Retina Desgastada
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27 de fevereiro de 2010

Jogando: Turok Evolution (Conclusão)

Turok - Quadrinhos Da metade pro final, Turok Evolution perdeu o brilho. Como eu disse, foram-se as selvas tropicais e os dinossauros e entraram em cena cidades futuristas e plágios de Halo. Na soma das partes, o jogo se garante, mas a certeza de que o resultado final poderia ter sido melhor amarga na boca.

No Ventre da Besta

O antepenúltimo capítulo sintetiza tudo que deu errado no jogo, é um nível extraído dos pesadelos. Antes de ele começar, você antevê o maior dinossauro que já saiu da mente de qualquer cientista louco, um leviatã quilométrico que toma a planície e faria o Titanic parecer um barco de pesca. Seu primeiro instinto, voando em cima de um pterossauro, é salivar diante da antecipação de ter que derrubar tamanho monstro. Ledo engano. Você aborda a criatura gigantesca e penetra na estrutura militar construída em sua garupa.

O que se segue é uma longa sucessão de corredores futuristas genéricos, lotados de inimigos e com um sistema de alarme de enervar qualquer um. Assim que um oponente o avista, o alarme soa, trazendo mais soldados até que você localize o sistema e o desarme. Para minha total infelicidade, nem sempre é possível desligar a sirene e eu tive que conviver com o barulho infernal em meus ouvidos e uma infinita sucessão de inimigos aparecendo por todos os lados. Acrescente a dificuldade natural do nível, a impossibilidade de salvar, a inexplicável remoção de algumas armas de seu arsenal e o resultado será duas semanas de minha vida e quase dez tentativas para avançar a história.

Pensei em desistir de Turok Evolution. Pensei em usar um cheat para o nível inteiro. Mas a paciência rendeu frutos e consegui alcançar o final do nível.

Fui contemplado com a única aparição de Lord Tyranus na história, o grande inimigo de Turok. Ele realiza o discurso clássico dos grandes vilões e some por uma saída de emergência. Infelizmente, não é possível enfrentá-lo no jogo. Como Turok Evolution narra eventos anteriores ao início franquia, Lord Tyranus precisa escapar para morrer somente no primeiro jogo, talvez para morrer em um eventual futuro jogo jamais lançado.

Outra Banana

O penúltimo capítulo é uma sequência de vôo, a melhor de todo o jogo. Apesar das críticas negativas, essa mudança de jogabilidade no título oferece uma pausa muito divertida ao contínuo FPS. Aliás, eu compraria fácil um simulador de vôo de pterossauro, se ele usasse exatamente a mesma mecânica e ritmo vistos aqui. Você controla a criatura apenas com o mouse e, apesar de poder se mover em três eixos, o resultado é muito satisfatório. Turok enfrenta as últimas hordas inimigas sobre a carcaça do dinossauro gigante do capítulo anterior e evita uma invasão.

Mas o que é bom dura pouco. As forças de Tyranus foram derrotadas, mas o título precisa de um clímax. Entra em cena o outro vilão, o quase-nunca mencionado capitão Tobias Bruckner, que caiu na Terra Perdida justamente por estar caçando o jovem índio Tal'Set, que vestiria o manto de Turok. Montado em um tiranossauro armado com lança-chamas, lança-foguetes e metralhadora giratória, o ex-militar da Guerra Civil Americana promete mundos e fundos contra o herói.

Tobias Bruckner, o chefe final de Turok Evolution é um feliz membro da lista dos chefes banana.

Ignore os "aliados" que o jogo disponibiliza pra você. A inteligência artificial deles não serve pra nada e eles estão ali para esticar o nível final, combatendo alguns inimigos menores antes da aparição de Bruckner. Mantenha distância do chefe, mantenha-se em movimento, tente derrubar algumas árvores sobre ele ou simplesmente atire nele até cansar e, antes do que você imaginava, ele estará caído aos seus pés (com direito a problemas sérios de perspectiva).

Turok---Evolution-(final)

Turok Evolution tem suas falhas técnicas, mas o personagem principal e seu mundo inusitado asseguram o elemento-diversão por muito tempo. Seus desenvolvedores, lamentavelmente, tentaram abranger muitos estilos divergentes ao mesmo tempo, provando que, de fato, não é possível agradar todo mundo todo o tempo. Um pouco menos de pretensão e um pouco mais de fidelidade ao material clássico teriam transformado este jogo em um clássico, e não no canto de cisne da produtora.

Pontos positivos de Turok Evolution: armas e situações criativas, animações de morte, um universo rico com toques de pulp e controlar um pterossauro é muito divertido. Pontos negativos de Turok Evolution: a história é pífia, os cenários perdem a criatividade da metade pro final, a trilha e os efeitos sonoros são amadores. Nota final: 7.0.

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5 comentários:

Nelson disse...

Lord Tyranus é o Campaigner do Turok 1 do N64?

C. Aquino disse...

Opa, falha nossa! Eu tinha essa impressão de que Tyrannus era o vilão do primeiro jogo, mas pesquisando descobri que não. O vilão The Campaigner do Turok 1 é um cyborg, sem nenhuma relação com Lord Tyrannus, que nunca apareceu na franquia fora de Turok Evolution...

Hawk disse...

A parte: "com direito a problemas sérios de perspectiva" e depois a imagem, me fizeram rir igual um bobo.

C. Aquino disse...

Pois é, foi tão engraçado que eu tinha que salvar o screenshot!

Anônimo disse...

O problema de Turok Evolution foi um só: a Acclaim estava a beira da falência. Com isso, a empresa lançou o jogo às pressas numa tentativa, talvez, de se salvar do fracasso. Infelizmente, o jogo não agradou porque não tinha as características do antigos Turok do N64 (mapas enormes, enigmas, puzzles desafiadores, boa história etc). Turok Evolution se tornou apenas um joguinho previsível e fácil. Essa foi a razão do fracasso.

No entanto, Turok carrega em si uma essência fantástica: a sabedoria indígena, a terra perdida, o noção do antigo pré-histórico e o melhor, anomalias cósmicas - coisa que mexe com as crenças humanas sobre dimensões paralelas.

Mas, pior do que o fracasso da Acclaim, foi o lançamento de Turok para PS3 e Xbox 360 pela Touchstone: ridículo. A história foi reformulada, ganhou uma aparência clichê e criou possibilidades totalmente patéticas dentro do contesto científico: viajantes do espaço se perderam e caíram logo num mundo florido? E o pior: que tinha dinossauros? A touchstone provou que os jogos que produz, assim como os filmes, são um belo exemplo de porcaria.

Pena que a Acclaim faliu. Ela sabia fazer. E o fracasso do Evolution foi devido, como disse, à iminente falência que, por sua vez, obrigou os produtos a fazer o jogo ÀS PRESSAS e, por isso, ficou "meia-boca". Um bom jogo precisa de tempo, vide StarCraft II.

Para virar um sucesso, Turok precisa de uma empresa que saiba utilizar o Universo da Terra Perdida, assim como toda a filosofia do povo indígena. Precisa de uma empresa que não se ampare em clichês, mas que crie um novo modelo. E claro, traga de volta o velho Turok.

É isso que Turok precisa. Mas, infelizmente, a Touchstone provou sua incompetência para fazê-lo, então, não esperemos isso dela.

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