Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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9 de novembro de 2011

Gemind - Explodindo Gente

(Publicado originalmente no Gemind)

Assista a cena abaixo:

Para efeito de comparação, assista também o clipe abaixo:

A Lista de Schindler O primeiro vídeo, “vazado” do novo capítulo da franquia Call of Duty, causou alvoroço entre alguns portais e blogs de jogos na semana passada. Curiosamente, não se tornou pauta de nenhum jornal tradicional, frequentemente os primeiros a apontar dedos acusatórios para a indústria dos jogos eletrônicos.O segundo vídeo faz parte da cena de abertura de Os Intocáveis, de 1987. O filme foi indicado a quatro Oscars, deu uma estatueta por Ator Coadjuvante para Sean Connery e lançou a carreira de Kevin Costner.

O diretor Brian de Palma não está sozinho em sua arte de utilizar o homicídio de crianças como elemento narrativo de impacto. Há também John Carpenter em  Assalto à 13ª DP, Steven Spielberg e a famosa cena da garotinha colorida em A Lista de Schindler, Fernando Meireles em Cidade de Deus, Lars von Triers em Dogville, Martin Scorcese em Ilha do Medo. Sem querer citar os filmes de terror ou filmes alternativos.

Quase vinte e cinco anos depois e ainda estamos discutindo se pode ou não pode explodir menininhas na ficção. O que diferencia a Activision e seus roteiristas do que é praticado em Hollywood? O que diferencia os jogos eletrônicos de outras formas de se contar uma história? Por que o preconceito parte da própria comunidade, que compra fácil a história do “vazamento” de uma cena específica dias antes do lançamento oficial e gera tanta polêmica? Houve quem acusasse a cena de ser desnecessária. Talvez, já que Call of Duty não está aí no mercado para ficar propondo reflexão sobre as consequências do terrorismo, o que é uma bela oportunidade perdida. Houve quem acusasse a cena de ser chocante. Sim, certamente. Mas, se pelo menos um jogador do FPS parar um segundo para pensar no que acontece de verdade quando terroristas agem, já terá valido a eventual confusão fabricada.

E nem é a primeira vez em que um jogo da série Modern Warfare se vê na berlinda. No capítulo anterior, durante o nível “No Russian”, o jogador se vê posicionado no papel de um agente infiltrado em um grupo terrorista e, para manter seu disfarce, é obrigado a participar de um massacre de civis em um aeroporto de Moscou. Quando, na vida real, aconteceu um atentado a bomba neste mesmo aeroporto em Janeiro deste ano, uma TV russa associou os dois eventos, insinuando que os verdadeiros terroristas teriam se espelhado no FPS. O fato de que, no mesmo jogo, os terroristas recebem a mesma justiça de Osama Bin Laden e são aniquilados pelo jogador não foi levado em conta na teoria da “inspiração”.

No Russian

Mas a realidade é muito mais suja e menos fantástica que explosões de monumentos, operações submarinas, perseguições de trenó e máscaras de esqueleto. Em um mundo onde o rosto destruído do cadáver de um ex-ditador estampa manchetes de jornais, Modern Warfare 3 e suas estripulias soa inofensivo.

Debaixo do Arco-Íris

Alheio às controvérsias, Tom Clancy, o escritor que ganha a vida explorando fantasias militaristas de equipes de elite perfeitas, prepara o retorno da série Rainbow Six. Para quem não se lembra, a franquia se diferenciava dos tradicionais FPS por apresentar uma camada tática que exigia muito planejamento e raciocínio do jogador ao invés de dedos rápidos no gatilho. Em seu sexto capítulo, o foco será um assunto espinhoso e pouco debatido: o terrorismo doméstico.

Rainbow-Six-Patriots

Em Rainbow 6: Patriots, saem de cena os onipresentes terroristas de turbantes, os truculentos russos, os traficantes latinos e outros estereótipos do gênero de ação e entram no palco simpatizantes de extrema-direita, americanos, muito bem organizados, que pretendem derrubar o governo. Este tipo de ameaça existe, ainda que tenha sido ofuscada depois do 11 de setembro e raramente apareça entre os campeões de vendas dos jogos eletrônicos.

Mais do que expor uma ferida apenas com sua escolha de vilões, o título pretende também exibir a tensão da tomada de decisões antiéticas em prol da segurança pública. A Ubisoft divulgou um vídeo-conceito do jogo que exibe algumas interessantes características, incluindo o ponto de vista de um homem-bomba, a morte de civis no fogo cruzado e uma cruel conclusão:

Com o jogo previsto para o distante ano de 2013, ainda é cedo para calcular o tamanho da polêmica ou quantas boas ideias serão abandonadas no caminho. Mas, com toda a certeza, ainda não vimos o fim das explosões.

Ouvindo: Plastique Noir - Genebra
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18 comentários:

Breno disse...

Aquino eu li o artigo mas resolvo te perguntar por aqui:Vc citou a imprensa de games como levantadora de polemicas onde não deveria existir. vc poderia passar os links desses sites que vc acusa?

E esse MW3 é só cutscenes e mocap mesmo,PQP,prefiro ver filmes de animação que são tecnologicamente mais avançados.

O trailer de rainbow six parece interessante,mas a execução é uma verdadeira merda moderna.Pressione B para beijar esposa, O para se levantar kkkk...E ainda tem as coberturas em terceira pessoa com direito a visão raio-x digna de superman. Lamentavel...

C. Aquino disse...

Sobre os links, é só dar uma olhada aqui: http://www.google.com.br/search?q=%22call+of+duty%22+garotinha&ie=utf-8&oe=utf-8&aq=t&rls=org.mozilla:pt-BR:official&client=firefox-a. E já tem G1 e UOL reproduzindo a "polêmica"...

Veja que eu não defendi a qualidade do MW3. Nunca joguei um Modern Warfare e pelas descrições não me chama a atenção.

Sobre o Rainbow Six, apesar da temática e da direção impactante, se vê logo que é filme "interativo". Mas, novamente, a qualidade do jogo não é o foco do artigo.

Breno disse...

Eu sei!só aproveitei a oportunidade para dar uma alfinetada nos jogos!relax!

Dei uma olhada no link e essa situação mostra o quão fudido é esse jornalismo de jogos."OMG" um jogo com indicação para maiores possui cena chocante somente indicada para maiores,quem poderia imaginar isso ZOMG".

Enquanto isso eu volto a jogar FO1,FO2,Deus ex e volto a massacrar as crianças que eu encontrar

Shadow Geisel disse...

Aquino, desculpa fugir do assunto, mas não tenho outro meio de contato.
andei "assediando" alguns leitores do Retina para que visitassem meu blog.
Fui procurar umas dicas sobre gerenciamento de blogs e numa delas aconselhava a não fazer justamente o que eu estava fazendo (kkkkk).
Desculpe, não era a minha intenção. Não quero ser um troll chato que fica incomodando os participantes. Só quero participar da festa. Mesmo porque, se você tem algo de interessante para dizer, não precisa pedir para ser ouvido.

Au revoir!

Breno disse...

Um fato interessante que vc não chegou a abordar no artigo é a natureza em que essas peças de jornalismo sensasionalista de jornaleco de 0,25c são feitas. Como se pode ver na maioria dos artigos que o google search encontrou, a finalidade dos artigos é simplesmente aumentar o numero de visitas por parte do público. A ideologia por parte desses sites é apenas aumentar os lucros com o fluxo de pessoas que se interessam por essas noticias.

Shadow Geisel-engraçado essa onda de trolls,no passado eu até me incomodava com essas coisas. Hoje eu acho que é só um excesso de comportamento "politicamente correto". Descorde de alguem na internet,fale mal de um jogo,que vc já é taxado de troll e escoria da internet.

C. Aquino disse...

Fica tranquilo, Shadow. Está tudo bem.

Breno, tem "blog" informando que a "polêmica" já foi notícia da Fox News. Uma busca bem feita no site da emissora americana não retorna NADA sobre a cena. E olha que Fox tem antecedentes e o assunto podia ser um prato cheio. Mas devem ter sentido o cheiro de marketing de guerrilha ou concluíram que é uma polêmica idiota e não falaram nada. Mas aqui... teve jornal de Pernambuco com a manchete: "Game polêmico explode menina que brincava com pombos; assista à cena".

Breno disse...

Aquino a imprensa de jogos mal conhece o universo que cobre.Imagine então as fontes de informação alheias ao universo gamistico! Muitos que olham de fora acham que jogos é somente coisa de criança(embora se vc analisar a situação da midia de jogos e de muitos dos seus usuarios não da pra culpalos)!

Shadow Geisel disse...

Breno.
"Games são coisa de criança". Realmente, é incrível como uma frase tão clichê ainda possa estar tão em voga, por causa da mentalidade daqueles que se dizem "jornalistas de games". Sou um inimigo ferrenho da maioria dos veículos de jornalismo de games, como a Edge por exemplo.
Uma ótima revista que eleva a discussão sobre games a um nível adulto, mas por outro lado acaba dando nota 10 pra um game vexatório e sexista como Bayoneta. Li a ediçãoo brasileira e nem sei até onde a análise foi comprometida (se é que foi), mas é algo de se estranhar bastante.

Shadow Geisel disse...

Breno.
Sobre a sua afirmação de "...mal conhece o universo que cobre."
Cara, não pude evitar de pensar no Fallout 3.
Assisti a um vídeo review no qual o narrador falava que esse game apresenta pequenos problemas que não comprometem a diversão. Como assim? Um jogo que fica travando à medida que conteúdo é aberto; cheio de bugs e falhas das mais grosseiras tem pequenos problemas?
É preciso que o videogame exploda na nossa cara pra esses retardados (que só jogaram as primeiras 2 horas de jogo, onde tudo é muito rápido e perfeito) considerarem que há algo de errado??

Breno disse...

shadow-na verdade eu estava me referindo aos jornalistas que não cobrem jogos exclusivamente!

Mas é por causa dos jornalistas de jogos que existe tantas controversias em relação aos reviews de jogos.Considerando a analise de fallout 3 de Aquino por exemplo,apesar de não ser muito detalhista no fator gameplay e o fato de ele gostar do jogo,ele ainda cobriu uma gama de defeitos existentes no jogo que muitos dos jornalistas "especializados"nem sequer ousaram apontar. Não sei se concordo contigo pelos motivos que vc acha que bayoneta é ruim(não cheguei a joga-lo,mas pelo menos não levo muito em consideração os fatores politicos que influenciam o jogo,visto que muitos jogos que são realmente bons tem pegadas conservadoras ou ate mesmo influencias nazistas(deus ex no primeiro e arcanum no ultimo)).

Shadow Geisel disse...

Breno, o Bayoneta é tão ruim que eu nem aguentei jogar. Ele parece uma mistura de Sailor moon com as panteras e efeitos baratos de filmes de caratê.
o que eu to tentando dizer é que às vezes a imprensa parece entrar em consenso pra falar bem de um game ruim, como Demons Souls e Bayoneta.

breno disse...

Bom shadow bayoneta tem uma produção semelhante a jogos como God of war,devil my cry,berserk, etc.Como eu não tenho muita experiencia com esse genero eu procuro não opinar(embora eu tenha detestado a historia e a coesão de god of war,que alias é mais um jogo mediocre elevado a posição de deus do genero).

Ja demons souls eu até simpatizo com o jogo embora eu não tenha jogado,visto que muitas pessoas gostaram do sistema de batalha,do mundo e do desafio.Ate jogadores mais hardcore de CRPGs estão gostando do jogo.

O fato é que tem tantos jogos com metacritic acima dos 90(culpa da imprensa que e propagandista das desenvolvedoras,e do relativismo em relação a genero de jogo)que se torna muito dificil vc confiar nas opiniões dessas pessoas. Eles estão lá para fazer propaganda do jogo e não para criticar os defeitos e qualidades de determinado jogo.

LocoRoco disse...

As notas da imprensa são realmente um caso à parte. Tirar um 80 é quase um fracasso total de um jogo. Ou, a facilidade de tirar um 100 é incrível também. Pensar que o MW3 tirou 95(destructoid), o que significa estar a cinco pontos da perfeição, de um jogo que irá marcar para sempre a indústria, equiparando a outros jogos que assim fizeram, é algo patético.

Poa Kli-Kluu disse...

Não quero me intrometer no diálogo de vocês, mas Shadow, devo ponderar suas colocações.

Na moral, com todas sinceridade: Eu joguei muito Bayonetta, adoro o gênero e ja joguei muitos jogos no mesmo estilo. Se você não gosta de Bayonetta e acha-o medíocre, bem, essa é sua opinião. Eu achei um jogo ótimo. Apenas nos diferimos em opinião.

Ao comprar uma revista, você paga pela opinião em primeiro lugar daquele carro específico da mídia. E por mais que eu discordasse de muitas coisas da EDGE, eu era leitor asíduo, mas trincava os dentes para tentar lê-la de maneira mais imparcial possível.

Acho que desconsiderar a EDGE por sua opinião(indiferentemente se foi tendenciosa ou não), é extremista demais.

O sexismo é uma tendêncial mundial, isso é evidente. Porém uma coisa que eu realmente acho ridícula é a suposta "maior" revista de games do Brasil, a EGW, colocar uma relação de notas dadas por outras fontes aos jogos que eles analizaram naquela edição, como se eles se importassem em se manter na 'média' nas notas dadas pelas outars empresas. Eu também sou leitor asíduo da EGW, mas isso é no mínimo pertinente.

Acredito que um jornalismo nesse nível como estamos comentando aqui, é característico de um mercado em ascensão.

Shadow Geisel disse...

"é mais um jogo mediocre elevado a posição de deus do genero".
Acho um pouco exageradas as suas palavras sobre o GOW, Breno.
Se você teve a oportunidade de jogar o primeiro game da série, na época do seu lançamento, veria que não nem um traço de mediocridade em GOW.
claro, a história não é das mais profundas mas, se for por isso, séries como Castlevania e Megaman (que cativam mais pela experiência de jogo e jogabilidade) não deveriam nem existir.
Guerreiro que busca uma forma de salvar a princesa do reino. Essa fórmula não é nem um pouco original, mas não impediu que Shadow of the Colossus fosse um jogo inesquecível.
Nesses dois casos, o que vale é a execução, e nessa parte (principalmente jogabilidade) God of War continua sendo insuperável.

Breno disse...

Os valores de produção de god of war é top de linha para o playstation 2,mas o que me incomodou mesmo foi a história cheia de buracos,o protagonista mal desenvolvido e a falta de coesão com o mundo.Por exemplo:em um QTE Kratos pode levantar templos de marmore com os punhos e destruir inimigos do tamanho do WTC,mas na jogabilidade real eu não consigo destruir uma simples porta de madeira(duhrr tenho que achar a chave)ou fazer qualquer coisa do tipo(o jogo sofre com as piores paredes invisiveis).Essas caracteristicas me deixaram bastante ceticos a respeito desse jogo.O conceito que eu aplicaria a ele é que o jogo é uma "merda bem polida".

Breno disse...

E outra,existe uma caracteristica no combate de God of war que eu não suporto:Filler.E disso ele ta cheio.90 metascore my ass!!

Shadow Geisel disse...

"O conceito que eu aplicaria a ele é que o jogo é uma "merda bem polida"."
Ai, Ai... Mais exageros da sua parte.
concordo plenamente com você sobre a força in e out game de Kratos (afinal, estamos jogando com um semideus ou não, afinal das contas?), mas você deve saber que certas "licenças poéticas" devem ser toleradas para não tornar o game fácil ou previsível demais.
Algumas coisas simplesmente não podem invadir a área da jogabilidade e afetar a narrativa de um jogo.
Por exemplo: por que os personagens de uma série como Final Fantasy fazem tanto drama com relação à morte, num mundo cheio de Phoenix Downs? Primeiramente, porque se você ler a descrição do ítem, verá que o mesmo não "cura" morte, e sim reverte o status KO (knocked out, ou seja, desacordado). Segundo, qual seria o impacto narrativo de uma história em que já é sabido que os personagens não correm nenhum tipo de risco?
Concordo plenamente com você sobre a questão de notas "overrated". Se for pra dar uma nota muito alta ou muito baixo (merecidamente, claro), é melhor que seja o segundo caso, pois dessa forma a imprensa estaria cumprindo seu papel de deixar o consumidor esclarecido sobre quais produtos (games) merecem investimento ou não.

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