Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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15 de abril de 2013

O Evangelho Segundo Shepard

Eu sou o tempo eterno, o destruidor dos mundos; eu destruo qualquer nação; de todos os guerreiros que aqui contemplas, não sobreviverá um só.

Bhagavad Gita, Canto 11 versículo 32

Desde que meu filho nasceu, uma série de mudanças se processou dentro de minha cabeça. Não há nada como a responsabilidade paterna para amadurecer um ser humano dez anos em poucos meses. Uma destas alterações foi a percepção da Morte. Não seria exagerado afirmar que até determinado ponto de nossas vidas nos julgamos imortais, com o futuro infinito à nossa frente. Este destemor, esta ousadia faz parte do desenvolvimento e acredito que seja um dos motores de nossa busca por conhecimento e experiências durante a juventude, uma certeza da infalibilidade. Até o dia em que tudo muda e você percebe que irá morrer. Em um amanhã ainda distante, mas inexoravelmente. A racionalidade da questão é inequívoca: tudo que você é, tudo que você pensa, irá cessar em algum momento.

Pesadelo

O que nos leva a Mass Effect 3, de uma forma única, pessoal, mas que espero que não seja intransferível. Por que acredito que a saga de Shepard diz mais sobre vida, morte, renovação, segundas chances, legado, alma, guerra, paz, tolerância, diversidade e coragem do que boa parte das religiões modernas. Infelizmente, há spoilers à frente e até uma citação a Lost. Para uma versão sem spoilers, acesse aqui.

Samsara

Costuma-se dizer que a Bioware mirou em um público mais amplo ao deixar de lado diversos elementos de RPG da franquia no último jogo e se focar em combates frenéticos e violentos. Um dos únicos personagens realmente novos a ser integrado ao grupo de Shepard é um truculento fuzileiro de roupa colada no corpo e mentalidade hardcore. Não há mais mini-jogos de hacking, a administração de armas e atributos está mais simplificada ainda, os confrontos mais constantes e dinâmicos, com novas táticas introduzidas no campo de batalha. Trocas de tiros entre naves espaciais colossais são freqüentes.

Esqueçamos tudo isso. Isso é o chamariz, uma exigência de mercado para uma plateia interessada em headshots e multiplayer. Por baixo do verniz, há simbologia o suficiente para encher um livro e uma profundidade que o conecta mais com a série clássica de Star Trek do que com seu hiperbólico remake.

Por que se você prestar atenção no enredo e em suas nuances, não há como negar que os roteiristas estão preocupados com questões mais relevantes do que o calibre da sua shotgun.

Há uma ameaça irrevogável pairando no horizonte, uma ameaça a qual nenhuma civilização sobreviveu até hoje, em toda a história do universo. Não importa o seu nível de tecnologia, sua sofisticação cultural, suas realizações ou planos. Os Reapers estão aqui. A metáfora é escancarada: o inimigo tem seu nome tirado do termo inglês Grim Reaper, a Morte encapuçada de foice na mão. Reaper é literalmente o Ceifador. Até o presente momento, insuperável. Mas, mesmo eles, estão presos a um método, a uma função cósmica: da destruição provocada, renasce a vida inteligente. Espécies são aniquiladas, outras ascendem. Um legado de conhecimento é passado para frente: um conjunto de ideias e tecnologias que pode (ou não) vencer os Reapers em um futuro hipotético.

E os Reapers estão cientes de seu papel. Por baixo de todo o horror perpetrado, há uma lógica. O alienígena derrubado em Rannoch conversa com Shepard e declara que o Ciclo é eterno. Vida e morte permanentemente atadas em um universo mecânico além do Bem e do Mal.

Reaper

Porém, mesmo ciente da inevitabilidade, Shepard não se entrega. Ele luta para provar que é possível romper o ciclo. Não por acaso, a Bioware criou um protagonista cujo nome é cognato de "shepherd", pastor em inglês, um termo com fortes implicações religiosas no Cristianismo. Não por acaso, é um personagem que retorna da morte triunfante com a missão de salvar os outros seres vivos. Seu caráter messiânico é explícito, embora ele não professe qualquer religião. Suas crenças são questionadas uma única vez no primeiro jogo, para nunca mais serem mencionadas. Não por acaso, sua última missão será entrar em um feixe de luz que liga a Terra com o Céu.

Mártires dos Últimos Dias

Acompanhando o salvador, a Bioware colocou um vasto séquito de discípulos. Se em Mass Effect 2 nós conhecemos seus problemas pessoais, seu passado conturbado e seu ímpeto quase suicida de abraçar uma missão perigosa além do Omega Relay, em Mass Effect 3 conhecemos sua redenção.

Diante da inevitabilidade da Morte, o que nos resta? Viver da melhor maneira que nos é cabido. Tendo ido até o inferno e retornado, resta aos companheiros de Shepard a oportunidade gentil de uma segunda chance. Nenhum erro do passado é brutal demais que não possa ser consertado enquanto ainda há tempo.

Mordin

Assim, temos Mordin Solus, um dos responsáveis pelo Genophage, dando sua vida para curar a Genophage com um sorriso nos lábios. Temos Thane, uma vida inteira de assassinatos nas costas, sacrificando seus últimos dias para deter outro assassino. Temos Jacob, um homem que teve sérios problemas de relacionamento com seu pai, recebendo a oportunidade de se tornar um pai diferente. Temos Samara, uma caçadora que sempre colocou seu rígido código de Honra acima das próprias filhas, abdicando de seu código para salvar a vida da última de sua prole. Temos Miranda, sempre senhora de si e egocêntrica, em uma cruzada para que sua irmã não tivesse a mesma vida que ela teve. Temos Jack, rebelde e traumatizada por maus-tratos sofridos durante a infância, cuidando de jovens bióticos como ela e se adequando às regras do sistema. 

O resultado pode variar para cada um, de acordo com suas escolhas, naturalmente. Por que muitas das decisões a Bioware colocou na mão do jogador. Mas a essência da lenda que se deseja contar é a mesma: faça o seu melhor, a vida é curta.

A última vez em que me importei tanto com o destino destes seres virtuais foi em Baldur's Gate 2, da mesma Bioware. Mas, agora, o resultado é muito mais intenso. É visível a evolução do que era pouco mais do que postes falantes com posições fixas na nave para indivíduos que interagem entre si e se movimentam no terceiro jogo. Não vi ainda algo parecido em outro jogo. Não há dinheiro que pague o diálogo mais engraçado da série, a canção de Mordin, a bebedeira de Tali, o duelo de tiros com Garrus ou o flagra de dois engenheiros se beijando no porão da sala dos motores. O legado de cada um destes personagens permanece com quem joga e no memorial da Normandy.

Tolerância

Mass Effect 3 a princípio pode parecer um jogo de guerra. O conflito está presente em toda parte: nos noticiários, nas fotos de desaparecidos coladas nas paredes, nos pequenos dramas que se descortinam na Citadel (e para os quais o Pastor sempre tem uma palavra de conforto ou sugestão), nas marcas de destruição. Os cenários pulsam no ritmo do conflito e até a música incessante de Purgatory (outro termo religioso) tem sua explicação no contexto.

Guerra

Porém, há uma lição para as nações no terceiro capítulo da franquia. A recomendação da "segunda chance" não é válida apenas para indivíduos. Ela vale para todos, em todos os níveis. Se torna claro que tiros mortíferos, alta tecnologia e bombardeios cirúrgicos não são o melhor método para se obter resultados. A única forma do protagonista conquistar a vitória sobre os Reapers é costurando a paz entre os povos. Inverte-se o atávico Latim e temos si vis bellum, para pacem. Neste viés, apesar de sequência cinematográficas e tiroteios de ação, Mass Effect vai na direção contrária de tantos call of duties e gears of war.

Diplomacia, confiança e pulso firme são capazes de colocar Salarians e Krogans no mesmo barco, conquistar a aliança dos Turians, encerrar conflitos ancestrais, devolver a Geths e Quarians a convivência há muito esquecida. O inimigo é universal e inexorável, não há sentido em alimentar velhas rivalidades. É preciso aceitar a diferença. É preciso tolerância.

Se intencionalmente ou não, o discurso da tolerância está presente no contexto da obra da Bioware com mais força do que na maioria dos filmes e livros modernos. Imbuído do zeitgeist, o jogo leva seu jogador a refletir: aqueles com tendências violentas devem ter direito a um novo começo? Qual é o preço da vitória? Até que ponto podemos ir em nossas decisões antes de nos tornarmos aquilo que desejamos combater? Dois povos tão diferentes podem conviver na mesma terra santa? O que é uma alma?

Legion

A discussão ultrapassa os limites do universo ficcional de Mass Effect e seu terceiro capítulo é um marco na exposição de personagens homossexuais. Não apenas é possível que jogadores escolham um envolvimento homoafetivo para seu protagonista como NPCs gays estão presentes em várias partes da trama com absoluta naturalidade. Mantendo a mente aberta, é impossível não compreender que Cortez, o nobre piloto de transporte de todas as missões, é um profissional como outro qualquer, exceto por sua opção sexual.

Diante da inevitabilidade, somos todos iguais no universo. Mas diferentes em nossa jornada. E são justamente as tais diferenças que permitem um sopro de esperança na batalha final porque este é o primeiro ciclo em que um emaranhado de raças díspares enfrenta os Reapers ao contrário de uma civilização monotemática. Gerenciando as diferenças e rejeitando o pensamento unificado, advém a evolução.

Ragnarok

Comecei o primeiro Mass Effect no final do ano passado cercado de desconfiança. Ainda que muitos afirmassem que a franquia era a melhor série que já haviam experimentado, meu ceticismo e senso crítico insistia em detectar os menores problemas. E eles existem. Sejam DLCs infames ou súbitas guinadas de jogabilidade. Mas o impacto épico de Mass Effect 2 me colocou de prontidão: a Bioware tinha em mãos um material emblemático o suficiente para entrar para a História dos jogos eletrônicos. Mass Effect 3 começa lento, quase decepcionante. Para crescer em escopo, drama e relevância. Muito antes de seu fim, eu já havia decidido: Mass Effect 3 está na Lista de Favoritos. Mais do que isso: é mesmo a melhor série que já experimentei.

Esta postagem foi escrita antes do final da discórdia. Sequer consigo conceber que tal final possa existir. Está tudo muito amarrado, muito claro aqui. Acredito que Shepard encontre a morte de alguma forma, com glória ou sem glória, sozinho ou acompanhado por suas memórias e fantasmas. Não posso me permitir que a conclusão criada pela Bioware tolde de alguma forma meu julgamento de 99% da obra.

O importante é a jornada, algo que o último capítulo de Lost  já tentou fazer com que eu entendesse. Faça o seu melhor, corrija seus erros, aceite o outro com todas as suas diferenças, deixe um legado. E não desista.

Comandante, não importa o que aconteça, foi uma honra servir ao seu lado.

Aliança

Ouvindo: Diary of Dreams - She and Her Darkness (Farewell)
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37 comentários:

Kyo disse...

Caralho, texto muito bom. Sério!

Como fã inveterado de Mass Effect, bato palmas pro texto! Eu teria algo a mais pra comentar, mas to com uma fome do caralho!

Cézar Felício disse...

Esse texto merece palmas de pé!

Expôs tudo o que eu penso e sinto pela série, só aguardando mais um tempo para terminá-la novamente.

Marcos A. S. Almeida disse...

Não joguei ME3.Posso ler?

C. Aquino disse...

Marcos, eu sempre me esforço para escrever um texto com o mínimo de spoilers. Mas desta vez não deu. Acho que você aproveitará mais tanto o jogo quanto o texto, se jogar primeiro.

Nobody_joe disse...

Você tem a sorte de que já vai jogar o novo final remendado, que não é muito melhor, mas pelo menos faz sentido.

Recomendo que depois de zerar, você dê uma olhada no final original para entender o porque de o terem odiado tanto.

Breno disse...

Putz, meu medidor de pretensiosismo explodiu:

"Por que acredito que a saga de Shepard diz mais sobre vida, morte, renovação, segundas chances, legado, alma, guerra, paz, tolerância, diversidade e coragem do que boa parte das religiões modernas."

Religiões feitas hoje ou religiões classicas? Sheppard oferece analises religiosas mais profundas que a biblia, budismo, alcorão,etc,lol.

"Esqueçamos tudo isso. Isso é o chamariz, uma exigência de mercado para uma plateia interessada em headshots e multiplayer. Por baixo do verniz, há simbologia o suficiente para encher um livro e uma profundidade que o conecta mais com a série clássica de Star Trek do que com seu hiperbólico remake."

Engraçado, porque devo esquecer a jogabilidade ala Gears of War? Se é pra esquecer disso eu posso muito bem ir para o Youtube e assistir as cutscenes. Ainda mais falando de um enredo que imita tantas ideias de outros livros e filmes do genero. Talvez Transformers mereça uma segunda chance afinal.

"Neste viés, apesar de sequência cinematográficas e tiroteios de ação, Mass Effect vai na direção contrária de tantos call of duties e gears of war."

Exceto que não. Gears of war e Call of Duties também possuem criticas a guerras. Criticas a guerras e gameplay de tiroteios. Pessoalmente eu prefiro tiroteios sem muitas políticas. Deixa eu extravazar minha violencia em pixeis virtuais sem culpa e sem políticas.

José Guilherme Wasner Machado disse...

Excelente resenha, Aquino! Como sempre, trazendo uma visão singular e fortemente pessoal, algo quase impossível de se encontrar nas reviews da imprensa especializada, que até por força de ofício, tem que dedicar boa parte aos aspectos mais técnicos. Esta é a força dos blogs. Digo, de blogs escritos por pessoas capazes de sair fora da curva normal, como é o seu caso.

Eu fiquei grande fã de Mass Effect, principalmente pela sua capacidade de nos envolver, de nos fazer importar com seus personagens, de sentir as suas perdas, os seus sacrifícios, de compartilhar de suas metas. Cada jogador tem seus valores e prioridades, mas este é um fator que, para mim, faz uma GRANDE diferença. E é por isso que sempre me lembrarei da série com enorme carinho e admiração.

Abraços!

Gledson A. disse...

Estava eu lá, empolgado e feliz com o primeiro parágrafo do texto, quando de repente:

"Infelizmente, há spoilers à frente e até uma citação a Lost."

=/

Aquino, seu cruel, nunca se diz uma coisa dessas acompanhada a "[...]e até uma citação a Lost". A LOST!!!





Rs, deixando as brincadeiras de lado, espero que você não se importe que eu leia seu texto daqui a alguns meses (ou anos) quando, finalmente, conseguir começar e terminar a trilogia de Mass Effect.

Breno disse...

"Excelente resenha, Aquino! Como sempre, trazendo uma visão singular e fortemente pessoal, algo quase impossível de se encontrar nas reviews da imprensa especializada, que até por força de ofício, tem que dedicar boa parte aos aspectos mais técnicos."

Vc deveria se familiarizar mais com o que se chama de "novo jornalismo de jogos", antes de ficar dizendo o quão raro esses tipos de artigos são(o termo data de 2004):
https://en.wikipedia.org/wiki/Video_game_journalism#New_Games_Journalism

http://insomnia.ac/commentary/on_new_games_journalism/

Pessoalmente eu sinto falta de reviews objetivos. Nem blogs de games nem sites "profissionais" como Gamespot e IGN conseguem alcançar qualquer coisa objetiva. Em vez disso, eu fico lendo afirmações sem provas de que Mass Effect é melhor e mais profundo que religiões ou que é melhor e mais profundo que muitos filmes modernos. Se tem que ser tão hiperbolico então é melhor provar o que diz.

Breno disse...

Me lembrei de um trecho que é interessante comentar:

"É visível a evolução do que era pouco mais do que postes falantes com posições fixas na nave para indivíduos que interagem entre si e se movimentam no terceiro jogo. Não vi ainda algo parecido em outro jogo."

Nem em Gothic 2, ou outros rpgs com rotinas de dia/noite para os NPCs? Ao que me parece, essas interações são apenas uma coletania de scripts de dialogo e animações. Nada de revolucionario ao meu ver, apenas uma grande cortina de fumaça. E ao contrario de jogos como Gothic 2 ou Ultima 7, nestes jogos antigos vc pode matar os NPCs se tiver vontade. So much for freedom...

José Guilherme Wasner Machado disse...

Só uma curiosidade, Breno. Se o que o Retina faz nada tem de tão especial assim, e se vc próprio diz preferir "resenhas objetivas", e que tudo que o blogueiro escreve ou gosta é tão desprovido de valor para você, exatamente por quê insiste em frequentar o local? Masoquismo? Mera vontade de (tentar) diminuir o trabalho alheio?

A internet é ampla, cheia de ótimos sites do jeito que vc afirma preferir, qe ue expressam as mesmas opiniões que vc deseja escutar. Não seria mais divertido e proveitoso para você gastar seu tempo, que certamente é limitado, neles?

Eu, pelo menos, quando algo não tem nada a ver comigo, mantenho distância, em vez de ficar pentelhando. É por isso que vc jamais me verá em fóruns de sites gospel. No Facebook, quando alguém fica frequentemente postando coisas das quais discordo, simplesmente dou um "mute" nos posts dela, em vez de tentar controlar a pauta alheia ou impor meus valores e preferências pessoais aos outros.

Se ainda assim não consegue evitar, ou este afinal de contas é o seu grande prazer, pelo menos tente expor suas opiniões de uma forma mais construtiva, assertiva e respeitosa, é o mínimo que vc deve ao dono da casa que vc frequenta.

Fica a dica...

Abraços!

Pablo disse...

Senti minha alma lavada depois de ler esse texto. Finalmente, depois de um ano, uma análise que se esforça por esquecer o suposto péssimo final do jogo e se atém a seu universo simbólico e filosófico. A tosca da Suplicy, fosse o caso de conhecer a obra da BioWare, provavelmente não diria que games não são arte; talvez fosse o caso de até concordar que, em casos como o de Mass Effect, em função da profundidade emocional que sucinta, eles podem mesmo ser uma lição de vida. Parabéns pelo texto, Aquino. Li alhures alguém sugerindo que você escrevesse um livro sobre games. Vai meu voto para que isso aconteça.

Breno disse...

"Se ainda assim não consegue evitar, ou este afinal de contas é o seu grande prazer, pelo menos tente expor suas opiniões de uma forma mais construtiva, assertiva e respeitosa, é o mínimo que vc deve ao dono da casa que vc frequenta. "

Se o dono da casa não acha as minhas opiniões assertivas, construtivas ou respeitosas, cabe somente a ele dizer, e se ele quiser, pode deletar os meus comentarios também. Mas como opiniões podem ser ofensivas mesmo sem se referir a pessoa, eu peço desculpas assim mesmo. Dito isso, eu não volto atraz nas minhas opiniões(ao menos até o ponto de elas serem propriamente refutadas). Continuo com a opinião de que esse texto foi demasiadamente pretencioso.

Breno disse...

"A tosca da Suplicy, fosse o caso de conhecer a obra da BioWare, provavelmente não diria que games não são arte"

Considero games como cultura(é só olhar o futebol nesse país) mas arte não. Repito o argumento que fiz na postagem anterior:

“O que muitos advogados de arte em jogos falham em mencionar é que eles não usam as regras do jogo como argumento, eles chegam a citar a "interatividade", mas sempre mencionando a história e graficos do jogo como prioridade. Ai temos gente argumentando que jogos como Mass Effect são arte por causa da "complexa história" haha.

Seria xadrez arte se eu pudesse contratar michelangelo para confeccionar o tabuleiro e as peças? não.As peças e tabuleiros seriam obras de arte, mas as regras do jogo continuariam do mesmo jeito que foram concebidas. Agora se quiser argumentar que as regras do xadrez são arte, ai pode tentar...”

Basicamente Aquino apenas dedicou 1 paragrafo para descrever como é que o jogo funciona, e ainda sim ele diz(parafraseando): "Esqueça o jogo, de uma olhada nos filmes contidos no jogo que é bem melhor"

Já repararam que os "jogos arte" são tão simplorios que até uma criança pode jogar? Alguns nem chegam a ser jogos, vc só faz mover o avatar e apertar alguns botões para vizualizar a proxima cutscene.

Ninguem vai dizer por ai que Counter Strike, Master of Magic, Street Fighter III, Unreal Tournament e tantos outros excelentes jogos por ai são arte, embora eles estão bem mais proximos de alcançar esse status do que porcarias como Today i die, Limbo, To the moon,etc.

Eder R. M. disse...

Gosto de ler o blog, do texto do Aquino em geral, mesmo quando minhas opiniões são radicalmente diferentes.

E, pessoalmente, ME entrar na lista de preferidos do Aquino é outra grande decepção (a primeira foi quando Fallout 3 conseguiu a façanha).

Não há como negar que tanto a série ME quanto o citado FO3 não são jogos ruins, absolutamente. São até bons. Mas nesses casos, eu esperava que um gamer tão visivelmente culto, articulado, atento para tantas armadilhas fáceis desse meio (jogos eletrônicos, claro :D ) visse além. Um pouco só além da superfície e não se deixasse levar por uma correnteza de subjetividade emocional que acaba tirando o foco do jogo em si, como um todo, de como todos os elementos funcionam juntos para criar algo, ou para esconder o que de outra forma seriam óbvias fraquezas.

Até a pacata aceitação do final... Claro, novamente reforço a questão de que opiniões são opiniões (viva a diferença!) mas não posso deixar de ficar zangado com um deus ex machina dessa magnitude saísse dos piores pesadelos infernais de um escritor. Em qualquer meio (filmes, livros etc), para mim, um final ruim é capaz de estragar consideravelmente a reputação da obra. Sim, tem a linda frase "o que importa é a jornada", mas, pra mim, a jornada é um meio de se atingir uma meta, o tal final. E se o tal final é ruim... Me faz crer que o autor não sabia onde queria chegar no final das contas. Olho em retrospecto e penso que "li/assisti/joguei tudo isso para chegar *nisso*"? Um fim do tipo "foi tudo um sonho" não conseguiria ser mais ofensivo.

E mudando de saco pra mala, Aquino, por favor faça um favor a você mesmo e jogue Outcast. Digo e repito, um clássico jogo com um fantástico design e fascinante mundo para explorar. Apesar de ser de 1999, o único item "outdated" são os gráficos.

Gledson A. disse...

Eder, de acordo com o twitter do Aquino esse post foi sobre o jogo. Virá outro somente sobre o final que ele ainda não jogou.

Breno disse...

O elogio de Aquino ao fato de ele achar a tripulação "viva" também se aplica a Outcast, provavelmente outcast é mais bem sucedido na area. Sobre os gráficos, eu diria que Outcast está no nivel de um jogo de PS2 de primeira geração, então não é tão ruim.

Outcast é mais um classico esquecido por muitos, e absente de listas Top X(tudo bem que essas listas são mal articuladas e tudo mais).

Gledson A. disse...

É, Breno, para alguém que acha que CoD e GoW fazem uma crítica a guerra e, ainda por cima, chama jogos como Today I Die, Limbo, To The Moon etc (sendo esse "etc" entendido como "mais do gênero") de porcaria, eu realmente duvido que jogos serão considerados como arte.

Tenho que dizer que as outras idéias até fazem um pouco de sentido (mesmo eu não concordando com elas), mas essas duas citadas acima são simplismente, com o perdão da palavra, ridículas.

Breno disse...

"É, Breno, para alguém que acha que CoD e GoW fazem uma crítica a guerra"

Não lembro muito de GoW, mas CoD com certeza tem algumas criticas implicitas sobre guerras. Principalmente no nivel Death from Above the COD 4 MW. Teve até um artigo no blog continue onde eles elogiaram bastante o nivel No Russian em MW2 dizendo que "quebrava a quarta parede" , rsrs. Mas só porque o jogo possui criticas antibelicista não transforma as criticas e o jogo em bom jogo ou "arte".

Sobre os jogos arte, eu nem odeio tanto eles, o problema é que eles serão os primeiros a serem usados no argumento "jogos são arte", negligenciando jogos 1000x melhores. Se vc gosta de proteção de tela interativo, não se intimide com minhas criticas.

Gledson A. disse...

"Não lembro muito de GoW, mas CoD com certeza tem algumas criticas implicitas sobre guerras. Principalmente no nivel Death from Above the COD 4 MW. Teve até um artigo no blog continue onde eles elogiaram bastante o nivel No Russian em MW2 dizendo que "quebrava a quarta parede" , rsrs. Mas só porque o jogo possui criticas antibelicista não transforma as criticas e o jogo em bom jogo ou "arte"."

Apesar de concordar com a ultima parte (a de que uma simples crítica não faz, necessáriamente, do jogo um bom jogo), eu, particularmente, só enxergava mais um clichê de "mate o barbudo/russo para salvar o mundo" e mais uma maneira da Activision de extender sua franquia.




"Sobre os jogos arte, eu nem odeio tanto eles, o problema é que eles serão os primeiros a serem usados no argumento "jogos são arte", negligenciando jogos 1000x melhores."

Entendo; acredito que essa atitude seja mais pelo fato de que, geralmente, quem diz que jogos não são arte não tiveram contato com tais jogos. Geralmente. Isso não invalida a idéia de que tanto os "jogos artísticos" como estes que você considera "1000x melhor" são arte.




"Se vc gosta de proteção de tela interativo, não se intimide com minhas criticas."

Desde que os tais "proteção de tela interativos" tenham mais conteúdo, não tenho o porque de não gostar. E não tenho o porque de me intimidar, já que são só opniões, certo?! ;)

Helder disse...

"Comandante, não importa o que aconteça, foi uma honra servir ao seu lado."
Clichê sim, mas depois de ler o texto, esse final me arrepiou =D

Breno disse...

"eu, particularmente, só enxergava mais um clichê de "mate o barbudo/russo para salvar o mundo" e mais uma maneira da Activision de extender sua franquia."

Nesse caso,Gleidson , vc está usando de reducionismo para criticar o/os jogos. Em MW2 por exemplo, o vilão do jogo é um general americano, se não me falha a memoria. Novamente, essas nuances não melhoram nem pioram os jogos.

Gledson A. disse...

"Nesse caso,Gleidson , vc está usando de reducionismo para criticar o/os jogos. Em MW2 por exemplo, o vilão do jogo é um general americano, se não me falha a memoria. Novamente, essas nuances não melhoram nem pioram os jogos."

De fato, era um general americano; um traidor. Levando em consideração essa parte, daí esse clichê é quebrado, mas não invalida os anteriores.

O problema mesmo, Breno, está na parte como a obra é tratada. Gostar desse tipo de gênero não é o problema, variedade tem que existir, mas usar CoD como exemplo para criticar ME...

Se você usasse Spec Ops - The Line, eu até ficava quieto; sério. Mas CoD, não.

Já me adianto e digo, não joguei nenhum jogo da franquia da qual o post trata, ainda. Mas dificilmente acredito que algo como ME (levando em consideração as críticas que já li sobre o jogo) seja considerado de mesmo patamar que CoD (da qual já joguei alguns). Porque se for, então é realmente um jogo raso, para se dizer o mínimo.

Breno disse...

Não estou usando CoD para criticar ME. Só não acho ME tão superior a CoD nesses termos. Logico que a história de ME tende a ser mais interessante até por razões quantitativas(mais horas de cutscene).

O caso de Spec Ops The Line é curioso. Por mais consistente e interessante que seja a retorica, mensagem e narrativa das cutscenes, o jogo sempre foi e sempre será um clone de Gears of War(Kill Switch se vc for oldscholl). Lembrando que: clones podem ser superior aos originais em termos de jogabilidade, mas não acho que seja o caso de Spec Ops.

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Breno disse...

lol

Anônimo disse...

lol²

Gledson A. disse...

"O caso de Spec Ops The Line é curioso. Por mais consistente e interessante que seja a retorica, mensagem e narrativa das cutscenes, o jogo sempre foi e sempre será um clone de Gears of War(Kill Switch se vc for oldscholl). Lembrando que: clones podem ser superior aos originais em termos de jogabilidade, mas não acho que seja o caso de Spec Ops."

Spec Ops - The Line tem uma jogabilidade inferior a GoW, uma jogabilidade mais "amarrada", de fato. Mas em questões de maturidade de estória e profundidade na narrativa, GoW é simplesmente humilhado. Um jogo que consegue, pelo menos, lembrar Apocalipse Now, ou pelo menos ousar tentar tal façanha, já consegue superar qualquer simples jogo de tiro em terceira pessoa e qualquer rótulo de "cópia de GoW", na minha opnião.

Esse é o problema de um jogo fazer um pequeno sucesso por causa da sua jogabilidade, como GoW. Assim, praticamente a maioria dos jogos em terceira pessoa estão fadados a serem taxados como "cópias de GoW", o que pode até ser verdade em alguns (lê-se "maioria") dos jogos mas, levando em consideração aquilo que você já disse (as vezes a cópia supera o original), até que vale a pena. Às vezes.




E, Anônimo, prezo pela sua coragem de "desabafar" desta maneira. Mas fica tranquilo que o Breno sempre foi assim, pelo menos desde quando conheço o retina (que já faz alguns anos). Acho que o Shadow diria algo parecido também (falando nisso, cadê ele?).

Por mais que às vezes os comentários dele pareçam ofensivos, isso acaba que nos forçando a ponderar sobre as cosias e a pegar gosto pela troca de opniões aqui no blog. Daí, quando você vê, já faz parte da "família".

Apesar de que acho também que ele poderia maneirar no modo como se expressa. Já eliminaria uma boa parte dos mal-entendidos.

=P

João Luiz disse...

eu vi o twit do aquino e vim ver o que era a "flame war" que ele colocou lá, fiquei curioso.

mas me decepcionei, é só o bruno trollando de novo. aliás, não entrava mais nos comentários daqui exatamente por isso, o troll chato e onipresente que a todos julga.

ps. ME3 é muito bom mesmo, mas o texto do aquino é tão bom e bem escrito que faz ele parecer melhor do na verdade é...

C. Aquino disse...

Existe uma linha entre o que pode ser comentado e o que não pode e ataque pessoal está do lado do que não pode. Apesar do desabafo do anônimo, o conteúdo deve que ser removido.

Entretanto, movido pela mais genuína curiosidade, refaço a pergunta para o Breno: por que? Por que continuar acessando e comentando no Retina Desgastada se sistematicamente em cada postagem de jogos de RPG há um ataque ao que foi escrito? Perceba que esta indagação NÃO é um convite para sair, mas uma busca de compreensão. Sua retórica sempre beira o desagravo e é possível mesmo que a contundência esteja mais prejudicando do que favorecendo o diálogo. Então, por quê?

C. Aquino disse...

Onde se lê "deve que ser removido", leia-se "teve que ser removido". :P

Anônimo disse...

Realmente triste, principalmente porque meu comentário, que talvez tenha iniciado a "flame war" foi apagado. Ah, trolls nascem em qualquer lugar, fazer o que. Se são alimentados, também, ficam piores ainda. E o tal Breno é um dos piores que já vi.

Pior de tudo é quando os trolls afugentam leitores e pessoas legais, como muito provavelmente o amigo do comentário acima. É amigo João Luiz, eu tinha escrito uma porrada de coisas, mesmo, mas foi tudo apagado, talvez devido aos palavrões (me desculpem).

Acesso este website com frequência, mas não comento justamente devido ao tal Breno Troll que se acha o dono da verdade, o tal, "O Cara". Ele se esquece de que ele é "um cara", não "O CARA". Se ele acha suas opiniões válidas, como qualquer um deve achar, que ele discuta de maneira razoável. Mas é uma coisa bem ruim atacar as pessoas, desmerecer comentários e opiniões dos outros (incluindo do autor).

Ele age como o sabe-tudo. Como o super-mega-hiper-ultra especialista em videogames. Talvez um texto para ser bom deva passar por seu crivo. Só ele quer ser, saber. Pô, um cara assim deve ser um mestre e tanto, né? Por que perde tempo comentando em "meros blogs"?

Só ele sabe das coisas, né não? Por que ele não cria um blog? Lá no WP.COM é de graça: não paga nada pra ser grosso, arrogante, "dono da verdade" e sem educação.

Acho que nunca vi uma discussão por aqui em que esse Breno não tenha discordado de alguém de maneira ofensiva. Atacando, sempre (ah, dizem que o ataque é a melhor defesa, né não?). Tudo o que ele fala TEM que ser A VERDADE, e a opinião de outros é LIXO. É isso que ele deixa claro. Bom, trolls são trolls, né não? Muda a URL, mas não esse pessoal.

Faço a mesma pergunta que uma pessoa aí de cima fez: "Se o que o Retina faz nada tem de tão especial assim, e se vc próprio diz preferir "resenhas objetivas", e que tudo que o blogueiro escreve ou gosta é tão desprovido de valor para você, exatamente por quê insiste em frequentar o local?"

Caramba, se não gosta, se aqui não tem nada de bom pra ele, vai visitar sites que goste. Vai jogar palitinho. Vai jogar dominó. Sei lá. Vai fazer algo que alimente o ego dele com mais vitaminas.

Eu hein.

Jaotavio "Gyodai" disse...

Aquino postou "Flame War" no Twitter e eu pensei: Breno.

Breno disse...

"Entretanto, movido pela mais genuína curiosidade, refaço a pergunta para o Breno: por que? Por que continuar acessando e comentando no Retina Desgastada se sistematicamente em cada postagem de jogos de RPG há um ataque ao que foi escrito?"

Porque o que foi escrito eu julgo ser errado ou factualmente discutivel. O grande problema nos debates de hoje em dia, tudo está na base do "relativo", então eu posso dizer que o jogo é otimo e estar certo ou eu posso dizer que o mesmo jogo é ruim e também estar certo. Relativismo leva ao paradoxo. Se eu digo "não existe a verdade(exceto essa afirmação aqui)" isso me leva ao paradoxo. Mas tente usar os ataques de forma positiva se quiser: Seria otimo se vc tentasse me provar que eu estou errado, ao inves de debater se eu sou ou não um Troll. Logico que vc pode escolher me ignorar também, nada mais justo.

"Esse é o problema de um jogo fazer um pequeno sucesso por causa da sua jogabilidade, como GoW."

Popularidade é o que engrena a maquina de clones. ME2 e 3 também em grande parte são clones de GOW por causa da jogabilidade. Um dos poucos jogos de tiro em terceira pessoa recentes que não é clone de GOW é Max Payne 3(embora Max Payne 3 seja um clone da propria serie Max Payne).

Lucs disse...

Aquino,você fez bem em escrever sobre o jogo antes de chegar ao final (mesmo o melhorado por patch)!
Eu gostei do jogo,mas não tem como negar que,de alguma forma, eu esperava mais.Principalmente do tal final original.
Esperava tipo o jogo definitivo do século.Talvez minhas expectativas eram altas demais.
E deveria ter mais Wrex(muuito mais).
Uma cena do Grunt me fez urrar pra minha tela...hahaha,mas ele também merecia mais tempo.

Pô,quiseram comparar a escrita do Mass Effect com CoD?
Mass Effect tem toda a ficção,universo,historia principal,historias paralelas,codex,ramificação de acordo com escolhas...

Lucs disse...

Ninguém citou o MultiPlayer.
Achei divertidíssimo.Pena que eu não tinha ninguém pra combinar umas jogatinas e só fazia PUGs.
E por um ano teve um suporte bem bacana,com eventos,updates e tal.
Minha Classe favorita é do Krogan Vanguard.
Rolaria um evento Retina no Origin disso? haha

Eu lembro do medo que me deu quando anunciaram que ME3 teria MP. Deu tudo certo no final.Não deixou a sensação de ter roubado recursos do que era importante.

Anônimo disse...

Puta merda! Vou jogar esse jogo. AGORA!
:)
Muito bom.

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