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5 de novembro de 2012

Off-Topic: Sagas que Terminam

Talvez vocês não saibam, mas adoro webcomics. Depois de uma vida quase inteira dedicada às revistas em quadrinhos em papel, hoje em dia não compro mais nada (exceto, talvez, um encadernado por ano). Mas continuo consumindo a produção independente de webcomics. Neste mês tive a felicidade ambígua de descobrir que dois deles chegaram ao seu final. Não porque foram cancelados, mas porque seus autores, depois de anos publicando, concluíram suas histórias.

Sin Titulo

Sin Titulo é praticamente uma graphic novel adulta online. Criada pelo ilustrador Cameron Stewart, é o primeiro (e excelente) trabalho dele como roteirista também. Stewart não é novo no traço e já foi até indicado a um prêmio Eisner em 2007, além de ter trabalhado em em Batman & Robin, Superman, Spider-Man, Hellboy, BPRD, Transmetropolitan, Hellblazer e outras. Na webcomic, ele nos apresenta a misterioso história de uma pessoa obcecada por estranhos fatos que circundam a morte do seu pai e seus últimos meses. E, quando eu digo "estranhos", eu quero dizer, "bizarros como em David Lynch ou Lost em seus melhores momentos".

Sin Titulo foi publicada em capítulos semanais durante cinco anos. Muitas vezes, atrasava. Muitas vezes, atrasava muito. Outras vezes, depois de uma longa espera, o capítulo que vinha era todo dedicado a uma determinada ação ou apresentava dezenas de novas perguntas. Depois de um tempo, desisti de acompanhar e deixei o link guardado nos favoritos. Agora, a série está completa. Pretendo reler desde o começo e sei que serão 160 páginas que irão me engolir por um bom tempo. Sem os problemas de periodicidade, a história deverá fluir com perfeição.

Starslip Crisis - Volume 1Starslip durou mais tempo. Foram 7 anos de publicação e 1616 capítulos! A criação máxima de Kris Straub pode parecer, à primeira vista, uma série de humor ambientada em um cenário de ficção-científica. A história narra as aventuras do curador Vanderbeam e sua tripulação a bordo do museu espacial Fuseli, uma nave de guerra adaptada para armazenar e exibir obras de arte de toda a galáxia. E, de fato, a qualidade das piadas de situação que brotam dos choques culturais entre diferentes elementos desta tripulação e as piadas sobre o passado da Terra (nosso presente) ficam em primeiro plano durante o início do webcomic. Com o tempo, Straub vai colocando na mesa arcos mais significativos enquanto explora temas universais do gênero: viagens no tempo, dimensões paralelas, amores impossíveis, guerras. Quando menos você se dá conta, você está fisgado pelo enredo. Poucos são os autores que conseguem atingir um perfeito equilíbrio entre humor e trama e Straub se revela um mestre.

Em determinado ponto da saga, Straub não apenas mudou a forma de desenhar os personagens como também incorporou a mudança à continuidade, em um dos melhores reboots que eu já vi (e, como ex-leitor da DC Comics, eu vi muitos). A partir desta virada, Starslip passou a ter um tema maior subjacente, não importando o arco que estivesse em andamento. Depois de tantos anos, o enredo já estava tão complexo em sua continuidade como uma boa série de super-heróis (e melhor que a maioria delas). O final é um bem-desenvolvido fechamento de pontas soltas, com direito a embate apoteótico contra vilões, reviravoltas e pegada emocional. Ao concluir o último quadrinho, eu só podia pensar: "tenho que reler tudo do começo e tenho que comprar os encadernados!". Para minha tristeza, o pacote com todos os volumes impressos custa a pequena fortuna de US$80. Um preço justo para a quantidade colossal e a qualidade do produto, mas inadequado para minha carteira. Para completar meu desespero, existe um epílogo exclusivo de quatro painéis no último volume...

Straub começou uma nova série. Mas Starslip vai deixar saudades. Muitas saudades.

Ouvindo: Spahn Ranch - Lo & Behold

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2 comentários:

Breno disse...

Prefire ler comics de gente que saiba desenhar, obrigado!

Jimmy Fischer disse...

Eu lia muito quadrinhos da década de 80 da Marvel e da Disney.
Hoje em dia não leio mais nenhum, nem os de games tipo Dead Space.
Como o Breno disse, também curtia os quadrinhos quando ainda tinham quadrinhos.No fim da década de 80 e começo da década de 90 mesmo parece que houve uma transição em materia de desenhistas da Marvel que deu nojo.

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