Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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1 de novembro de 2012

Galeria da Infâmia: Bala Mágica

O dia 22 de Novembro de 1963 foi o dia em que a euforia pós-guerra dos Estados Unidos levou uma bala na cabeça e nunca mais foi a mesma. Nesta data exata, em pleno Sol das 12:30, na cidade de Dallas, o presidente John F. Kennedy foi assassinado. E fui eu quem deu o tiro.

A bala transpassou não apenas o crânio do 35º presidente dos Estados Unidos mas também sua cultura como um todo. Existem milhares de livros sobre o crime, centenas deles de ficção. Até mesmo Stephen King teve um livro lançado sobre o tema este ano, uma fábula onde um professor descobre um portal no tempo e precisa encontrar uma forma de impedir o atentado.

Shade Para ficar em apenas um exemplo literário, no início dos anos 90, a editora Metal Pesado trouxe para o Brasil o melhor dos quadrinhos publicados no selo Vertigo da DC Comics. Para mim, foi uma estranha e inédita porta que se abria e guardo na memória minhas jornadas com a Patrulha do Destino de Grant Morrison e Shade, o Homem Imutável, de Peter Milligan. O primeiro arco deste último envolvia um confronto entre o herói e o Grito Americano, uma poderosa manifestação do inconsciente coletivo dos Estados Unidos que ameaçava mergulhar o mundo em loucura. A forma física escolhida pelo Grito Americano nesta história era uma imensa cabeça ensanguentada de Kennedy com um rombo de bala no topo. A revista gerou controvérsia em seu lançamento e motivou a criação do selo Vertigo, uma linha editorial mais focada em quadrinhos adultos e/ou polêmicos. Nunca foi proibida em nenhum lugar do mundo e o encadernado original ainda pode ser encontrado na Amazon.

Batendo na mesma tecla do fim do Sonho Americano, em 22 de Novembro de 1978, no aniversário de 15 anos do assassinato, um grupo punk chamado Dead Kennedys se apresentou ao vivo em um clube noturno em São Francisco. A performance foi criticada pelos jornais da época, mas não houve uma tentativa de impedir a apresentação. Liderados pelo performático, explosivo e talentoso crítico social Jello Biafra, a banda acabou se tornando um dos ícones da cena californiana do começo dos anos 80 e uma referência até os dias atuais.

Mas bastou um único jogo ousar tocar na delicada questão da morte de uma nação para que dois senadores, uma organização em defesa das crianças e até um seriado de TV enterrassem uma pequena produtora sob um avalanche de acusações.

"Eu Matei Kennedy"

A desenvolvedora escocesa Traffic Games acreditou que poderia repetir a ousadia dos Dead Kennedys e programou o lançamento de seu primeiro título para 22 de Novembro de 2004, o aniversário de 41 anos da morte de Kennedy. O nome do jogo era JFK: Reloaded.

JFK Reloaded 01

Com apenas alguns minutos de jogabilidade, o título colocava você no papel de Lee Harvey Oswald, o franco-atirador que, supostamente sozinho, matou o presidente. Sua tarefa seria repetir o crime, com exatidão. Ao contrário de FPS tradicionais, em JFK: Reloaded, a desenvolvedora garantia ter utilizado detalhes rigorosos de reconstituição: velocidade da bala, força do vento, velocidade dos veículos, ricochetes diferentes para diferentes materiais atingidos, força da gravidade, características específicas do rifle utilizado etc. Pela primeira vez na história da indústria dos jogos eletrônicos, um título tomava para si a responsabilidade de ser um "simulador de assassinato". O objetivo da Traffic Games era criar uma ferramenta histórica e comprovar as controversas conclusões do Relatório Warren sobre o crime.

Porque o assassinato de John F. Kennedy é uma das teorias de conspiração mais populares de todos os tempos. Segundo as investigações realizadas na época pela Comissão Warren, Oswald agiu sozinho e as balas realizaram uma determinada trajetória que cruzou o alvo mais de uma vez. Com o passar dos anos, os resultados passaram a ser questionados e novas hipóteses surgiram. Incluindo a ideia de que havia mais de um atirador e seria impossível para um único homem ter feito o que fez.

Na pele do assassino, posicionado em uma janela em no sexto andar de um depósito de livros, próxima ao caminho por onde o comboio de veículos com o presidente iria passar, você tem poucos minutos para mirar, enquanto os carros se locomovem, e disparar, antes de eles acelerarem e os agentes do serviço secreto pularem em cima da limusine presidencial para formar um escudo humano. É um jogo difícil. Difícil e curto. Dois minutos, no máximo, de tensão seguidos de uma longa análise balística que repete sua tentativa por 12 diferentes ângulos (alguns deles são réplicas de ãngulos reais por onde o crime foi filmado em 63) e mostra a trajetória de seus projéteis. Quanto mais próximo dos tiros de Oswald você conseguir, melhor é a sua pontuação. Houve até uma competição para os jogadores em busca da reconstituição perfeita. O vencedor, com 782 pontos de 1000 possíveis, ganhou 10 mil dólares.

JFK Reloaded 02

Para Kirk Ewing, diretor da desenvolvedora, o objetivo era criar uma experiência forense interativa coletiva ao fornecer uma reprodução realística do evento onde a teoria do atirador solitário poderia ser comprovada. Foram sete meses de pesquisa em documentos históricos e filmagens da época, seguidos de seis meses para programar algo que dura poucos minutos, em uma equipe de dez pessoas. Se o trabalho técnico da Traffic Games for tão fidedigno quanto alardeado, eu posso dizer que, sem sombras de dúvida, não é um tiro impossível para um homem só. Eu matei Kennedy. Diversas vezes, de diferentes formas. Errei a maioria, mas ele caiu. Não há conspiração nenhuma.

Ricochetes

Mas quase ninguém viu JFK: Reloaded da mesma forma que eu ou seus criadores. O Senador americano Edward Kennedy, irmão da vítima, classificou o título como "desprezível". O Senador Joseph Lieberman, velho conhecido na cruzada contra os jogos eletrônicos, declarou que o jogo o "deixou nauseado". O jogo recebeu classificação indicativa de 18 anos e até mesmo seu site continha um alerta sobre a maturidade do conteúdo. Isso não impediu a  organização Children NOW, dedicada a promover uma mídia mais segura para as crianças, seja lá o que isso significa, de emitir um parecer. A entidade negou qualquer mérito educativo para o jogo e declarou que a "única lição aprendida é como ser um assassino".

JFK Reloaded 03

Em 2005, em um episódio da série de televisão Law & Order: Special Victims Unit, JFK: Reloaded aparece em um link de um site neonazista. Um dos detetives, fã de teorias conspiratórias envolvendo o falecido presidente, pergunta ao seu parceiro o que seria aquilo. Recebe como resposta "que ele não iria querer saber".

Menos de um ano depois do seu lançamento, o jogo, o site e a Traffic Games foram apagados da existência, sem aviso. Seu destino, ironicamente, é explicado apenas por uma conspiração. Segundo o site 1Up, um funcionário não-identificado de uma firma de publicidade contratada pela Traffic para divulgar o título, teria enviado um email para um site dedicado a satirizar JFK: Reloaded explicando como tudo terminou. Aparentemente, a Traffic Games não sabia como explicar para o grande público o tipo de simulador que tinha  em mãos e teria entrado em contato com esta firma de publicidade para fazer o serviço, estabelecendo uma relação de confiança. Esta firma teria ficado espantada com o desligamento do site e teria entrado em contato com Kirk Ewing. O diretor da Traffic teria explicado ter recebido ameaças jurídicas da família Kennedy para suspender as vendas do jogo, recolher as caixas e até dar reembolso para quem estivesse disposto a devolver. Os advogados também teriam pressionado a firma de publicidade, em busca de mais informações sobre a Traffic. A desenvolvedora teria optado por jogar tudo para o alto e desistir antes de ir para o tribunal para uma batalha desigual.

Verdade ou mentira? Talvez apenas um outro jogo, daqui a trinta anos, possa resolver o mistério. Enquanto isso, JFK: Reloaded, liberado gratuitamente antes do fechamento da Traffic Games, ainda pode ser encontrado para baixar em diversos lugares (Baixaki | Fileplanet | The Pirate Bay). E o site oficial permanece arquivado para a posteridade.

Novos Alvos, Velha Hipocrisia

Se Kirk Ewing e seu time eram visionários que viam nos jogos eletrônicos uma ferramenta de simulação histórica inédita ou um grupo de oportunistas vendendo um jogo de minutos por 10 dólares (e realizando concursos entre os jogadores) é algo que a História vai demorar a responder. O fato é que, mais do que a teoria do atirador solitário, JFK: Reloaded provou que é possível se apropriar de um fato com rigor e seriedade e transformar em uma obra que não necessita ser entretenimento.

JFK - A Pergunta que Não Quer Calar foi indicado 8 Oscar em 1993, incluindo o de melhor filme, e levou 2 para casa. É um longuíssimo drama de tribunal de três horas de duração e dificilmente seria acusado de ser cinema pipoca. Guerra ao Terror faturou 6 estatuetas em 2010, desbancando o favorito Avatar do prêmio máximo de Melhor Filme. A obra de Kathryn Bigelow é um drama sobre a realidade da guerra no Oriente Médio e passa longe do conceito coletivo de diversão. Enquanto jogos de pura ação descerebrada ou galhofa, como Doom e Carmageddon são julgados por políticos e jornalistas paranóides como se fossem um manual de instrução a ser seguido a risca, jogos realistas, com mensagens anti-violência ou tocando em temas delicados, são descartados porque "jogo é entretenimento".

Six Days in Fallujah, que aborda rigorosamente o mesmo conflito explorado em Guerra ao Terror, está engavetado até segunda ordem porque supostamente jogos não deveriam abordar conflitos recentes. Desenvolvido com a ajuda de fuzileiros americanos da Guerra do Iraque, historiadores, civis iraquianos e até insurgentes locais, o título se descreve como um survival horror da guerra real. Nada de monstros, nada de Rambos ou Dustys ou Prices, apenas o terror de um conflito cruel e suas consequências psicológicas. Quem está por trás do desenvolvimento é a Atomic Games, os mesmos talentos por trás da franquia Close Combat, que nunca ignorou o estado mental dos soldados. Six Days in Fallujah seria publicado pela Konami, mas a produtora pulou fora diante da polêmica levantada. A Atomic Games demitiu dois terços de sua equipe, sem financiamento. Desde 2010, o jogo foi anunciado como concluído, mas não há nenhuma empresa disposta a lança-lo. Em agosto deste ano, a Atomic Games confirmou que o jogo ainda existe e não foi cancelado.

Six Days in Fallujah Battlefield 3 Das imagens acima, uma é de Six Days in Fallujah, a outra é de Battlefield 3. O primeiro foi engavetado, o segundo foi um sucesso de vendas.

Apesar de ter o apoio de pessoas envolvidas no conflito em sua produção, Six Days in Fallujah foi duramente criticado por outros veteranos. De acordo com o pai de um soldado morto em combate, "considerando a enorme perda de vidas na Guerra do Iraque, glorificá-la em um jogo eletrônico demonstra uma capacidade de avaliação muito pobre e mal gosto... estes horríveis eventos deveriam ser confinados aos anais da história, não trivializados e reproduzidos para que buscadores de emoção possam encenar". A visão equivocada de que entretenimento e jogos são indissociáveis permanece aqui. Para tantos, é impossível que um jogo seja utilizado como instrumento de expressão, simulação ou crítica social. Para tantos, jogos pertencem ao mundo de Mario e essa realidade de arco-íris deve permanecer intocada. A tarefa de documentar a realidade estaria limitada a meios mais "nobres", como o cinema, a literatura, a música ou o teatro.

Para superar esta barreira, desenvolvedores precisam inventar guerras fictícias em um futuro indeterminado. Alguns entregam exatamente o tipo de entretenimento que os críticos tanto menosprezam, críticos indiferentes aos anos de fantasias bélicas despejadas por Hollywood desde a Segunda Guerra Mundial e que adotam a lei de dois pesos e duas medidas. Outros criadores tentam um viés diferenciado e até encontram paralelos em um livro de mais de cem anos. Spec Ops: The Line conseguiu se infiltrar abaixo do radar da polêmica, enfrentando resistência apenas dos Emirados Árabes, que não captaram a mensagem. Call of Duty esbarra em polêmicas baratas e Rainbow Six: Patriots tem um destino incerto. Delta Force Black Hawk Down segue a trilha do bem-sucedido filme patriota e ainda comete a insolência de alterar a História registrada e permitir que o jogador execute o chefe de governo Mohamed Ali Farrah Aidid. Pimenta nos olhos dos outros, ou bala na cabeça do presidente alheio, é refresco.

Spec Ops Quem está glorificando a guerra agora?

Quando o cartunista Art Spiegelman escolheu as histórias em quadrinhos como forma de representar a dura jornada de seu pai, sobrevivente da perseguição nazista e do campo de concentração de Auschiwtz, também teve dificuldades para encontrar quem publicasse. Com nazistas caracterizados como gatos e judeus representados como ratos, sua arte apresentava uma iconografia próxima dos contos infantis. Mas a história era pesada e real. Demorou seis anos para que Maus fosse organizado em forma de livro, em 1986. Em 1992, Spielgelman foi agraciado com um "Prêmio Especial Pulitzer". Em 2010, o israelense Maxim "Doomjedi" Genis criou um mod para Wolfenstein, onde prisioneiros do famigerado campo de concentração conseguem se libertar e organizar uma sangrenta revolta contra seus opressores. Sonderkommando Revolt foi cancelado por Genis depois de ter atraído imensa propaganda negativa e "violação de sua vida privada". No mesmo ano, Bastardos Inglórios, recebeu oito indicações para o Oscar, com gráficas cenas de vingança de soldados judeus contra soldados nazistas e humor negro.

inglorious-bastards

A História pode e deve ser visitada pelos jogos eletrônicos. Não é território proibido. Se realizada com talento e sensibilidade, pode despertar sentimentos, induzir questionamentos, semear dúvidas, acalorar debates. Sim, eu matei Kennedy. Mas também desembarquei na Normandia, vi gente morrendo e respirei fundo sobre aqueles heróis. Eu coloquei uma bandeira comunista no alto da parlamento alemão e senti orgulho da Mãe Rússia. Ainda que com habitantes de ficção, cruzei a Zona de Exclusão de Chernobyl e vi lugares que existem no mundo real, mas que ninguém mais pode visitar. E foi pouco.

Colocar o espectador no lugar do outro, de uma forma que nenhuma outra mídia é capaz. É possível: como uma boa obra de arte, uma instalação digital a espera de visitantes, um projétil de zeitgeist transpassando nossos crânios.

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7 comentários:

breno disse...

"Delta Force Black Hawk Down segue a trilha do bem-sucedido filme patriota e ainda comete a insolência de alterar a História registrada e permitir que o jogador execute o chefe de governo Mohamed Ali Farrah Aidid. Pimenta nos olhos dos outros, ou bala na cabeça do presidente alheio, é refresco."

E Bastardos Inglorios fez a mesma coisa mas vc não critica. Deixa a ideologia de lado Aquino.

Shadow Geisel disse...

Breno, a crítica do Aquino não é sobre retratar personagem x ou y levando bala na cabeça, e sim a hipocrisia de certos assuntos serem tabu nos jogos. isso fica claro na frase "A História pode e deve ser visitada pelos jogos eletrônicos."

meio off topic, mas lá vai: sempre achei um pouco de exagero colocar Peter Milligan e seu Shade no mesmo patamar dos outros escritores desse selo Vertigo.

Maus é bem interessante. detesto tudo sobre a segunda guerra mundial, mas me surpreendi bastante com essa história. gostava da forma como o autor retratava as "etnias" de acordo com a sua visão psicológica (porcos para nazistas; ratos para judeus...)

resumindo, esse tipo de jogo que explora um nicho exageradamente específico parece mais uma tentativa de aparecer que de fazer algo sério, que aborda a questão por um outro prisma ou que venha a nos fazer refletir sobre o assunto.

Ah, Aquino, a banda The Cranberries tem uma música chamada "I Just Shot John Lenon". A letra é bem interessante.

P.S.: eu disse que ia ser off topic.

Breno disse...

Eu só acho que é besteira vc falar e pontuar negativamente um jogo por causa de uma posição política que ele venha a ter. Que me importa se em Deus Ex eu me junto com facções conservadoras e criminosas na vida real? Ou se Black Hawk quer fantasiar um pouco pra dar um gostinho de vitoria no jogador(assim como o filme Bastardos Inglorios fez)? Critica ideologizada não tem muito valor pra mim, se fosse assim ninguem mais iria ler H.P Lovecraft ou jogar jogos influenciados por Lovecraft por conta do racismo do autor.

Shadow Geisel disse...

concordo plenamente com esse ponto do seu argumento. fantasiar um pouco às vezes é uma boa manobra pra escapar do "marasmo" da realidade. tem uma série de RPGs, Shadow Hearts, que utiliza cenários, personagens e fatos históricos reais para construir a trama. nem sei se é uma boa indicação, pois só joguei um pouco do Fron the New World (PS2), mas fica a menção.

Marcus Gonzallez disse...

Quanto ao caso de JFK: Reloaded, já o conhecia desde 2009, e se for aquilo mesmo, um bom atirador não teria dificuldades em matar Kennedy naquela situação. Com relação a polêmica, acho justa. É realmente imoral sob o ponto de vista da família, ou até mesmo sob o ponto de vista ético. É um crime real sendo repetido virtualmente, não é um filme contando uma história. Acho mais agressivo o jogo ser lançado na data da morte que a banda Dead Kennedys tocar nela. Mas é só minha opinião.

breno disse...

Six days in falludjah ja ta meio datado, olhando pra aquela screenshot. Agora embora Bf3 tenha graficos melhores, o uso abusivo de shaders,bloom e filtros são um atentado a minha retina. Só não entendo o motivo do cancelamento, visto que EA é louca pra criar polemicas, vistos nos jogos Dantes Inferno, Medalha de Honra, Dead Space 2 e até mesmo Need for Speed.

Gledson A. disse...

Ja que esse post é sobre jogos polêmicos, alguém ja jogou esse Hotline Miami? Pelo jeito o jogo é novo. Segue um artigo sobre o mesmo do GameFoda:

www.gamesfoda.net/2012/11/quale-a-desse-tal-de-hotline-miami/

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