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Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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13 de junho de 2011

Volta ao Mundo: França

Se a primeira coisa relacionada a jogos eletrônicos que vem à sua cabeça quando se fala de França é a Ubisoft, você não está sozinho. A empresa francesa tem a segunda maior equipe de desenvolvimento interno do mundo, com 23 estúdios espalhados em 16 países. Entre 2008 e 2009, ela teve um faturamento de mais de um bilhão de euros. No seu catálogo de títulos existem franquias poderosas como Assassin's Creed, Far Cry, Splinter Cell, Ghost Recon, Prince of Persia, Myst... Então, quando se pensa em França, não tem como não pensar em Ubisoft.

assassin's creed

Atari Entretanto, nem só de Ubisoft vive a indústria no país. Um pouco antes do crescimento dela, houve um outro gigante francês chamado Infogrames Entertainment. Apesar de não desenvolver jogos por conta própria, ela produziu, publicou e distribuiu títulos de inúmeros estúdios para diversos consoles e assimilou diversas desenvolvedoras em seu crescimento explosivo, entre 1996 e 2002. Fizeram parte do grupo Infogrames, a GT Interactive, a Hasbro, a Accolade, a Shiny e a Atari. Curiosamente, foi esta última, tão associada à cultura americana que garantiu uma nova vida à Infogrames. Após uma sucessão de perdas financeiras, o grupo francês se esfacelou, vendendo estúdios, franquias e direitos de licenciamento para seus concorrentes e ex-associados na tentativa de continuar operando. Em uma complicadíssima reviravolta administrativa, a empresa que antes tinha sido dona da marca Atari, trocou de nome para Atari. Apesar de ter quase nenhuma ligação com a pioneira empresa americana líder dos arcades dos anos 70, hoje a Atari é francesa.

Os anos 80 foram muito produtivos para a emergente indústria francesa de jogos. A Infogrames foi fundada em 1983, a Ubisoft em 1986. E em 1985 surgiu a Microïds, responsável pelo desenvolvimento de dezenas de títulos, principalmente na área dos adventures, mantendo a chama acesa mesmo em uma época em que poucas empresas seguiam apostando no segmento. A Microïds foi responsável pela franquia de jogos Dracula e Syberia, entre outros. A empresa de Paris também se tornou uma forte distribuidora de jogos na Europa e, desde 2010, faz parte do grupo Anuman.

E, em 1987, tivemos o nascimento da Silmarils, que se inspirou claramente em Tolkien para se batizar. A desenvolvedora teve seu momento de glória no iniciante mercado de jogos de RPG para computador na França e foi responsável pela franquia Ishar. Infelizmente, os anos 90 não foram muito gentis com a Silmarils e ela se arrastou até a falência em 2004. Atualmente, seu catálogo de raridades está quase todo disponível no DotEmu, o serviço de distribuição digital de jogos antigos que compete com os poloneses do GOG. E isto não é obra do acaso: o DotEmu é uma empresa 100% francesa. Também extinta em 2004 e também no catálogo do DotEmu está a Delphine Software. Fundada em 1988, ela alcançou fama mundial com dois títulos marcantes: Another World (também conhecido como Out of This World) e a franquia de motovelocidade Moto Racer.

Another World

A Arkane Studios pode fazer parte hoje do grupo americano Zenimax, mas continua operando em Lyon, na França. Seu primeiro título, Arx Fatalis (de 2002) foi uma releitura do clássico Ultima Underworld, seguido pelo mediano Dark Messiah of Might and Magic. A empresa também prestou assessoria em design, animação e arte para Bioshock 2. Debaixo do mesmo teto da Bethesda, agora ela trabalha em um RPG em primeira pessoa ainda não anunciado.

Talvez o melhor exemplo da criatividade francesa seja a  Quantic Dream, uma das mais cativantes desenvolvedoras de jogos da atualidade. Desde 1997, com o lançamento de Omikron: Nomad Souls, a empresa vem tentando expandir os limites da indústria com mundos fascinantes, jogabilidade ímpar ou histórias bem construídas. Apesar de ter lançado apenas três títulos em sua carreira (os outros são Indigo Prophecy e Heavy Rain), a desenvolvedora de Paris acumula prêmios e o reconhecimento dos jogadores. Talvez por estar longe da pressão comercial dos grandes mercados, talvez por ter a combinação certa de profissionais, talvez pela mão firme do diretor David Cage, a verdade é que a Quantic Dream conquistou seu espaço.

Heavy Rain

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3 comentários:

Marcos A. S. Almeida disse...

Incrível como o Tolkien é inspirador!Quando você falou da SILMARILS, lembrei do livro O SILMARILLION , que por sua vez inspirou o nome do grupo MARILLION.E curiosamente na série Game of Thrones têm um personagem chamado MARILLION (esse eu já não sei se foi inspirado por Tolkien , pelo grupo ou nenhum dos dois!)

ED RM disse...

Só pra ser chato, Tomb Raider, até one eu saiba, é a Eidos/Square Enix. ;-D

Bem interessante essa "volta pelo mundo" com empresas de games. Espero que continue!

Por fala na Quantic Dream, adorei Omikron, apesar de ter seus defeitos em tentar ser "vários" em um só. Já Fahrenheit / Indigo e Heavy Rain achei... que "faltam" coisas na parte da jogabilidade, e que eles se propõem ser muito "sérios e cinematográficos" mas por vezes os diálogos/narrações são bem forçados e não muito interessantes.

Quem sabe um Omikorn 2 no futuro.

C. Aquino disse...

GAFE HISTÓRICA!! Foi mal! Já removi o Tomb Raider da lista...
Fahrenheit descarrilhou na reta final e descarrilhou feio, mas era um bom jogo. Omikron está na minha lista de arrependimentos (quase comprei, estava com a caixa na mão!) e Heavy Rain é minha dor de cotovelo por não ter saído para PC.

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