Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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5 de setembro de 2011

Batismo de Jogos

Kid Chameleon

Desde o final do ano passado eu venho pensando em quando seria o melhor momento para "iniciar" meu filho neste mundo fantástico dos jogos eletrônicos. Pensei inicialmente em comprar um Cybergame no Natal passado, mas o preço não cabia exatamente no meu orçamento naquele momento, na mesma época em que minha máquina de lavar deu seu último suspiro. E tanto minha mãe quanto minha esposa achavam que três anos de idade ainda era muito cedo para começar a jogar. Aquela idéia ficou guardada.

Um mês depois, sentado no meu colo, matando monstros, o pequeno guerreiro deu sinais de que o fruto não cai longe da árvore. Sem dinheiro para um console próprio para ele (vai que ele não se adapta?), porque não investir no próprio PC como plataforma de entretenimento para a primeira idade? Esbarrei em três problemas: "ele ainda não tem idade para isso" pulsando de forma intermitente no meu ouvido, a ausência de boas opções de jogos de PC para crianças a um preço aceitável, e a "delicadeza" que meu filho bate no teclado, meu instrumento de trabalho de todos os dias.

Quando ele completou quatro anos, o primeiro empecilho caiu, como mágica. Para resolver o segundo, fiquei dividido entre os pacotes de jogos clássicos oferecidos pela Sega e a saída da emulação. A primeira opção era barata, legal e me deu a chance de realizar o primeiro teste na Nuuvem. Comprei um pack com dez jogos, todos desconhecidos para mim e lançados durante minha adolescência sem jogos. Por outro lado, a emulação tem um custo zero, desde que você tenha banda larga e paciência para entender como funciona. Experimentei o Dolphin e não estou arrependido.

O terceiro obstáculo foi vencido este final de semana: comprei um par de gamepads, outra lacuna em minha formação de jogador. Entre o joystick de dois botões dos anos 80 e as dezenas de teclas do teclado do final dos anos 90, meu conhecimento é um grande vácuo. Em vinte minutos, porém, já parecia que eu tinha nascido com um gamepad na mão. Joguei as imagens para a televisão, configurei os controles, testei tudo. E acordei o garoto da soneca da tarde.

Ecco Jr. Meu filho é fanático pelo fundo do mar. Culpa da Pixar e do Nemo. Nos primeiros instantes de Ecco Jr., ele estava gritando entusiasmado e TIRANDO o controle de minhas mãos aos gritos de "agora sou eu, agora sou eu!". Expliquei o básico do jogo para ele e deixei solto. Este deve ser o título perfeito para crianças de quatro anos (que gostam de mar): você não tem como morrer, você não mata ninguém, é muito colorido, não é nada difícil. Em minutos, o garoto estava fazendo coisas no jogo que eu não sabia que podia, como pular para fora da água ou pular por cima de corais. E o gamepad aguentou o tranco com louvor. Infelizmente, meu filho ainda não se adaptou ao direcional e ocasionalmente ficava empacado em um canto da tela sem saber como sair. Antes da frustração tomar conta, eu tirava o golfinho do lugar e colocava de volta em mar aberto, para ter o controle novamente arrancado de minhas mãos.

Ele fez questão de acordar a mãe para mostrar que estava jogando. "Vem ver, mãe, vem ver eu jogando!".

Ristar Com a natural dispersão da idade, meia hora depois ele queria outro jogo. Como ele sabia que havia outro, eu não sei. Mostrei Kid Chameleon para ele, joguei um pouquinho, passei o controle, mas depois de alguns pulinhos ele desistiu. Depois foi a vez de Ristar, um jogo tão colorido que até minha esposa se espantou e disse que era lindo. Mas meu filho? Não se interessou. Joguei dois minutos de Ristar para mostrar para ele e ele insistiu que eu colocasse outro jogo. Era a hora do Dolphin mostrar a que veio.

Comecei com o inquestionável Mario Kart Double Dash. Afinal, ninguém resiste a Mario. Ou resiste? Em menos de uma volta de demonstração, veio a sentença: "quero outro jogo!". A esta altura da brincadeira eu já estava imaginando que a reserva de atenção do meu filho estava vazia. Parti para Disney's Donald Duck: Goin' Quackers, um título que eu queria saber como iria funcionar no gamepad, já que eu tinha levado uma surra no teclado enquanto estava... estava testando... para ver... para ver se o menino iria gostar. Um teste de alguns dias. E tal. Enfim, no gamepad, a resposta do pato foi bem melhor e eu consegui progredir bem além do primeiro nível. Para minha surpresa, desta vez meu filho gostou de assistir o Pato Donald, apesar de não pedir o controle em nenhum momento. Enquanto eu seguia "demonstrando" para ele, ele foi dispersando, dispersando, dispersou.

Se antes estávamos no prólogo, agora o primeiro capítulo começou. Daqui a alguns anos, ele vai estar me surrando em Super Mario Galaxy 4 ou Call of Duty 9: Makarov Lives. E nós dois vamos estar rindo, retinas rejuvenescidas.

Ouvindo: Halo 2 - Sacred Icon Suite

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7 comentários:

breno disse...

Lembro de minha infancia jogando ecco the dolphin-tides of time.Jogo enorme(umas provaveis 56 fases,sem contar que em dificuldades mais altas o numero de fases almenta) e super dificil.Uma pena não termos jogos contemporaneos com essa tematica aquatica(com excessão para o jogo aquaria,mas esse data de 2007).

Marcos A. S. Almeida disse...

Na verdade ele não sabia que tinha mais jogos e é totalmente instintivo nessa idade pedir "mais", nós é que temos de nos "virar" e arrumar outros...Acredito que com o tempo, vendo você jogar, ele irá tomar como exemplo e construir sua própria identidade "gamística".Acho que um console só pra ele seria o mais indicado, pra independêcia sua e dele.O primeiro contato do meu filho mais velho foi com um SNES mas o mais novo não teve essa oportunidade pois eu já tinha vendido.Comprei então aquela "tranqueira" que vinha um monte de jogos de NES na memória e esse foi o primeiro contato do meu filho mais novo com os games.Muito mais tarde é que iría-mos compartilhar o PSONE ,mas aí ele já tinha habilidade suficiente pra não destruir o controle analógico.
Aquino, já que você comprou gamepads , sugiro que dê uma segunda chance ao Resident Evil 4.Como eu já tinha dito anteriormente , jogar a versão de PC no teclado é totalmente sofrível, mas com o joystick é TOTALMENTE diferente.Você está com um clássico engavetado, sem nunca ter jogado completamente.E vou além: você está dispensando O MELHOR Resident Evil (com todo respeito ao pioneiro Resident Evil 1)

C. Aquino disse...

Breno, eu cheguei a pensar em comprar o Aquaria, mas achei o preço salgado: 20 dólares em um título que talvez meu filho não se adaptasse.

Marcos, se e quando o garoto engrenar nos jogos, um console para ele será inevitável nem que seja um "pollystation" no começo. Resident Evil 4 no gamepad? Excelente idéia!

Breno disse...

Aquaria é um metroidvania,não é muito aconselhavel para a idade do seu filho,mas é um otimo jogo por sinal!
Agora comprar um console para o muleque,só se for o caso para ele não ficar o tempo todo no computador!Quando ele tiver com cordenação motora suficiente,pode colocar ele no pc sem pena!E nada de Call of Duty:wathever para ele!deixa ele se acostumar com os ultimas,planescape entre outras perolas.Tambem vai ser otimo para ele já ir pegando a manha com o ingles.
Sobre Resident Evil 4,é um bom jogo(apesar da fraca história,mas isso é valido para toda a franquia),mas vc ainda vai ter que aguentar os terriveis quick time events do jogo!

João Luiz disse...

não estraga teu filho com o pollystation... ehhehe

e com um controle e emulador, tu tens todos os consoles, nem precisa comprar nenhum não...

João Luiz disse...

http://www.gemind.com.br/1584/jogos-sensacionais-jogadores-insatisfeitos/

ótimo artigo do gemind.

e concordo com o cara: antigamente se reclamava menos, mesmo que a quantidade de jogos ruins fosse absurdamente alta (quem teve msx sabe do que tô falando).

Fagner P. disse...

Call of Duty 9: Makarov Lives HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH.

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