure - A Forest

6 comentários:

Jimmy Fischer disse...

Comprei esse jogo após ter visto sobre ele em alguma matéria aqui.
Gosto dessa jogabilidade em estilo arkanoid, mas o joguinho peca porque voce mais erra pela dificuldade em controlar a plataforma do que pela dificuldade do jogo em si.
Pra quem já jogou DX BALL e outros desse estilo esse aí passa desapercebido... os elementos(elementos?) de RPG e graficos retrô não melhoram em nada a jogabilidade ruim.

Jimmy Fischer disse...

reitero:Esse tipo de jogabilidade se chama "arkanoid", devido ao primeiro jogo que utilizou esse estilo, que é diferente da jogabilidade do Pong.

C. Aquino disse...

Valeu por matar a charada, Jimmy! Fico mais feliz também em saber que eu não sou tão ruim assim e que o jogo é difícil de controlar mesmo... A primeira (e única) vez em que o Wizorb apareceu por aqui foi na promoção dos quatro anos, quando ele era um dos títulos do vídeo onde se tinha que adivinhar o nome do jogo!

Gledson A. disse...

Super off-topic: É impressão minha ou os preços de Skyrim e Dishonored baixaram para 59,99??

Peço desculpas por postar isso logo aqui, Aquino; é que não achei lugar específico no blog e você não tem entrado na steam já faz alguns dias...

C. Aquino disse...

Baixaram recentemente, sim. Finalmente, vale dizer.

Fiquei 3 dias sem internet por causa de um cabo rompido na garagem!

Raphael AirnMusic disse...

Poxa, eu também vi esse jogo no desafio do blog de 4 anos e acabei comprando numa promo de fim de ano.

Realmente o controle da plataforma é complicado, especialmente quando a bolinha começa a rebater mais rapidamente. Mas como sou um viciado em jogos desse tipo arkanoid, eu continuo me esforçando de tempos em tempos pra fechar esse haha

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Blog criado e mantido por C. Aquino

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