Retina Desgastada
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2 de março de 2011

Jogando: Unreal (Conclusão)

Unreal é o jogo mais difícil que eu atravessei desde o começo do Retina Desgastada. Pode-se dizer que Risen e S.T.A.L.K.E.R. tem uma curva de dificuldade e que somente após algumas horas de jogo você vai parar de sofrer na mão de qualquer oponente. Em Unreal, isso não acontece. Até o último minuto, você se sentirá o mais insignificante camundongo lutando pela sobrevivência em um mundo infestado de gatos. Gatos mutantes. Gatos mutantes das profundezas do Inferno. Ainda que você melhore com o decorrer do jogo, se (re)acostumando com os controles, as armas exóticas e os ambientes intricados, seus inimigos vão se tornando mais inteligentes, mais ágeis, com armas mais poderosas e o cenário vai se transformando em uma armadilha. Seus oponentes irão pular de buracos no teto, sair rastejando de cantos escuros ou até se materializar no meio do nada com o único objetivo de arrancar seu sangue. Você irá morrer e morrer e morrer. E quando isso acontecer, você poderá controlar a câmera ao redor do seu cadáver (ou aquilo que sobrou) e ver os alienígenas circulando ao seu redor com toda a empáfia do universo. Ou devorando seus restos.

Unreal HD 04

Não há palavras para descrever o quanto eu odeio os Skaarj. Aparentemente, eles são uma coletividade de alienígenas sob o comando de uma Rainha insectóide. Mas, quando eu falar de Skaarj, estarei me referindo ao terrível reptóide com lâminas nos punhos e a agilidade de um herói de histórias em quadrinhos. Ele faz rolamentos, ele salta em sua direção dos lugares mais improváveis, ele se esquiva dos projéteis que você dispara, ele se finge de morto para te surpreender, ele é implacável no confronto corpo a corpo e dispara esferas de energia de longa distância. Os outros Skaarj também são osso duro de roer, mas nenhum se compara em velocidade e agressividade a este. Poucas vezes, vou repetir, poucas vezes eu vi um inimigo "genérico" tão eficiente em todos os FPS que joguei.

Ao contrário dos jogos de tiro modernos, onde o mapa não passa de um túnel mal-disfarçado por onde você é conduzido através de dicas do ambiente ou uma indiscreta seta colorida flutuando no ar, em Unreal você é apresentado a cenários, templos, espaçonaves e localidades que são grandes labirintos. E você é largado ali, sem bússola, sem guia, sem lista de missões ou instruções específicas do que fazer. Em ambientes onde cada vão está ocupado por um alienígena hostil, você é obrigado a perambular a procura de uma saída que quase nunca está clara. A sensação de desespero e perigo é sufocante. Existem lugares no mapa que não possuem qualquer função além de drenar sua munição e seus nervos. Outros escondem armas poderosas ou apetrechos úteis. E outros são essenciais para encontrar a passagem para o próximo nível/fase onde você se sentirá novamente perdido e com a sensação de que não conheceu totalmente o anterior. Explorar é ao mesmo tempo prazeroso e tenso, útil e obrigatório. Unreal tem 39 destes níveis, alguns muito curtos, mas a imensa maioria é mais complexa do que um episódio inteiro de Left 4 Dead. Unreal é um título que testa suas habilidades e sua força, pela dificuldade e pelo tamanho do desafio.

Unreal HD 02

Mais de doze anos depois, seus gráficos mostram sua idade, mesmo com o pacote de alta-resolução. Mas isto não me impediu de absorver a magnífica arquitetura nativa do planeta e seus templos sombrios ou a magnificência das paisagens fantásticas que seus criadores produziram. Em Unreal você irá explorar ilhas que flutuam na estratosfera, o interior de uma nave espacial com tecnologia alienígena (e depois repetir seus passos na escuridão total, em um dos capítulos mais assustadores do jogo), além de amplos espaços a céu aberto e o emblemático castelo da abertura. Para um Explorador como eu, todas essas locações são um prato cheio.

Unreal HD 03 Unreal HD 01

Outra iguaria que normalmente passaria despercebida são os logs de texto espalhados em Na Pali. Para quem achava que Dead Space inventou a fórmula de contar a história dos eventos anteriores através destas notas, eu sugiro um retorno ao passado e a clássicos, como System Shock. Para minha surpresa, Unreal também implementou esta trama paralela que pode ser encontrada ao lado dos cadáveres dos outros humanos que pereceram na mão dos Skaarj antes da chegada do jogador. Entre uma batalha ou outra para permanecer vivo, eu pude ler estes micro-contos de sobrevivência, infortúnio e horror, com frases como "vamos acampar esta noite, espero que não sejamos encontrados" ou "estou exausto e eles se aproximam". E algumas destas histórias se estendem por vários logs, alimentando a esperança de que seu personagem não seja o único ainda lutando em um planeta escravizado. Um toque de classe do pessoal da Epic, que possivelmente é ignorado pela maioria dos jogadores, uma vez que enredo não é o foco de Unreal, mas apenas uma cereja no bolo da carnificina.

Unreal é um FPS que dá saudade dos desafios do passado e da preocupação dos desenvolvedores em oferecer experiências extensas, de dezenas de horas de duração, com mapas complicados e uma inteligência artificial que conseguir estar à frente do que é produzido hoje! Por outro lado, Unreal também marcou o início de uma louca corrida tecnológica em busca dos gráficos perfeitos, patrocinada pela própria Epic, que mudaria o cenário dos FPS para todo sempre. Mas isso é uma outra história...

Unreal HD 05

Pontos positivos de Unreal: a possibilidade de explorar ambientes amplos e intrigantes, a inteligência artificial dos inimigos, a excelente trilha sonora. Pontos negativos de Unreal: as armas são desbalanceadas e o enredo principal é frágil. Nota final: 8.5.

Ouvindo: Lord Of The Rings - Shelbos Lair
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6 comentários:

Marcel C. Da Silva disse...

Unreal me lembra do tempo em que eu jogava Alien vs Predator(GOld edition rs) noites à dentro na campanha dos Marines(era legal jogar de Alien, mas de Marine era sombrio).Certamente foi um jogo que me marcou bastante e tive o prazer de finalizar, e que até hj jogo Deathmacht dele.Bons tempos em que eu usava o número do telefone do meu amigo pra jogar multiplayer(não sei como eu fazia isso).

NasfeR disse...

E creio que o ultimo jogo dessa linha foi Doom 3.
Sem mais...

Ipsum disse...

Unreal realmente foi GRANDE... Me recordo de vários momentos, mas o mais memorável, como apontado no artigo, é a primeira luta contra um Skaarj, que ocorre num corredor comprido em forma de U. Me lembro das luzes apagando uma a uma, e depois só rosnados, tiros e dano, muito dano. Legal que é a introdução do inimigo, isso ocorre com o PRIMEIRO Skaarj, hehehe. Pretende jogar o Return to Na Pali, Aquino?

Anônimo disse...

Muito bom o jogo, só pude jogar ele esse ano, terminei o jogo oficial e sua expansão.
Já foi pra minha lista de melhores jogos.

Rodolpho disse...

Além de Unreal 1 e Return Napalm eu também tenho Unreal Awakening.

Queria muito que a série continuasse. Mas por enquanto só aparece esses jogos de Unreal Tournament.

Anônimo disse...

Unreal é um jogo fantástico que foi muito injustiçado pela própria epic. A verdadeira continuação foi Return of Napali e não Unreal II. Uma boa idéia seria realizar um jogo que fosse uma prequel contando como o prisioneiro 849 foi parar na nave prisão vortex rikers ou o que aconteceu com ele depois que fugiu de napali em RoN.

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