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Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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6 de abril de 2011

Hip-Hop nos Jogos – Parte II

Conforme vimos na primeira parte deste artigo, figurões do hip-hop casca-grossa, como Snoop Dogg, Ice-T, Ice Cube e 50 Cent ficam mansinhos quando o assunto é jogo eletrônico e tentam arrumar uma forma de unir a música com a jogatina. Nem todo mundo, porém, alcançou o mesmo sucesso nessa empreitada. Vide o também polêmico Eminem. Para alguém que já brigou com todo o sistema e até já foi parceiro do Justiceiro nos quadrinhos, era de se esperar que o inimigo público número um da América tivesse estendido sua agressividade para o mundo dos jogos. Na verdade, não foi falta de tentativa. Em 2003, a Conspiracy Entertainment estava com tudo pronto para lançar um jogo exclusivo de Eminem, chamado de "Mix TV Presents: Eminem". O título rodaria no Playstation 2 e no PC e misturaria desafios lógicos com vídeos e músicas do cantor. O projeto estava escalado para ser apresentado durante a feira de jogos E3 daquele ano. Mas deu tudo errado. O que aconteceu? Eminem brigou com a produtora. Seus representantes legais foram processados em 5 milhões de dólares por frauda e quebra de contrato.

Eminem (em Chronic) O desastre jurídico em que se transformou "Mix TV Presents: Eminem" não foi a primeira, nem a última marca de Eminem na indústria. Antes, em 2000, a Interscope Records descobriu uma forma inusitada de promover o álbum "The Marshall Matters LP" do cantor. A gravadora transformou o rapper e o produtor Dr.Dre em personagens jogáveis em um mapa multiplayer exclusivo para Quake III Arena. O resultado final ficou meio limitado pela tecnologia, mas, se você ainda possui o jogo original, você pode baixar e experimentar o mapa gratuitamente. Mais tarde, como vimos, Eminem voltaria a aparecer como um coadjuvante no primeiro jogo de 50 Cent, emprestando sua aparência e sua voz para um policial corrupto. Atualmente, ele apenas prestou consultoria e cedeu algumas músicas para o jogo DJ Hero.

Se a experiência de Eminem com os jogos eletrônicos é pequena, o que dizer de um rapper cujo nome artístico é... The Game?! Nascido Jayceon Terrell Taylor, o cantor e ator tem em seu currículo uma série de discos de sucesso e uma igual quantidade de processos, prisões e acusações que vão de posse de arma a agressão. Assim como 50 Cent, The Game também já foi baleado (cinco tiros, de uma só vez). Assim como todo mundo, também já brigou com Eminem. Entretanto, sua participação nos jogos se resume a dublar um personagem em Def Jam: Icon e a dublar Mark 'B-Dup' Wayne no começo de GTA: San Andreas. Alguém se lembra de "B-Dup"? Ele era um traficante de crack que forçava um antigo membro da gangue de CJ a fazer tarefas domésticas em troca da droga e foi morto quando seu ex-"escravo" se revoltou. Lembrou? Nem eu.

Caixa do Jogo Da lista dos quase anônimos vem o Wu-Tang Clan, um coletivo de hip-hop da cidade de Nova York formado por nomes como RZA, Method Man, Ghostface Killah, entre muitos outros. Em 2007, o grupo foi eleito o quinto melhor grupo do estilo de todos os tempos pela MTV. No ano seguinte, o site About.com escolheria o Wu-Tang Clan como o melhor grupo de hip-hop de todos os tempos. Muito antes de eles alcançarem esta pompa toda, eles foram os protagonistas de seu próprio jogo de luta: Wu-Tang: Shaolin Style. Lançado em 2000, para o primeiro Playstation, o jogo contava através de sequências filmadas a história de um grupo de lutadores de artes marciais discípulos do último mestre da esquecida luta do Wu-Tang! A aventura começa quando o tal mestre é seqüestrado por um rival interessado nos segredos do Wu-Tang. Cabe aos discípulos, baseados nos rappers do grupo, derrotarem uma legião de lutadores e salvar o seu mestre. Apesar dos clichês, o título teve uma receptividade boa por parte da crítica por apresentar algumas inovações no gênero e pela violência dos combates. A trilha sonora era composta por canções exclusivas criadas por membros Wu-Tang Clan.

Wu-Tang Shaolin Style

A Activision, desenvolvedora do jogo, chegou a lançar uma edição especial com um controle customizado na forma do símbolo do Wu-Tang Clan. O controle tinha todas as funções do controle normal do Playstation. Menos a capacidade de vibrar. Ou os controles analógicos. Ou a forma ergonômica. Mas, ainda assim, hoje é considerado um item de colecionador.

Wu-Tang Controller E o que acontece quando você junta em um mesmo lugar um punhado de rappers sem força para protagonizar seus próprios jogos? O que acontece quando você coloca todos eles para sair no tapa? O resultado é a bem-sucedida franquia Def Jam, da gravadora homônima. Ludacris, DMX, Method Man, e vários outros foram personagens lutadores do jogo Def Jam Vendetta, lançado em 2003 para Playstation 2 e Gamecube. A trilha sonora, obviamente, reunia o melhor que a gravadora tinha a sua disposição. A resposta ao sucesso foi Def Jam: Fight for NY, a mesma fórmula, com mais rappers, mais música e mais lutas logo no ano seguinte. Esta continuação geraria um derivado para o PSP em 2006, Def Jam Fight for NY - The Takeover, ainda que sua história fosse anterior ao primeiro título da série. Em 2007, Def Jam: Icon daria uma guinada na franquia, trazendo ainda mais rappers, mas reduzindo os combates. O produtor executivo, Kudo Tsunoda, declarou na época que não achava que lutas e hip-hop se misturavam muito bem. Pelas telas abaixo, eu diria que o senhor Tsunoda não viu o jogo que ele mesmo produziu:

 Def Jam Icon Def Jam Icon 02 Def Jam Icon 03Finalmente, em 2010, sairia Def Jam Rapstar, sem rappers, sem lutas, pouca música. Para espanto de todos, o último jogo a levar o nome da gravadora seria um karaokê temático focado no hip-hop...

Ouvindo: London After Midnight - The Christmas Song
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2 comentários:

Guilherme disse...

Muito bom seu blog ! Parabéns pelos 3 anos !!
visitem o meu ! www.godofgamesbrasil.blogspot.com
gostaria de fazer parceria com vocês !!!
Obrigado

Marcos A. S. Almeida disse...

Já disse á várias pessoas que Def Jam:FFNY é definitivamente o melhor jogo de luta do PS2 (me desculpe Tekken 5...) e um dos melhores que já joguei.E isso dito por mim, que não sou fã de nenhum dos rappers retratados no jogo e muito menos gosto de hip-hop, apesar de ao menos 03 músicas do jogo ficarem em nossa mente durante o modo história á ponto de eu passá-las para o meu mp3.Jogabilidade ótima, gráficos muito bons e música no geral também muito boa.Destaque para os golpes especiais , que são um show á parte.Já Vendetta, apesar de ser o precursor, é fraco em todos os sentidos.

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