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1 de setembro de 2012

Jogando: Warhammer 40,000 - Dawn of War (Conclusão)

Dawn of War - Screenshot 07

Os prognósticos positivos de minha análise inicial sobre a história de Warhammer 40,000 - Dawn of War se confirmaram. Temos aqui um enredo excepcionalmente cativante para um título de estratégia. A interpretação dos dubladores está no ponto certo e eles conseguem o impossível: superar a limitação gráfica da engine, que transforma todos os personagens em bonecos anatomicamente estranhos. As cutscenes de abertura e encerramento de cada uma das onze missões da campanha não dão vontade de pular e partir logo para a ação.

Dawn of War - Screenshot 04

Taticamente, Dawn of War é frenético como o universo que retrata. Cada passo dado em relação ao território inimigo é um passo em direção à incerteza e é melhor ter um exército forte para evitar o massacre. É um sinal de um jogo de estratégia bem construído quando eu consigo me identificar com cada esquadrão que monto e lamento minha inabilidade diante da ocasional destruição de uma unidade inteira. As batalhas são épicas e, graças ao recurso do zoom, o detalhamento de cada movimento de finalização é impressionante.

Dawn of War - Quit Parabéns também pela atenção à atmosfera fascista de 40K presente no jogo. Frases de efeito, slogans, atitudes fanáticas estão presentes na ação dos personagens, nas telas de menu e até na mensagem de saída: "covardes morrem em vergonha". O grito de guerra "For the Emperor!" ficou na minha cabeça por dias e era repetido como mantra de ânimo a cada tarefa cotidiana.

Ao nos apresentar um jogo de estratégia dinâmico e enxuto, a Relic comete apenas duas falhas graves. A primeira é a curta duração da campanha. Ainda que todas as pontas soltas sejam fechadas de forma soberba, o jogo deixa um gosto de quero mais no final, que, lamentavelmente, não é saciado no modo Skirmish. Geralmente, o mata-mata contra o computador é a polpa do gênero para mim, com o modo campanha descartável. Aqui acontece o inverso: a campanha brilha e o modo Skirmish deixa a desejar.

Nesse ponto, o título de 2004 perde feio para Age of Empires, por exemplo, lançado em 1998. Se o clássico da Ensemble tem dois tipos de batalha aleatória contra o computado, o Skirmish propriamente dito e o Mapa Randômico, o jogo da Relic traz apenas um. Em Age of Empires, tínhamos 9999(!) mapas randômicos que realmente pareciam aleatórios, com o posicionamento dos recursos e acidentes geográficos bem disfarçados de forma natural. Em Dawn of War, temos duas dezenas de mapas, divididos em números de facções, todos eles curtos demais. Em quinze minutos de combate, você já venceu ou foi vencido, sem tempo para evoluir unidades mais complexas ou mesmo utilizar veículos.

Dawn of War - Screenshot 05 Dawn of War - Screenshot 01

O segundo defeito, quase imperceptível, é a implementação frágil de um sistema de moral. Novamente, o jogo perde em comparação: em Close Combat, a moral dos esquadrões é medida por uma combinação de dano sofrido, munição disponível, ordens recebidas, distância do comandante, visibilidade do inimigo; um soldado com moral baixa pode se recusar a receber ordens, fugir ou avançar de forma suicida contra o inimigo. Em Dawn of War, o dano recebido é o único critério para um esquadrão ficar desmoralizado e debandar. E, mesmo assim, ele precisa ser praticamente massacrado para o pânico se espalhar entre os sobreviventes. Quem consegue escapar, depois pode ser reintegrado ao exército, enquanto em Close Combat, um soldado acovardado estava perdido até a próxima batalha ou para sempre. Esta falha não chega a atrapalhar a performance do título da Relic, mas é algo que poderia ter sido melhorado.

Warhammer 40,000 - Dawn of War termina funcionando como um excelente aperitivo para o universo futurista da Games Workshop. Mas o prato principal está em algum outro lugar. Ou, talvez, assim como a guerra, esta fome seja eterna.

Dawn of War - Screenshot 03 Os Ultramarines aparecem no modo Skirmish e no Army Painter

Pontos positivos de Warhammer 40,000 - Dawn of War: excelente trilha sonora, combates frenéticos, boa história. Pontos negativos de Warhammer 40,000 - Dawn of War: campanha curta, modo contra o computador insatisfatório, cutscenes poderiam ser melhor renderizadas. Nota final: 8,5.

Ouvindo: Martin O'donnell And Michael Salvatori - Cortana (No More Dead Heroes)
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6 comentários:

Gyodai disse...

Eu comprei o pacotão com tudo que saiu do primeiro Dawn of War e nunca consegui terminar nada. Começo, jogo, paro e me esqueço sempre. Lendo suas análises, eu fiquei com vontade de tentar mais uma vez. É um dos jogos de estratégia mais legais que já joguei. É violento, é intenso, é bruto e divertido pacas. WAAAGH!

Shadow Geisel disse...

essa é umas das faltas que sinto por ser um jogador quase que exclusivamente de consoles. quase não há nada desse gênero para eles, e quando saem os jogos parecem totalmente datados e fora do contexto (como o red alert 3 e aquele mais novo que é da franquia Tiberian).

essa queixa do enredo que você descreve eu nunca senti muito. no red alert, por exemplo, eu sempre gostei de acompanhar os diálogos e as (toscas mas deliciosas) FMVs.
no tiberian sun (meu RTS preferido ever) eu concluí as duas campanhas pra aproveitar a história, mas o melhor mesmo era o skirmish.

Igor M. disse...

Foi ótimo dar as caras por aqui(depois de um tempo) e encontrar um dos jogos de estratégia que mais gosto sendo analisado!

A Games Workshop faz um trabalho incrível com Warhammer, seja jogos, livros, rpg de mesa ou miniaturas. Estava até em busca dos audiobooks, que já ouvi falar bem sobre eles.

Comecei a gostar de Warhammer pelo Warhammer Fantasy, a parte medieval fantasiosa do universo warhammer e foi pelo jogo Warhammer Online: Age of Reckoning(que comprei a versão retail - E não me arrependo!), que infelizmente foi um fracasso absoluto. Depois desse jogo parti para os de estratégia, depois pros livros... E hoje sou um fã de carteirinha do universo. Pelos temas adultos e sérios, Warhammer se torna restrito para um número limitado de fãs, é um produto mais seletivo para seu úblico. Diferentemente de Warcraft(seu irmão 10 anos mais novo e mainstream), de que também sou fã, Warhammer fugiu da abordagem cartunesco e trata seus assuntos de forma séria, principalmente nos livros de RPG - Onde a brutalidade se torna quase tateável. É fascinante as descrições e ambientações. E justamente isso, a parte literária de Warhammer não veio para o Brasil em lingua lusitana, infelizmente.

Pra todos que sentem o mínimo de interesse mas ainda não foram atrás, o exuberante universo de Warhammer é impecável, e definitivamente vale cada minuto de leitura/jogatina.

A propósito, ótima análise! (e como sempre, eu não consigo parar de comentar textos!)

Igor M. disse...

A propósito, sou o PKK, aquele tal de Poa Kli-Kluu. Estou tendo problemas com meus eterônimos digitais lol

C. Aquino disse...

Bem vindo de volta, Igor, Iguuu, Poa, PKK! Se não viu ainda, procure pela animação Ultramarines, um longa-metragem lançado ano passado em DVD lá fora.

Igor M. disse...

Eu já havia ouvido falar, lembro-me de que em algum lugar no tempo eu ouvi sobre isso, mas minha memória acabou corrompendo os dados e eu jamais me lembraria se você não tivesse me lembrado! Obrigado por me lembrar o/ A propósito, estamos marcando uma jogantina no grupo do blogmmo pra esse 7 de setembro, junte-se a nós lol

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