Retina Desgastada
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6 de fevereiro de 2010

Jogando: Turok Evolution (parte 2) – Halo de Pobre

Turok Turok Evolution tem seus méritos. Quando, em minha análise preliminar, eu sarcasticamente chamei o jogo de "Avatar de Pobre", eu estava mentindo. Primeiro, por que as aventuras de Turok, o Caçador de Dinossauros, precedem o filme de James Cameron em pelo menos 50 anos. E é justamente quando Turok, o jogo, segue fielmente os conceitos originais de Turok, os quadrinhos, que nós temos um título de qualidade. Jogar Turok é se embrenhar por florestas misteriosas, explorar ruínas perdidas e combater dinossauros assassinos e estátuas vivas de pigmeus malditos. Essa é a marca registrada da série: o fantástico senso de absurdo extraído dos pulps da década de 50. Esse sabor nostálgico de matinê de cinema é único de Turok.

Tudo bem que, no meio disso tudo, há espaço para dinossauros bípedes ciborgues armados até os dentes e uma civilização ultra-avançada escondida na selva jurássica. Faz parte da saga do índio mais casca-grossa de todos os tempos, desde que suas histórias em quadrinhos receberam uma "atualizada" com o passar das décadas. Esses elementos alienígenas já existiam no primeiro jogo, que tinha até o absurdo de apresentar um jipe militar todo equipado como chefe de fase!

E o que fazem os desenvolvedores de Turok Evolution? Primeiro, eles jogam para o alto os acontecimentos dos últimos episódios da série. Se havia alguém prestando atenção, ele foi solenemente ignorado. Evolution supõe uma tentativa de recontar a origem do personagem, mas fracassa ao jogar para o alto também muitos dos elementos marcantes mencionados acima.

A partir da metade do jogo, os desenvolvedores se enchem de pretensão e passam a acreditar que são capazes de se igualar a Halo, em todos os aspectos possíveis. Nada mais de vagar pela floresta: entram em cena grandes ambientes futuristas, com pontes elevadas, cidades flutuantes, torres de energia. Nada mais de combates cara a cara no meio do mato: agora as batalhas são apoteóticas, envolvendo grande número de inimigos e soldados aliados. Aliás, nada mais de guerreiro solitário: Turok agora conta com NPCs que lutam ao seu lado. Nada mais de dinossauros e outras feras indomadas: você irá enfrentar somente reptóides inteligentes armados até os dentes. A qualquer momento, você espera ver um Warthog estacionado, aguardando Turok.

Turok - Halo

Mas a Acclaim não é a Bungie. Turok não é Master Chief. Aqui, os "grandes cenários futuristas" são prejudicados por uma engine inferior, uma direção de arte desprovida de criatividade e uma atmosfera carente de deslumbre. Você vaga por corredores infinitos e sem vida, como nos piores momentos de Halo. As batalhas monumentais poderiam ser melhores, se houvesse uma inteligência artificial mais coerente: todos os inimigos tem padrões previsíveis de movimentos. Pior ainda é a inteligência artificial dos soldados aliados, que os transforma em um exército de stormtroopers, incapazes de acertar a maioria dos tiros. E onde foram parar os dinossauros? Eu quero dinossauros!

Existem bons momentos nesse híbrido Halo/Turok, como o nível onde você é obrigado a caçar franco-atiradores no meio de prédios ou a invasão a uma fortaleza voadora. Mas longe foi o tempo em que  Turok, o Caçador de Dinossauros, fazia coisas como... Caçar...Dinossauros, pois não?

Ouvindo: Big Giant Circles & Justin R. Coleman - Combat and Service (Guile Stage)
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4 comentários:

Anônimo disse...

Este Turok Evolution é o de 2008? porque quase comprei ele no Datashop, ele está por 12,90 tipo ele e outros jogos, comprei o Unreal Tournoment 2004 e o Unreal Tournoment III por 34 reais os dois, incluindo o frete. Fica ai a dica.

C. Aquino disse...

Turok Evolution é de 2003. O jogo de 2008 chama-se "Turok" apenas e pouco tem a ver com o resto da série (saiba mais em http://www.retinadesgastada.com.br/2009/04/indios-dinossauros-ciborgues-e-outros.html).

Marcos A. S. Almeida disse...

Amigo,por incrível que pareça quanto mais você fala mal desse jogo, mais sinto vontade de jogá-lo.Culpa de suas linhas muito bem escritas e ricas em detalhes sobre jogo, que me deixa curioso.Apesar dos defeitos parece divertido.Assim que tiver oportunidade irei experimentá-lo.Abraços.

Hawk disse...

Também fiquei com vontade de jogá-lo depois de sua análise.

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