Retina Desgastada
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8 de fevereiro de 2011

Jogando: Mirror's Edge

Risen acaba de perder o posto de pior final de jogo dos últimos tempos. O (des)mérito agora reside nas mãos calosas de Faith e do jogo Mirror's Edge. Mas eu chego lá.

O revolucionário jogo da DICE é um visualmente impecável e artisticamente bem-construído simulador de quedas, onde você despenca de alturas inacreditáveis de cinco em cinco minutos, sempre com uma visão única em primeira pessoa. Espere. Não é por aí também.

Mirror's Edge - My Screenshot 09

Mais uma vez. Mirror's Edge conquistou o coração de jogadores antes mesmo de seu lançamento, graças a um surpreendente trailer que trazia a magistral música "Still Alive" em versão instrumental e mostrava uma jogabilidade inédita de total liberdade entre prédios e com uma perspectiva em primeira pessoa tão próxima do real que chegava a dar calafrios em quem tinha medo de altura. Assim como eu, milhares de jogadores ficaram ansiosos para... opa! Caí de novo.

Em Mirror's Edge, você interpreta Faith, uma jovem de traços asiáticos, determinada, durona, com a habilidade de atravessar os telhados da cidade com a graciosidade dos melhores adeptos do parkour. Seus movimentos são fluidos e ela consegue enxergar os melhores ângulos e pontos de salto para alcançar os lugares mais inatingíveis em sua rota. Exceto, é claro, quando você está no comando. Aí você irá correr com suavidade por cinco minutos, se estatelar no concreto dezenas de andares abaixo e repetir a mesma tentativa de seguir em frente por trinta minutos. Ou mais.

Mirror's Edge - My Screenshot 08 Mirror's Edge - My Screenshot 07

A cidade onde se passa a história é um espetáculo ímpar. Com luz saturada ao extremo, o topo da cidade é um constante fulgor onde você precisa descobrir como fazer para pular de um lugar super-branco para outro mais branco ainda, com a muito bem-vinda ajuda de objetos vermelhos que podem ser usados como degrau, escada ou apoio. A cidade transborda cores primárias por todos os seus poros, como um quadro de Mondrian. Esta é uma grande qualidade do jogo, em uma época em que os demais títulos usam e abusam de tons sépia ou marrom-sujeira. Enquanto você estiver caindo de grandes alturas, você poderá refletir o quão bonito é Mirror's Edge.

Mirror's Edge - My Screenshot 04 Mirror's Edge - My Screenshot 06

As cenas de corte não são implementadas pela engine do jogo. E são a única parte da jogabilidade onde você não irá precisar se preocupar com o risco de cair. Criadas como um desenho animado de cores fortes, onde as sombras exercem uma força que não aparece durante o resto da história. Se, nos telhados da cidade, a sombra é algo que quase não aparece diante do escaldante Sol de meio-dia, durante as cenas intermediárias, claro e escuro duelam entre si e criam uma atmosfera mais próxima do noir.

Mirror's Edge - Cutscene

Noir também é a fonte de inspiração do enredo, uma investigação conturbada envolvendo o assassinato de um importante líder político, onde uma pessoa inocente é injustamente acusada. Com a habitual fauna de traidores, capangas truculentos, personagens corruptos, mais traidores e mártires, a trama de Mirror's Edge se esforça para justificar toda a correria, todo o parkour e todas as quedas que você irá levar. No frigir dos ovos, diante do desafio da parede horizontal e do infinito abismo, você não irá prestar muita atenção na história recheada de lugares-comuns.

No final, com a alma traumatizada pelas centenas de quedas mortais sofridas durante a travessia de Mirror's Edge, eu imaginava uma batalha definitiva e mais uma sucessão de frustrantes tentativas e erros até assistir o fim do jogo. Ledo engano. Após uma explicação que não explicava nada de um vilão tirado da cartola, a DICE exige do jogador uma única decisão, um único salto, fácil de executar antes de mostrar o epílogo, totalmente controlado pelo script. Não quero parecer ranzinza: o epílogo tem ângulos de câmara de fazer inveja ao melhor filme de ação e faz a adrenalina subir, enquanto você espera que, talvez, seja chamado ao controle novamente. Mas não acontece. E deixa furos no enredo, perguntas sem resposta e tudo se encerra com uma narração no meio dos créditos, quando a maioria dos jogadores já teria fechado o jogo.

Mirror's Edge é um jogo delicioso, bonito de se ver e interessante de ser jogado. Um jogo curto, porém. De, no máximo, dez minutos. Junto com ele vem um jogo enfadonho de pulos impossíveis e frustração, muita frustração, que te prende por longos e intermináveis minutos e que precisa ser vencido para que você volte a jogar mais dez minutos de Mirror's Edge. Antes de cair de novo.

Mirror's Edge - My Screenshot 03

Em seus momentos de brilho, Mirror's Edge tem o mesmo poder de Portal, de inverter suas perspectivas e colocar sua mente em situações que você jamais imaginaria. Sequências de tirar o fôlego são a recompensa para aqueles dispostos a se sacrificar para o asfalto: é indescritível o poder que se sente ao pular entre dois guindastes suspensos no alto de prédios ou trocar de trem no metrô do jeito mais difícil possível ou realizar loucas fugas, muitas vezes saltando às cegas, saltos de fé.

Dotado do mais puro instinto masoquista, com cada osso virtual quebrado e coberto de hematomas nos dedos que teclam, tenho esperança em um possível Mirror's Edge 2. E em uma nova sucessão de quedas mortais.

Pontos positivos de Mirror's Edge: jogabilidade empolgante (quando funciona), excelente direção artística e trilha sonora envolvente. Pontos negativos de Mirror's Edge: jogabilidade frustrante (quando não funciona), história rasa e cheia de furos, final decepcionante. Nota final: 7.5.

Mirror's Edge - My Screenshot 01 Mirror's Edge - My Screenshot 10

Ouvindo: Scarling - Make You Believe

7 comentários:

LocoRoco disse...

Acho o que fica mais marcado em Mirror's Edge é seu visual, que é absurdamente bonito.
E "jogabilidade frustrante"? Talvez minha memória esteja me enganando, mas não me lembro de ter tido problemas com a jogabilidade.

Willian C. Prandini disse...

Com certeza a história merecia algo melhor, mesmo. No caso das irmãs se encontrarem o vilão morrer, um amigo morrer, tudo bem clichêzão, mass é como você falou, quando vc entra no frenezy do jogo e consegue fazer tudo, o jogo fica empolgante, difícil de ficar parado, querendo mais ação, mas sempre depois de algo mega agitado vem uma parte parada, de suspense e modo camuflagem.
A pira das cores foi um boa sacada eu axei, gráfico bom, cores legais, bem básico e intuitivo. Foda quando a intuição falha ou você erra o ponto.
A pira da nota eu daria uma menor pelo enrredo furado e pequeno. Tenho raiva de jogos que tem potencial pra algo mais e n tem nada e bom...¬¬
Abrass

Anônimo disse...

Aquino seu computador conseguio ativar os efeitos de physx?

C. Aquino disse...

Excelente pergunta, visitante sem nome! De fato, não consegui ativar o Physx. No exato momento, no segundo capítulo, em que os policiais começaram a atirar nos vidros, o jogo se transformou em uma lesma digital se arrastando a 2 frames por segundo! Como é que vidro espatifado pode derrubar um computador!? Segundo o fórum do Steam, você deve substituir algumas dlls originais do jogo com as mais recentes da nVidia, mas isto também não funcionou comigo. Apenas placas da geração 9800 pra cima conseguem renderizar... vidro partido. Usuários de placas ATI não tem a menor chance de ver toda a glória do vidro se espatifando ou de jornais velhos voando no ar. Esses programadores...

C. Aquino disse...

Sem o Physx, o jogo rodou muito bem aqui. Com o Physx ativado, me senti transportado de volta a 1998, tentando rodar Quake II em uma máquina com placa de vídeo onboard de 2MB...

Anônimo disse...

Mirror Edge é uma obra de arte;
A sua jogabilidade deliciosa e viciante, e o seu visual impecavel,
o unico fator que deixa adesejar é a sua estoria que é mal explorada
(a vá! tem muita coisa sem explicação naquilo tudo)

Marcel C. Da Silva disse...

Realmente Mirro's Edge é um jogo bem inovador, fiquei muito impressionado com o visual e com a ação frenética do "agora corre!" do jogo, mas por causa da estória rasa e um pouco confusa, o jogo ficou um tanto vazio e pra mim ficou uma lembrança de "jogo bonito que finalizei", nada mais.

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