Retina Desgastada
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10 de outubro de 2010

Mortos-Vivos nas Estrelas

Death Troopers Zumbis em Guerra nas Estrelas? De quem foi esta idéia absurda? Eu ri quando este projeto foi anunciado e chamei George Lucas de maluco. Mas lá dentro de minha alma, algo sombrio e cheio de esperanças despertou e se moveu. Minha paixão pelo universo dos Jedis e dos Siths foi desafiada por outra obsessão, o fascínio exercido pelos mortos-vivos. Eu estava rindo, porém com a boca repleta de saliva pensando nas possibilidades. Eu não ria mais quando fiz o pedido do livro pela internet. Eu não ri mais de Death Troopers, desde então.

Por que o livro é uma porcaria.

Eu sei. A premissa inicial de uma doença levantando os mortos a bordo de um Destroyer do Império deveria ser um sinal indicativo forte o suficiente de que o livro não poderia ser boa coisa. Entretanto, eu insisto em dizer que o problema não reside na idéia, mas na sua execução. Terror e ficção-científica exagerada? Já foi feito antes com grandes resultados nas histórias recentes dos Lanternas Verdes e na saga A Noite Mais Densa. Suspense capaz de queimar os nervos confinado no espaço já claustrofóbico de uma nave na imensidão espacial? Já foi feito também, em Dead Space, System Shock 2, Alien e Enigma do Horizonte. Então, não há nada de implicitamente errado em se tentar misturar zumbis com o universo de Darth Vader. Exceto que seu autor, Joe Schreiber, é um total incompetente.

Death Troopers chafurda em lugares-comum de histórias de prisão e histórias de mortos-vivos e tem um texto tão raso que eu consegui terminar o livro em apenas três dias. Não por que estivesse me prendendo, mas por que o desejo de terminar era muito forte e a narrativa muito frouxa. Schreiber cria personagens que oscilam entre o patético bidimensional e a inacreditável redenção de um quase-vilão. Não há quase nada que seja capaz de criar uma empatia com figuras que parecem ter saído de um manual de como escrever rápido: uma dupla de órfãos desprotegidos, uma médica bem-intencionada no lugar errado, um diretor de presídio odiado por detentos e guardas, um truculento chefe de gangue. A inserção de dois conhecidos personagens da saga de Guerra nas Estrelas não salva tampouco a caracterização dos protagonistas: os dois heróis lendários se sujeitam à função de meros observadores e praticamente não exercem nenhum papel determinante nos eventos, se limitando a correr de um lado para o outro e salvar a própria pele.

E como explicar as coincidências? É fato consumado que existem duas formas clássicas de um escritor abordar o horror contido no chamado apocalipse zumbi: ressaltar a dimensão do problema, dada a grande quantidade de oponentes e a falta de uma solução positiva; ou explorar o aspecto pessoal e mostrar o impacto causado por uma pessoa conhecida voltando dos mortos no meio da multidão. Apesar de ter milhares de zumbis à sua disposição, o autor prefere usar e abusar da segunda rota. Cada personagem secundário que morre e tem alguma importância para os protagonistas irá inexoravelmente encontrá-los dentro de um espaço de vários quilômetros quadrados. Não importa que as criaturas formem um mar de corpos: os zumbis de Death Troopers tem o inexplicado "dom" de encontrar seus entes queridos, não importa a distância ou o tempo, e encontrá-los sozinhos em alguma sala. E Schreiber parece ser incapaz de oferecer um desfecho lógico para as situações que cria, tirando seus protagonistas dos apertos através da intervenção súbita de algum outro personagem que nem estava em cena antes ou não poderia estar ali, a menos que tivesse o mesmo "dom" paranormal dos zumbis. A sequência final é tão ridícula que chega a ser ofensiva, quando um dos "lendários heróis" é salvo no último minuto por alguém que se supunha morto, enquanto personagens plenamente capazes de ajudar apenas observam o perigo, em choque!

death-troopers-02Se Joe Schreiber demonstra não ter muita boa-vontade com o terror, o mesmo também pode ser dito sobre seu conhecimento de Guerra nas Estrelas. Eu posso não ser o mais fiel dos aficionados, mas eu lembro que a Força é um poder cósmico que envolve todos os seres vivos e deles emana. Em outras palavras, a Força deriva da Vida. Quando entra em cena um fator capaz de reanimar os mortos, eu imagino que tenhamos em mão um prato cheio para explorar o lado espiritual do universo dos Jedi e do Lado Negro da Força, pois não? Schreiber nem toca no assunto.

Red Harvest Mas tudo indica que Death Troopers vendeu bem e teve uma aceitação razoável o suficiente para merecer uma nova visita de Joe Schreiber. Tem lançamento previsto para dezembro deste ano o livro Red Harvest, um prelúdio para os eventos em Death Troopers. Não há nenhuma informação sobre o enredo, mas eu imagino que possa narrar como a situação fugiu do controle a bordo do Star Destroyer Vector ( o que me faz imaginar: por que escolher uma nave com este nome para realizar experimentos com uma arma biológica? É desafiar a ironia do destino...). Por outro lado, a capa do livro traz o que parece ser um Sith zumbi, o que pode acrescentar um verniz de interesse à história. Ou não.

Porém, eu duvido muito que o autor tenha evoluído no período de apenas um ano. Como diria Lord Vader: "Você falhou comigo pela última vez".

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