Retina Desgastada
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11 de junho de 2010

Jogando: Overlord

Overlord Três reais. Apenas três reais. Este foi o preço que paguei pelo jogo Overlord. Na relação custo-benefício entre o valor investido e a diversão proporcionada, esta foi a melhor barganha de todos os tempos.

Em Overlord, você é o Supremo Comandante das Trevas, Senhor de Todo o Reino, o Overlord. Ou, pelo menos, seu legítimo sucessor, uma vez que o Overlord anterior foi destruído por uma aliança de heróis, sua Torre saqueada e seus pertences espalhados. Na função de novo Mestre, você deve comandar um exército de criaturas para recuperar todo o seu poder perdido. E matar ovelhas. Muitas ovelhas.

Seguindo a tradição estabelecida pelo clássico Dungeon Keeper, desta vez você está no papel do vilão das histórias de fantasia. Ao contrário deste, porém, você não perderá tempo ajustando aposentos em seu domínio ou gerenciando ouro para o pagamento. Você irá pessoalmente, cercado por um séquito de prestimosos e simpáticos duendes, recuperar tudo que perdeu e derrotar os famosos setes heróis que ousaram desafiar sua soberania. Matando todas as ovelhas fofinhas que cruzarem o seu caminho, naturalmente. Apesar da temática supostamente sombria, Overlord se destaca por doses maciças de bom-humor e por uma completa inversão de papéis na lógica do faz-de-conta.

Se o Overlord é uma figura soturna que nunca fala ou mostra o rosto, seus comandados são um espetáculo próprio, um furacão de vozes esganiçadas, bajulação e violência exacerbada. É impossível não conter a simpatia quando um dos pequeninos saqueia um baú cheio de ouro, volta trazendo o tesouro e entrega para o Overlord, dizendo (com grande empolgação): "For the Master!". Eles são capazes de pegar objetos do ambiente e utilizar como armas e armaduras, então você verá duendes usando panelas como se fossem capacetes, lutando com vassouras, enfiando abóboras na cabeça, empunhando braços de zumbis como armas ou pura e simplesmente pegando elegantes armaduras com muito orgulho. Eles gritam de prazer ao sacrificarem suas vidas para aumentar a barra de energia do Overlord. Selecione um grupo e ordene que levantem um objeto; quando eles largarem o artefato, invariavelmente ele cairá no pé de um deles, enquanto os outros riem. Não há limites para a capacidade de anarquia que eles são capazes de provocar ou para a quantidade piadas que os desenvolvedores conseguiram colocar. E, se você começa o jogo comandando apenas cinco criaturas, próximo do fim o Overlord estará sendo seguido por quarenta ou mais delas. E elas adoram ovelhas.

Overlord - Ovelha Quem espera um simulador de maldades pode se decepcionar, entretanto. Overlord é um título família! Sua moral interna logo se estabelece. Ainda que seja possível matar aldeões indefesos, pouca recompensa pode ser extraída desta linha de ação e ela não é sugerida de forma alguma pela história. Os dilemas morais apresentados são muito poucos, extremados e podem ser resumidos na situação onde é necessário escolher entre recuperar uma grande quantidade de ouro ou salvar a raça dos Elfos da extinção. Apesar da premissa inicial, o Overlord pode ser um "salvador", um benevolente ditador que protege seu povo (submisso) de perigos maiores. Em um mundo onde os Halflings são escravistas, o Paladino é um covarde e o Rei Anão é um interesseiro no comando de uma raça de beberrões, o Overlord surge como um... herói. Um herói que trucida ovelhas, mas faz parte da vida.

A dinâmica de sua jogabilidade começa de forma simples: aponte o seu alvo e seus comandados atacarão com força total. Os primeiros níveis são um passeio caótico pelo mundo encantado dos Halflings (e seus duendes não perderão a oportunidade de beber e dançar). Com o avanço da trama, novas camadas estratégicas vão sendo acrescentadas e fantásticos puzzles aparecem, que exigem uma perfeita coordenação de suas tropas e diferentes tipos de criaturas. Antes que você perceba, Overlord tornou-se um jogo muito mais intricado do que aquele que começou. Nesta transição, parte da diversão casual se perde. Ou melhor, se transforma em uma diversão cerebral. Seu avatar se torna mais necessário nas batalhas, feitiços precisam ser executados e intricadas rotas conduzem ao seu destino. Felizmente, sempre é possível voltar aos primeiros níveis e matar ovelhas, para relaxar.

Tendo derrotado cinco dos sete "heróis" iniciais, resta pouco tempo para meu Overlord espalhar seu reinado antes da aposentadoria compulsória. Sem querer arriscar, na época da promoção do Steam eu comprei apenas o primeiro jogo, deixando de lado a expansão "Raising Hell" e a continuação, Overlord II. Se arrependimento matasse... Torço agora para que o Steam repita ao final do ano seu ciclo de promoções e eu possa completar minha coleção. E seguir matando ovelhas.

Meu Wallpaper! Ouvindo: Sepultura - Dead Embryonic Cells

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Um comentário:

Hawk disse...

Achava que Overlord fosse um jogo de estratégia, mas lendo o que você escreveu, não parece ter nada a ver com estratrégia.

Fico no aguardo de seu review sobre ele, quando o concluir.

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