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28 de novembro de 2012

Jogando: Vivisector

Vivisector Eu devia estar jogando alguma outra coisa do meu extenso backlog do Steam. Mas estou aqui jogando Vivisector: Beast Within. O que posso fazer? Tenho um fraco por FPS toscos e agressivos desde que fui apresentado a Blood em 1998.

Não que o título de 2005 da Action Forms sequer chegue aos pés da excelência do trabalho da Monolith. Na verdade, em muitas partes, Vivisector consegue ser inferior a Chasm: The Rift, primeiro FPS da mesma Action Forms, lançado muito antes de Vivisector. Era de se imaginar que a empresa já tivesse dominado a fórmula mágica do gênero, tantos anos depois. Vivisector tem a cara dura de se valer da engine Atmosfear, a mesma que a desenvolvedora usou na franquia Carnivores.  Se o motor gráfico impressionava em seu lançamento, no mesmo distante 1998 de Blood, sete anos depois estava claramente defasado.

Reza a lenda que Vivisector nasceu como um spin-off de Duke Nukem, o jamais lançado Endangered Species. Como uma desenvolvedora da Ucrânia foi parar com os direitos de uso do desbocado personagem é um mistério a ser explicado. O fato é que, em algum ponto de sua produção, a maldição do Duke Nukem entrou em ação e o projeto foi cancelado. Com material na mão para um jogo onde um soldado fortemente armado detonava feras de todos os tipos e mutantes, a Action Forms resolveu reciclar e lançar assim mesmo. Vivisector passou a ser uma livre adaptação do clássico da literatura A Ilha do Doutor Moreau, ambientado na mesma ilha, 100 anos depois das terríveis experiências do cientista louco que queria fundir animais com seres humanos, no sentido genético da coisa. E a Action Forms também não conseguiu segurar os direitos de uso! Como foi possível perder os direitos em cima de uma obra em domínio público é um outro mistério...

Então, Vivisector é a história de um soldado, último sobrevivente de seu esquadrão, enviado para uma ilha onde um cientista louco chamado Doutor Morhead (?!) realizou experimentos envolvendo seres humanos, animais e implantes cibernéticos. E o roteiro se leva a sério, incluindo algumas "reviravoltas" que você consegue prever com dias de antecedência.

Minhas primeiras impressões de Vivisector foram as piores possíveis. Nos minutos iniciais, encarei uma sucessão de cutscenes e um "corredor" na floresta por onde se deve passar. Inimigos atacam à distância com olhos de lince (sem trocadilhos) e você precisa acertar seus míseros pixels com precisão. E depois o jogo piora: animais modificados se teleportam DO NADA a dois metros de você e partem para o ataque a cada vinte passos que você dá. Quando você acha que não pode piorar, surgem os gorilas(?) lançadores de granadas (?!). Poucas vezes senti tanto ódio de uma espécie animal na minha vida. Os malditos símios ficam no topo das colinas, longe pra caramba de você, mas conseguem acertar 90% das granadas que lançam, mesmo que você se esconda embaixo de um galpão, no meio do mato ou atrás de um muro, ou completamente fora de qualquer ângulo de visão. A melhor estratégia é não parar de se mover e, mesmo em movimento, acertá-los com um tiro de sniper. Haja paciência.

Vivisector - Quit Desistir para sempre ou continuar?

A Action Forms já usava o truque do teleporte em Chasm. Era até comum nos jogos dos anos 90. Mas não com tanta insistência, como vemos aqui. Além disso, em Chasm, os inimigos eram de uma raça extradimensional que dominava a viagem no tempo e no espaço, se não me falha a memória. Em Vivisector é ululante que a maior invenção do Doutor Morhead não são os animais modificados, mas o teleporte. Se não fosse um louco desvairado, ganharia fortunas com a tecnologia. Para piorar, Vivisector insiste em usar os mesmos maneirismos de Serious Sam ou Painkiller: a cada 50 metros, uma ampla área aberta onde você entra, os inimigos aparecem e você não pode sair até morrer o último. Não há surpresas: você já sabe que lá vem outra armadilha. O suspense que havia em Chasm se torna uma certeza.

Então, por que eu ainda estou jogando Vivisector?

Vivisector é sangrento. Como um pedaço de carne mal-passado saindo da churrasqueira. A Action Forms implantou no jogo um sistema de danos por região: cada tiro arranca um pedaço de carne do lugar atingido, muitos anos antes de Dead Island se gabar de ter inventado algo parecido. O tema da vivissecção não está presente apenas nos experimentos de Morhead: aparece nas grotescas animações que ilustram o menu e no resultado da ação do protagonista. Não por acaso, a maioria dos inimigos precisa de mais de um tiro para morrer, para que você possa ver o sistema funcionando, despedaçando o infeliz. O que gera situações bizarras, como ver um soldado com o peito inteiro em carne viva avançando e atirando contra você. Deita e morre, cara, esse ferimento é fatal!

Vivisector - Evisceração Cara, o que foi que você comeu?

Nada disso faria sentido se o jogo trouxesse um arsenal que não transmitisse força. Neste ponto, a desenvolvedora prova que entende mesmo do riscado. Cada arma produz o som que você espera que produza e o impacto que você espera que tenha. Não são muitos jogos de tiro onde pude usar uma M-60 e esta aqui preenche adequadamente a minha ideia (certamente equivocada) do que é uma M-60. Até mesmo a pistola, quase sempre subestimada no gênero, não faz feio em Vivisector.

Vivisector - Arsenal Armas para todos os gostos

Se graficamente a Atmosfear já estava em seus estertores de morte, sendo facilmente humilhada por qualquer outro FPS lançado em 2005, os criadores de modelo da Action Forms colocaram para fora toda sua frustração de não terem seguido a carreira de Engenharia. A ilha onde se passa a história é repleta de estruturas colossais, de fazer inveja à Combine. São pontes gigantescas, uma linha de trem quilométrica, muralhas monstruosas, domos e acampamentos que enchem os olhos. Mesmo que Morhead conseguisse fazer fortuna com sua tecnologia de teleporte, ela seria toda gasta para cobrir a dívida com as construtoras. Prepare-se também para andar muito. Enquanto no começo você era conduzido quase pela mão por um "corredor", depois o cenário se abre bastante e incentiva a exploração, uma marca registrada da série Carnivores.

Vivisector - Alvorada Voraz É um jogo feio com um belo alvorecer

Há também toques de RPG(!), antecipando uma tendência que seria universal pouco depois, onde é possível gastar pontos adquiridos em bônus para velocidade, precisão, resistência e saúde. Como se ganha pontos? Matando, matando rápido, matando com explosões, matando aos pouquinhos... e explorando também, mas dá menos pontos. Vivisector pode ser resumido como um pseudo-Serious Sam ambientado em um mapa de Carnivores, com muito sangue e crueldade contra animais.

Tosco. E agressivo. Vamos ver até onde eu consigo ir.

Ouvindo: Matisyahu - Aish Tamid
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4 comentários:

dalmofm disse...

Meu velho, parabéns pelo trabalho.
Realmente excelente e fugindo do óbvio... peço, encarecidamente, análise dos Witcher (1 e 2)! Creio que você vai achar interessante!!!

Marcos A. S. Almeida disse...

Ué não parou?Então gostou...Você viu o filme?Nem Marlon Brando salvou.

Off topic: adivinhe qual jogo está ganhando esta enquete do IG?http://retrospectiva.ig.com.br/#games
Será que o "supersincero" votou com outros "burros"?

Esquizo disse...

Esse jogo me lembrou Turok 1 de N64, que é relativamente tosco, mas ainda assim muito divertido e marcou minha infancia. Achei interessante esse sistema de dano do Vivisecto, é capaz de eu jogar o jogo só para ver isso funcionando.

@iguuu_poa disse...

Estou honestamente interessado em jogar esse jogo única e exclusivamente por essa mecânica de desmembramento e despedaçamento dos infelizes.

Mas pensando bem, não é muito uma razão, mas depois de ter jogado CS praticamente minha vida inteira, estou órfão da melodia brutal proferido pelas armas de jogos. Como era o antigo som da AK47 no CS1.6, ou até mesmo a M16 e a Desert Eagle. Parece que quanto mais a engenharia sonora evolui, menos esse aspecto fica satisfatório. Eu, honestamente, não quero sons realistas. Quero sons ensurdecedores e surreais, brutais. E nesse quesito as velharias conseguiam com êxito pelo fato de não só não conseguirem mas também não se importarem muito com a realidade.

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