Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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31 de maio de 2012

Sem Sobreviventes

survivor-02 "Os grandes desastres sempre foram uma fonte de inspiração para dramas, obras de arte ou filmes, por que não para um jogo eletrônico também?", com esta pergunta, Claus Wohlgemuth, co-produtor da Replay Studios, explicava as motivações por trás do jogo Survivor. Ano passado, ao comentar sobre a total falta de títulos abordando eventos como o 11 de Setembro, cometi a injustiça de não mencionar este projeto. Mais triste ainda é o fato de que ele nunca viu a luz do dia.

Survivor foi anunciado inicialmente no final de 2004 e o próprio Wohlgemuth, um dos autores do jogo, prometeu que ele estaria pronto no primeiro semestre de 2006, para Xbox, PC, PS2 e Gamecube. Os anos se passaram e nada aconteceu. Após quase três anos de silêncio, em 2007, a Replay Studios veio à público para afirmar que o título havia sido adiado para ser lançado com a geração seguinte de consoles. Foi marcada a data de 31 de dezembro de 2008 para o lançamento. A data foi depois adiada para algum momento de 2009. Depois o jogo sumiu do site da desenvolvedora. Depois, a desenvolvedora sumiu, com apenas três jogos no mercado: Crashday (2006), Velvet Assassin (2009) e a adaptação de um filme do Uwe Boll (!), Tunnel Rats (2009).

survivor

Nas palavras de Wohlgemuth, Survivor traria o máximo de realismo possível, com doses de ficção para justificar a presença do protagonista nos cenários. Dividido em episódios, o jogo traria para o mundo virtual grandes desastres da Humanidade, como o afundamento do Titanic, a passagem do furacão Andrew pelos Estados Unidos, um terremoto no México, o bombardeio atômico de Hiroshima e o ainda marcante 11 de Setembro. Cada ambiente traria de 5 a 8 setores gigantescos que iriam tentar reproduzir com fidelidade suas contrapartes no mundo real. Nestes setores, o protagonista teria missões a cumprir, como auxiliar os sobreviventes, impedir incêndios ou realizar saques. Haveria também áreas seguras, onde seria possível salvar o jogo, comprar e vender itens encontrados, receber tratamento médico, evacuar resgatados e receber novas missões. Um canal de televisão específico, a Non Censured Network daria uma visão geral da catástrofe e, provavelmente, ofereceria um cunho político ao título da Replay Studios.

survivor-screenshot-02 survivor-screenshot

O jogo não forçaria o papel de herói para o protagonista, que poderia se dedicar a salvar outros, apenas a si mesmo ou mesmo tirar vantagem da situação, mas com consequências para cada ato. Wohlgemuth garantiu que não haveria repetições de ações e que cada situação seria única. Seria possível utilizar veículos em alguns cenários (não no Titanic, eu suponho), algumas tarefas exigiriam raciocínio, outras agilidade e outras dependeriam de objetos específicos para atravessar o setor. Eventos dinâmicos acrescentariam aleatoriedade ao já caóticos cenários, incluindo desmoronamentos de estruturas.

Survivor não daria em nenhum momento a chance de impedir tragédias, mas ofereceria uma visão única e interativa de cada uma delas, de se colocar no lugar da vítima. Como contou Wohlgemuth, "nós recebemos um e-mail de alguém que perdeu um membro da família nos ataques de 9/11. Ele disse que sempre desejou um jogo em que fosse possível parar os aviões antes de eles baterem nas torres. Ele gostou da ideia de Survivor, de qualquer forma, e quer muito jogar o jogo". Dez anos depois da tragédia, o assunto segue tabu na indústria dos jogos eletrônicos.

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17 comentários:

Jimmy666 disse...

Idéia interessante...Ta aí um gênero praticamente inexplorado.
O foda é que muito se fala das maravilhas que o jogo seria até ele ser lançado...Duvido que um estudio que sequer sobreviveu conseguisse entregar o produto que estava prometendo(não conseguiu, na realidade).

Breno disse...

Existe uma cultura presente nos jogos que proibe qualquer iniciativa de colocar "traumas" contemporaneos como ambientação,salvo exemplos fora do mainstream! Muito se deve a essa cultura o merito de um jogo ser um brinquedo,ser feito somente para diversão,etc... Para mim isso tudo é bobagem,mas vai entender o que se passa na cabeça desse povo!

Marcos A. S. Almeida disse...

Sou á favor da permissão da representação plena da violência nos jogos eletrônicos desde que o jogo seja devidamente rotulado com a RECOMENDAÇÂO de idade e destacando o nível de violência exibida no jogo.Quem comprar estará completamente ciente do que está levando pra casa.Mas levanto as seguintes questões:é realmente necessário representar esses eventos através de um jogo?A grande maioria dos jogadores clama por esse tipo de representação?A minha resposta pras duas questões é não.

Marcus Gonzallez disse...

O mais próximo disso talvez seja I am Alive, que foi lançado apenas nos consoles e só em versão digital. Coincidentemente o estou jogando agora no PS3 e ele é deveras interessante, apesar de aparentemente ter sido terminado às pressas por ser mal polido, mas é um jogo que carrega uma carga de tensão muito interessante. Se ele tivesse zumbis ao invés de pessoas como inimigos, diria que ele teria potêncial para ser o que Resident Evil gostaria de ser nos dias de hoje. Aparentemente Survivor iria mais profundamente com a questão da sobrevivência e por abordar fatos verídicos, mas I am Alive é uma opção interessante.

Nobody_joe disse...

Existe uma série japonesa que tem jogos com temática parecida, a diferença é que nela são catástrofes fictícias em cidades que não existem no mundo real. O primeiro jogo se chama Disaster Report no ocidente, e é após um terremoto. o segundo é o Raw Danger, e mostra uma cidade inundada. Recomendo os dois, ótimos jogos de exploração para PS2.

Marcos A. S. Almeida disse...

Disaster Report eu cheguei á jogar.Como ele é dos primórdios do PS2 , graficamente parece um jogo de PS1 portado para PS2.Tanto na jogabilidade quanto no visual, o que é normal num período de transição.

Breno disse...

"é realmente necessário representar esses eventos através de um jogo?A grande maioria dos jogadores clama por esse tipo de representação?"

Pergunta 1- é apenas uma ambientação,um pano de fundo para o jogo em si! O fato de ser baseado em fatos reais não iria influir na qualidade do jogo(a não ser que a apresentação,roteiro e história sejam ruins)!

Pergunta 2- Ainda existe uma parcela de jogadores que gostariam de um minimo de inovação nesses jogos!

Jimmy666 disse...

Mas daí voltamos àquela pergunta:
Porque os videogames possuem essa aura de misticismo que impedem a liberdade artística?
Se lançar um filme com catástrofes como pano de fundo(existem dievrsos)daí tudo bem, mas games não!
D:

Marcos A. S. Almeida disse...

Jimmy, á meu modo de ver as coisas ( que é o MEU modo e não sou o dono da razão) filmes são uma obra fechada , sem interação e que não pode ser modificado.Imagine o que poderia ser feito modificando um jogo em que as pessoas pulam de um prédio em chamas?Acho que recriariam algo ainda mais mórbido do que o fato em si, agredindo desnecessariamente e gratuitamente a memória dos que já foram.Mas até mesmo os filmes sofrem algum tipo de censura , vide o filme "A Serbian Film" em que foi proibida a exibição em vários países (decisão da qual eu discordo).Sem contar outros aspectos como o fato da maioria dos jogos serem feitos nos E.U.A ou em países amigos, e isso por si só já inibiria a produção de um jogo sobre 11/09 , por exemplo.E se alguma produtora russa fizer , acho vai criar um conflito desnecessário.E se esses assuntos já são tabus é porque tratam de algo delicado pra um grupo majoritário de pessoas e se é delicado pra esse grupo majoritário, porque uma minoria têm de ir contra?Só pra satisfação pessoal?São tantos os aspectos a serem debatidos, inclusive o financeiro, que sinceramente não vejo sentido buscar representar tragédias reais num jogo.As próprias produtoras segmentam excessivamente os jogos , abordando assuntos e épocas exaustivamente - já viram quantos jogos sobre a segunda guerra foram feitos?Ou sobre orcs e elfos?Ou sobre zumbis? - e tudo isso porque?Por que é o que dá dinheiro!E pra sair do lugar de sempre investir justamente em um jogo que pode ofender pessoas?É como eu disse antes: não levantarei a bandeira "do contra" se for feito pois sou á favor da liberdade de expressão, mas não vejo necessidade de abordar assuntos tabus.

Shadow Geisel disse...

já eu acho que games são um ótimo espaço para criar algo novo. acho meio chato reproduzir eventos reais. tem um jogo de PSP, Jeanne D'Arc, que retrata a personagem histórica e conflitos entre ingleses e franceses. demorei um pouco para jogá-lo por causa do meu pé atrás com essas coisas. felizmente, os fatos reais ficaram só nas referências mesmo, o que não atrapalhou o jogo de ser bom. é o mesmo caso com filmes que levam o rótulo de "baseado em uma história real". só isso já é o bastante pra me afastar deles. deve ser trauma da sessão da tarde. rsrsrs

Breno disse...

marcos não adianta,toda obra,por menos expressão artistica que possa ter vai ter gente "ofendida"! Sejam esses jogos de zumbis,de 2 guerra,de orcs e zumbis,etc! Sempre ira existir os lobbys cristães,mulçumanos,ateus,liberais,grupos de cor,feministas,feminazis,etc,etc... se sentindo ofendidos com a nova merda do momento! Criar um jogo com uma ambientação sensivel não vai fazer nenhum dano emocional em ninguem!

Na verdade hoje em dia muitas empresas querem mesmo e criar polemicas e factoides,vide Dead Space 2, inferno de Dante,Medalha de Honra ,Battlefield 3,Mass Effect,etc...(ironico todos são da EA lul)! Então a argumentação antiartistica e puramente voltada ao financeiro!

Shadow Geisel disse...

alguém aí sabe a quantas anda a série Baldur's Gate? tem algum jogo previsto para este século? sempre ouço todo mundo falar muito bem do segundo, que eu não joguei por mais de uma hora.

Jimmy666 disse...

Bom, muitas "polemicas" de jogos são claramente forjadas...
Tal país bane Call of Duty, tal não sei o que declara isso ou aquilo...
Quer melhor marketing do que ver a midia falando do teu produto sem gastar 1 centavo?

Breno disse...

"alguém aí sabe a quantas anda a série Baldur's Gate?"

A sete palmos do chão!

Breno disse...

Exato Jimmy! Tenha certeza que quando vc ouvir que um jogo foi cancelado por querer retratar de assuntos sensiveis,na verdade o motivo é que as publishers acham que o jogo não vai vender os milhoes esperados!

A não ser que seja um indie obscuro,feito um jogo da engine de wolfestein que queria retratar um judeo fugindo de um campo de concentração! Achei besteira ter sido cancelado!

Shadow Geisel disse...

o engraçado é que quase todas essas polêmicas simplesmente passam por cima do sistema de classificação etária do jogo. não basta informar e catalogar o produto. parece que o simples fato dele existir já é uma ofensa à moral e bons costumes.
que tal atribuir responsabilidade a quem realmente tem, que são os paisw
certa vez eu fui a uma lanhouse, e me deparei com a cena de uma menina de uns 10 anos explicando à mãe que no GTA San Andreas era possível matar quem quisesse, inclusive as prostitutas. a mãe, nem um pouco escandalizada, só fazia menear a cabeça e dizer uhum... depois disse que voltava em uma hora pra pegar a filha...
lanhouse é creche, e o PC é a babá. de que é a culpa disso? do dono da lanhouse, que permite que um menor de 18 consuma um produto inapropriado a sua idade? dos pais, que utilizam videogame para se livrar da tarefa de cuidar de seus filhos? o seria da criança, que joga um jogo violento mesmo sabendo que não devia? dos fabricantes é que não é.

João Luiz disse...

vai ser lançado baldur's gate enhanced edition, ainda esse ano, tem até um site sobre o assunto...

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