Retina Desgastada
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25 de abril de 2010

(não) Jogando: Boiling Point – Road to Hell

Boiling Point - Box Quanto tempo é necessário para condenar um jogo? No caso de Boiling Point – Road to Hell, menos de uma hora. Os sinais já estavam claros antes mesmo da instalação. O jogo recebeu críticas pesadas quando foi lançado em 2005, a maioria motivada pela grande quantidade de bugs no produto final. Então, por que eu me dei ao trabalho?

Primeiro, Boiling Point era o trabalho de ex-funcionários da GSC Software, a mesma empresa que deu ao mundo S.T.A.L.K.E.R. e Codename Outbreak, duas pérolas escondidas, cada qual com suas qualidades. Segundo, o jogo é um FPS de mundo aberto com elementos de RPG, uma mistura que chama a atenção por sair da rotina. Terceiro, o mundo de Boiling Point tem uma área de 25x25km de mata tropical, cidades latino-americanas, fazendas e guerrilheiros sem apresentar uma única tela de carregamento depois que você começa e isto é um feito tecnológico. Quarto, o personagem principal é um ex-legionário francês de 45 anos, dublado e baseado no ator Arnold Vosloo. Exótico até a raiz da alma e com potencial para ser um clássico.

Potencial? Nas palavras de um analista da revista GamesTM, após aplicar o último patch disponível, "Atari lançou um clássico absoluto aqui. Tê-lo é obrigatório, sem questionar". Palavras da Wikipédia, e a Wikipédia não mente.

Instalado o patch 2.0, carreguei o jogo cheio de esperanças de ter encontrado um Morrowind-na-Venezuela. Na primeira cutscene, minha dor de cabeça começou. Literalmente.

A cena de abertura revela, com tons dramáticos de filme Z americano, como a filha do herói, uma jornalista investigativa, desapareceu em uma republiqueta latina chamada Realia. A música é totalmente cucaracha e os gráficos do CGI parecem terem saído de um 486, dez anos antes. Mas, Saul Myers, o protagonista que é a cara do cara da Múmia, não está a fim de levar desaforo pra casa e viaja até o país para resolver esse assunto.

Na cena da viagem, o CGI tosco dá lugar a gráficos da própria engine e a melhora é sensível. Em Realia, entretanto, os problemas continuam. Ao girar para ver os arredores da capital, descubro que:

  1. A cena está distorcida, como se vista através de uma lente olho-de-peixe.
  2. Esta é a capital mais vazia do planeta. Em um giro de 360° na praça principal, não consegui contar mais de seis transeuntes.
  3. A cidade só tem dois carros circulando.

Mais adiante, testemunho o início do pior bug dos últimos tempos. Um dos dois carros esbarra no nada no meio da rua, pára e o motorista começa a buzinar. Durante toda minha estada na cidade, o carro não irá andar, desaparecer ou parar de buzinar. Quinze minutos de buzina depois e eu quero explodir o carro. Esta é a versão do jogo com o patch definitivo.

Boiling Point Boiling Point 02Seguindo as pistas da filha de Myers, vou falar com seu editor. Entra em cena uma árvore de diálogos que seria uma novidade em outro FPS (ou um exemplar inferior, em um RPG de verdade). Seria, se ela funcionasse. O editor trava em seus diálogos e fica se repetindo como uma arara. Sem as legendas, eu ficaria confuso. Lá fora, a buzina apita. Eu tenho acesso ao carro da filha de Myers e descubro como dirigir é uma tarefa desagradável: o campo de visão é tão ruim que existe um botão para olhar para o lado. A próxima pista me manda para um bar, onde o proprietário é tão mal-modelado que dá vontade de rir. No bar, eu peço uma vodka para Myers e sua visão e coordenação ficam embotados. Ponto para o jogo, ele passa a mensagem que bebida e FPS não combinam. O dono do bar me dá o endereço do chefão do crime que seqüestrou a jornalista. Ele também diz que o arquiteto da mansão-fortaleza mora por perto e pode dar algumas dicas. Não, obrigado. Eu quero ir embora logo desta maldita cidade e sua buzina infernal.

Boiling Point 03 O carro funciona bem em linhas retas e logo estou fora da capital. Em três minutos na estrada, eu passo por dois tiroteios entre forças governistas e rebeldes guerrilheiros. Os americanos não são os únicos a ter um conceito ruim sobre a democracia latino-americana. Eu não paro para nada. Como Saul Myers, eu quero acabar logo com isso. Tiro o carro da estrada e decido que a linha reta é a menor distância até a base do chefão. Consigo enfiar o carro no fundo de um rio, mas chego lá.

Contornando a fortaleza de Don Pedro (não estou brincando, este é o nome do chefão), eu encontro uma porta dos fundos protegida com uma senha. Devia ser pra isso que o arquiteto servia. Na porta da frente, ninguém responde o interfone. Com o carro no fundo do rio, será um longo caminho de volta pra cidade. E pra buzina. Já pensando em desistir, eu encontro uma doca para o rio e uma escadaria pra mansão. E meu primeiro guarda-costas. Tento puxar assunto com ele, já que esta tem sido a prerrogativa do jogo até agora. Ele responde com chumbo e finalmente estou em minha primeira troca de tiros no FPS.

O barulho das armas é pífio. O feedback dos tiros é tão insignificante que eu preciso olhar para o marcado para saber que Saul Myers está levando bala. A dez metros de distância fica difícil discernir o que é ambiente do que é um inimigo e o combate é insosso. Três guarda-costas depois, estou com 9/100 de vida. Eu posso partir pra morte rápida na mansão ou tentar extrair algum sentido de Boiling Point e embrenhar na mata, ver alguma novidade. Eu escolho a mata.

Logo esbarro em uma ruína dos Incas e me pego pensando como seria legal se as ruínas fossem amaldiçoadas e Myers carregasse um machado de guerra. Mas as ruínas não são nem amaldiçoadas nem extensas e logo estou de volta à floresta. A mata é o único elogio que tenho reservado ao título: bem renderizada, com sons plausíveis, vasta em todas as direções, explorável. O fato de eu estar desejando que ela fosse povoada de dinossauros ou Orcs depõe contra o jogo, no final das contas. Após um período longo demais onde eu não encontro viva alma, um guerrilheiro aparece. Sem minha interação, Myers pede para que o outro não atire. E o guerrilheiro, gente boa, não atira mesmo. No minuto seguinte, sou morto por uma jibóia. Eu bem que gostaria de ter inventado a frase anterior, mas não. Saul Myers, veterano da Legião Estrangeira francesa, um homem com ódio no olhar, morreu vítima de uma picada de cobra.

Nem na morte, encontro a paz. Para minha surpresa, Saul Myers acorda no hospital local, com menos dinheiro, mas completamente curado. Alguém, por favor, entre em contato com os advogados da Rockstar. A buzina parou. Mas a idéia de voltar a explorar a República de Realia é desanimadora.

Vosloo "Clássico absoluto" é a ...

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19 comentários:

Hawk disse...

Hahahaha.
Deixa eu salvar logo esta página nos meus arquivos, pois estava com este jogo na fila de "torrents-para-testar-e-depois-comprar".
Quando chegar em casa, vou logo apagar esta "pérola".

Hilário, pelas descrições, lembrei do Just Cause, o segundo é bem legal, mas o primeiro era uma sequência de bugs e cenas toscas.

C. Aquino disse...

Nem de graça, meu amigo, nem de graça...

Marcos A. S. Almeida disse...

"O fato de eu estar desejando que ela fosse povoada de dinossauros"
"carregasse um machado de guerra"
"A mata é o único elogio"
É, acho que o jogo é tão ruim,mas tão ruim que você ficou com saudade de TUROK...

C. Aquino disse...

ahahahahaha! Pior é que é por aí mesmo...

Bruno disse...

Ah! Não estou só no mundo! Pensei que fosse o único que instalou esperando um jogaço de proporções épicas e broxou no instante que entrou a cena de abertura.
Pior: logo depois de adquirir o carro e fazê-lo beijar um poste ao tentar dirigir, um transeunte qualquer encostou na traseira do carro e ficou "preso", já que sua rota programada estava bloqueada. Tentei de tudo p/ fazê-lo sair dali e acabei tentando dar ré bem devagar p/ ver se conseguia empurrar o maldito sem matá-lo e garantir um espaço p/ manobra. Mas ao que parece, todas as pessoas daquela vila sofrem de osteogênse (ou doença dos ossos de vidro) e o desgraçado morreu com um toquinho de 1 km/h do meu calhambeque. E mais: as pessoas da vila são fortemente unidas e também telepatas, visto que em todos os cantos as pessoas atiravam em mim após o ocorrido. E tenho a impressão que casas e prédios tem uma barreira anti-telepática, que também bloqueia qualquer tipo de comunicação com o mundo externo, já que nestes lugares ninguém tentava me matar.
Enfim, tive vontade de formatar o HD inteiro depois de desistalar o jogo. Com pragas deste tipo é melhor não arriscar...

Marcos A. S. Almeida disse...

É por essas e outras que pra ter-mos uma impressão correta sobre o jogo, só jogando mesmo, porque o GAMESPOT dá uma nota 7.0 (BOM) para ele.E confirma para nem pensar-mos em jogar ele sem a atualização 1.1! Depois das impressões de vocês , tô longe desse jogo.

C. Aquino disse...

Como eu comentei com o camarada Hawk: "Nem de graça, meu amigo, nem de graça...". E lendo a página do jogo na Wikipedia parece que a trama envolve experimentos psíquicos, zumbis, Nicola Tesla e o vilão final se esconde em uma base subterrânea dentro de um vulcão(!!??).

Bruno disse...

Aquino, reconheço que existe gosto p/ tudo nesse mundo, mas não consigo conceber uma pessoa capaz de aturar esse jogo por tempo suficiente p/ ver o final... Ainda mais se a trama for essa salada de fruta sem sentido. A não ser, é claro, que o cara esteja sob ameaça de castração por marretadas ou com um revólver apontado p/ um filho.

Gostaria de te dar uma sugestão, Aquino. Não procurei nos arquivos do seu blog pela falta de um buscador e pela preguiça mas, se é que já não fez, o que acha de fazer uma review da série Mass Effect? Confesso: sou completamente maluco pelos dois jogos e exatamente por isso estou precisando ouvir outras opiniões sobre o mesmo, p/ ver se fico menos intoxicado e possa enxergar melhor. Até agora só vi babação de ovo em relação aos jogos. As críticas que vi ou eram tão sutis quanto o espirro de uma bactéria ou pura "trollagem de trolls trolladores" interwebs afora.

C. Aquino disse...

Eu ainda não tive a oportunidade de jogar Mass Effect. Eu comprei-o em promoção no Steam na virada do ano e acredito que no segundo semestre eu devo me aventurar por ele. Como é possível conectar os dois jogos com o mesmo save, eu queria tentar emendar com o segundo, se a grana permitir.

Bruno disse...

Se serve de consolo, nenhum dos DLC do ME1 prestam em minha opinião. Do ME2, apenas o DLC Kasumi: Lost Memories chega a valer a pena e apenas pela diversão, mas é completamente desnecessário. Já dá p/ economizar uma boa grana não comprando os DLC's.
Não posso te falar nada da qualidade do jogo pq, como falei, sou completamente maluco pela trilogia (estou me roendo esperando notícias do terceiro) e só conseguirei enaltecer as qualidades e ignorar defeitos. [fanboy]Mas se vc gosta de uma história rica e envolvente, bons gráficos e batalhas intensas (principalmente no segundo) vai fundo que é dinheiro bem aplicado[/fanboy].

Hawk disse...

Eu tenho o primeiro Mass Effect, o jogo é legal e tudo o mais, mas não curto estes jogos com muito diálogo. Quando digo muito, é muito³ mesmo.

As cenas de ação são legais, mas curtas.

Quero comprar o 2, mas somente quando a Steam fizer uma promoção de 50%.

Bruno disse...

Se vc achou que faltou ação e verdadeira estratégia de combate no primeiro Mass Effect (e nisso eu concordo em partes), o segundo foi feito especialmente p/ vc, garanto.
Até no modo hard do primeiro (se vc já souber o que está fazendo/precisa fazer, claro) vc pode deixar o uso de poderes do seu time com a AI do jogo e se focar somente em suas armas e poderes. Se vc fizer isso no segundo, mesmo no modo easy, vc será ownado até por um grupo varrens.

Marcos A. S. Almeida disse...

Amigo Bruno, por coicidência acabei de fechar o Mass Effect 2 , sem nunca ter jogado um RPG em minha vida (inclusive já tinha até pedido ao C.Aquino uma dica sobre algum) e sem ter jogado o primeiro Mass Effect.Vou fazer igual ao Gamespot.
O BOM: história cativante e totalmente imersiva, gráficos ESPETACULARES, trabalho de vozes irrepreensível,sistema de evolução que realmente funciona e jogabilidade beira á perfeição (é claro, tive que me adaptar á um RPG).
O RUIM:Diálogos frequentes ( bom , é um RPG , não é mesmo?), coletar recursos é muito chato ( e dizem que no primeiro era pior ainda!) e quebra-cabeças para abrir portas e alguns cofres com recursos , muito fáceis e repetitivos. A história é cheia de clichês , mas que são bem dosados e funcionam muito bem.Técnicamente é um grande jogo ( talvez o melhor do ano) mas o componente " emoção ao extremo" só se consegue na batalha final, pois durante o jogo tudo fica um pouco morno ( Todo RPG é assim?).Mas vale á pena , e muito ,ser jogado.
Agora, fala sério, para obter recursos eles não podiam fazer igual aos jogos de estratégia? Era só deixar um robô coletanto recursos enquanto prosseguía-mos na história! Seria muito mais prático e menos cansativo.

Bruno disse...

Marcos, por mais que eu seja fanboy de Mass Effect, não posso honestamente discordar de vc sobre a coleta de recursos. Realmente é um saco, mas vc é altamente recompensado por fazê-lo no ME2. Mas a partir do seu segundo playthrough vc já sabe melhor onde encontrar o que vc precisa e gasta bem menos tempo com isso. A coleta desses "recursos" no ME1 pode ser mais chata dependendo do ponto de vista. É um tanto mais difícil de achar e é uma boa pedida p/ quem gosta de desafios. [MINI-SPOILER]O problema é que, fora um pouco de dinheiro e experiência (que não são realmente necessários, já que vc nunca conseguirá level máximo com apenas um playthrough e vc terá dinheiro de sobra se tiver um pouco de experiência com RPG's) e completar a side-quest (que não adiciona nada a história do primeiro nem do segundo jogo, pelo menos nada que eu tenha percebido), vc não recebe recompensa alguma por todo seu trabalho [/MINI-SPOILER].
Quanto a "emoção ao extremo", vc teria sentido logo na abertura do jogo se tivesse jogado o primeiro antes. Aquelas cenas ecoaram fundo na maioria dos que jogaram o primeiro antes. Mas isso não vem ao caso. O seu playthrough no segundo jogo sempre vai ser mais ralo se vc não jogou o primeiro, principalmente se vc gosta de jogar como paragon, já que muitas das escolhas que vc fez no primeiro, mesmo em side-quests, repercutem no segundo.
Embora isso seja somente gosto e opinião pessoal, os RPG's garantem emoção mais pela imersão na história que pela ação propriamente dita. P/ quem gosta desse tipo de imersão na história, como se estivesse lendo um livro ou vendo um filme onde vc é o personagem principal, onde vc julga suas próprias ações e não a de um personagem, RPG's são geralmente a melhor escolha.
Se vc quiser algumas dicas de RPG's bons, poderia começar com Chrono Trigger do Playstation 1. É meio complicado não achar aqueles gráficos pixelados e som monocórdico irritantes quando já nos acostumamos com jogos tão superiores nestes quesitos, mas a história vale a pena. Depois, e se tiver gostado, pode passar pro Xenogears, também do Play 1. A história é altamente complexa e os personagens constantemente encontram-se em conflitos internos. Se achar estes muito chatos, já que vc não tem muita experiência com esse tipo de jogo, poderia tentar o primeiro Deus Ex. Esse é um jogaço, apesar de antigo. A história é ótima e te obrioga a lidar com questões morais e éticas bastante controversas, apesar do festival clichê.
Perdão pelo post quilométrico. Sou realmente um tanto prolixo, admito. =/

Marcel disse...

Acharam que Mass Effect tem muito diálogo?...
Imagina se jogassem Dragon Age:Origins...

Hawk disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Hawk disse...

Até hoje não consegui "soltar" nenhum poder no Mass Effect, será que é por que escolhi a classe Soldier?

Aparece no menu superior esquerdo a opção de colocar alguma coisa lá - quando se aperta o "V" - mas o que eu tenho que colocar lá?

huhuxxxx disse...

To jogando Boiling Point e acho o jogo bugado e cheio de lags, mas mesmo assim quero passar de uma parte: toda vez que eu tento entrar na casa do "Don Pedro" e miro em um maluko que fica atrás da mureta de entrada o jogo da erro! e aparece aquela tela de STOP. será que o patch 2.0 resolve isso? e aonde eu baixo? Thanks!

C. Aquino disse...

Oi, huhuxxxx. Vc pode baixar o patch em http://www.gamershell.com/download_10211.shtml. Boa sorte com o jogo...

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