Retina Desgastada
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1 de outubro de 2011

Convergência

Dead Space Martyr A experiência multimídia na qual a EA Games transformou o universo de Dead Space tem no livro Dead Space: Martyr seu exemplar mais intrigante. Não apenas por se tratar de um livro de 384 páginas, em uma franquia composta por jogos, animações e quadrinhos. Longe se foi o tempo do conceito equivocado de que jogadores e leitores compõem tribos opostas. Martyr intriga por não seguir a linha do tempo atual da série e mostrar eventos de duzentos anos antes, quando os tetravós de Isaac Clarke ainda não tinham nascido. E, se traz consigo um punhado de respostas sobre seus enigmas, traz ainda mais perguntas e uma nova perspectiva, para uma saga já convoluta.

Em Martyr, Brian Evenson narra a origem da Unitologia e a descoberta do primeiro Marker, na Terra. De onde veio o Artefato? Que efeitos ele provoca na mente humana? Quem foi Michael Altman? Como e por qual motivo ele fundou a bizarra igreja da Unitologia? Todas estas perguntas são respondidos ao longo do livro. Com a aterradora exceção da primeira.

Para um título inspirado em um jogo de horror, ele é surpreendentemente carente de fator medo. Existem cenas grotescas, existem momentos inexplicados, existem monstros e vilões, mas nada que arrepie a espinha de quem já explorou a Ishimura. Dead Space, a franquia, se afasta cada vez mais do terror na medida em que seus detalhes são esmiuçados e a repetição se acumula. Você já viu este ciclo antes: um Marker é descoberto, pessoas enlouquecem, pessoas morrem, pessoas voltam transformadas em Necromorfos. Evenson não demonstra ter muita habilidade para pegar a receita e injetar uma dose a mais de suspense. Quase tudo é previsível.

MarkerA primeira parte do livro quase se arrasta com os primeiros contatos com o estranho artefato alienígena. Em vários momentos, as conspirações e os personagens frios e calculistas roubam a cena que deveria ser do Marker e o livro parece que vai tomar um rumo similar ao de Arquivo X, mas sem o mesmo carisma. Evenson insiste em usar estereótipos e até figuras cômicas para compor alguns dos indivíduos que cruzam a trama. Felizmente, pouco antes do meio, o enredo dá uma forte guinada, até um pouco forçada, e Altman é colocado adequadamente no centro da ação. Neste ponto, algumas respostas começam a surgir, assim como algumas teorias interessantes, enquanto a loucura se espalha entre aqueles designados a pesquisar o objeto mais antigo que o Homem.

Martyr demora a mostrar os Necromorfos. Por incrível que possa parecer, isto é uma vantagem a seu favor, quando Evenson se concentra mais nos bastidores da descoberta e nos oferece a velha certeza de que existem entre nós monstros piores do que os próprios monstros mutantes. A partir do instante em que os Necromorfos entram em cena, o livro cumpre a burocrática reverência ao jogo de origem e nos apresenta uma interminável sucessão de batalhas enfadonhas com as criaturas. Aquilo que funciona com perfeição quando o jogador está no controle, leia-se "ser surpreendido, apanhar, decepar membros, esmagar carcaças, avançar, repetir", escrito no papel não tem o mesmo impacto e não cativa. Mas, que seja. É um livro sobre Dead Space e os fãs reclamariam se não tivesse esse tipo de ação.

Michael Altman carrega o livro nas costas e se mostra um dos personagens mais surpreendentes de toda a saga. Ainda que Evenson mergulhe muito pouco em suas motivações (existe um relacionamento emocional que praticamente só serve para marcar ponto), ele foge da concepção estereotipada dos que estão à sua volta. Em sua composição, ele é um homem obcecado pelo conhecimento, capaz de arriscar tudo para atingir sua meta. Como um profeta relutante, ele recebe o manto da Unitologia e tem um destino bombástico, que irá refletir sobre tudo o mais já criado dentro de Dead Space. Não se iluda, Martyr brilha mesmo em suas páginas finais e na maquiavélica conclusão.

Altman seja Louvado.

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3 comentários:

EsquizoDouglas disse...

Olha Aquino, a um tempo atras eu estava bastante interessado pelo livro, mas agora eu não sei mais. Narrativa arrastada, esteriotipos e repetição de batalhas em sal são caracteristicas de livros que eu desprezo com força.
Por outro lado a personalidade de Altman parece ser bem montada e bem interessante, alem do livro dar algumas respostas. As perguntas são vale a pena comprar o livro? e você sabe se ele é vendido aqui no brasil?

C. Aquino disse...

O livro vale por ver como tudo começou. Na verdade, a personalidade do Altman poderia ser melhor trabalhada, mas sua origem como messias é bem interessante. Por outro lado, não se preocupe com as batalhas sem sal: o livro tem poucos confrontos com os Necromorfos, mas, quando acontecem, são repetitivas, não são nada que você mesmo não tenha feito melhor jogando. O livro não é vendido no Brasil, logo, não tem tradução. É mais barato que um jogo AAA no lançamento, mas o frete costuma subir o valor. Enfim, só recomendo se você encontrar bem barato, souber ler inglês e for fã da franquia.

Poa Kli-Kluu disse...

Houve também o livro do Assassins Creed, lançado a pouco tempo também. Uma matéria sobre ele foi publicada na EGW deste mês.

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