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3 de fevereiro de 2011

Violência: Moscou

No final de Janeiro, um terrível atentado terrorista atingiu o aeroporto de Moscou, provocando dezenas de mortes. Um homem, carregado de bombas, detonou a si próprio no meio da multidão. O ato cruel foi mais um capítulo da longa e turbulenta história do confronto entre o governo russo e grupos separatistas. A despeito das 36 vítimas fatais e dos quase duzentos feridos, uma importante TV russa teve a irresponsabilidade de associar o ataque ao jogo Call of Duty: Modern Warfare 2, em uma vergonhosa tentativa de desviar a atenção, gerar um eventual mal-estar com os americanos ou simplesmente elevar os níveis de audiência.

A matéria completa, com a transcrição do vídeo, pode ser acessada no site oficial da emissora.

A razão da polêmica é o nível "No Russian" do jogo, onde o jogador conduz um agente especial infiltrado no terrorismo russo e que participa de um massacre de civis no aeroporto de Moscou, para manter seu disfarce. O que a reportagem sensacionalista faz questão de ignorar, assim como os críticos do jogo, é que a ação do jogador nessa fase é opcional. Ainda que seja aberto ao personagem do jogador empunhar uma arma de fogo e, pessoalmente, atirar nos inocentes, esta ação não é obrigatória. É possível completar esta fase sem efetuar nenhum disparo contra civis, apenas testemunhando os outros terroristas praticarem o ato. Naturalmente, mesmo esta inação do jogador é assustadora em si. E esta foi a intenção da produtora: chocar, revelar o verdadeiro horror do terrorismo de forma gráfica e explícita em um jogo comercializado para o público adulto.

Vale lembrar também que o objetivo do jogo é eliminar o terrorismo. Eu posso não ter jogado (ainda) o título, mas tenho certeza de que, como na maioria dos jogos, o lado da Verdade e da Justiça Americana triunfam no final e o herói derrota o vilão. Quando muito, talvez esse tipo de jogo sirva como lenha para a fogueira contra o "discurso imperialista". Não vejo como um jogo onde os terroristas são explodidos, metralhados, esfaqueados e destroçados a torto e a direito pode ser considerado uma ferramenta de recrutamento...

E também não enxergo como o método utilizado pelo terrorista no mundo real (um único homem, usando explosivos) e o método utilizado pelos terroristas no jogo (vários homens, usando armas de fogo) podem ser considerados semelhantes. O único ponto em comum, além do horror, é o alvo. Uma vez que o terrorismo na Rússia já atingiu o metrô de Moscou, um teatro e até uma escola infantil, infelizmente não falta aos agressores a criatividade para escolher o ponto onde suas ações possam provocar maior impacto emocional. Não consigo imaginar que tenham sido influenciados por Call of Duty.

Enquanto a mídia inescrupulosa (ou ignorante) chama a atenção de todos para o outro lado, tenho a certeza de que as autoridades russas competentes estão utilizando sua usual delicadeza para identificar e punir o grupo responsável, sem tanto alarde. No melhor estilo Black Ops, pois, afinal, é a realidade que influencia os jogos.

Ouvindo: Bauhaus - Double Dare
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