Retina Desgastada
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28 de junho de 2009

Fuga do Planeta da Morte

Pode não parecer, mas sou fã de jogos de corrida. Entretanto, apenas um único título do gênero entrou na minha lista de favoritos: POD (Planet of Death).

1241704860-00 Desde meu primeiro CD-ROM, eu descobri duas coisas a meu respeito. A primeira era que a velocidade me fascinava. Apesar de, no mundo real de carne e osso, eu não ter o menor interesse em direção de automóveis ou corridas na televisão, no pequeno espaço da tela do meu PC, eu me transformava em um maníaco por velocidade, tirando fino de paredes, batendo em carros oponentes, acelerando nas retas e reduzindo nas curvas virtuais. Jogos de corrida me garantiam o mesmo nível de insana adrenalina dos jogos de tiro.

A segunda coisa que eu descobri sobre mim mesmo é que eu sou péssimo em jogos de corrida. Apesar de ter jogado o demo de Test Drive 4 durante meses, disputando centenas (!) de vezes a mesma pista, eu nunca ganhei. Nunca cheguei em segundo lugar, para ser franco. Para acabar de vez com minha reputação, confesso que mesmo o terceiro lugar eu só consegui obter uma única vez, em um misto de estado de transe mental e aproveitando um raro vacilo da inteligência artificial de meus competidores. Esta inépcia me acompanhou em todos os títulos da série Test Drive. E em quase todos os jogos do gênero que eu experimentei: Flatout, Driver, Midtown Madness, Re-Volt, Wipeout, Trackmania, Road Rash etc. As exceções foram Motorhead, Star Wars Racer, os jogos da série Need for Speed... e POD.

Veloz e Furioso

POD sintetiza a perfeição em termos de jogos de corrida. Não apenas por me permitir ganhar. Seria hipocrisia da minha parte incensar o jogo apenas porque seu nível de desafio é compatível com minhas habilidades. POD reúne elementos básicos que eu considero essenciais para um bom jogo do gênero: variedade de pistas, variedade de carros, trilha sonora, sensação de velocidade e ausência de "lenga-lenga".

Em um futuro distante, em uma colônia terráquea em Io, uma estranha forma de vida é descoberta e rapidamente se espalha pela superfície do planeta. Cidades e pessoas são consumidas por esta ameaça implacável e a população foge em naves espaciais. Em meio ao caos, um novo esporte surge, onde intrépidos corredores montam seus veículos a partir de sucatas e correm em alta velocidade pelas ruínas da civilização. O campeonato final traz o prêmio máximo: uma vaga na última nave de fuga. Aos perdedores só restará a morte. Esta é a premissa de POD, contada, sem firulas, na (fantástica) cutscene de abertura e concluída na cutscene final se você escolher disputar o campeonato. Seus criadores sabem, porém, que jogos de corrida não são o melhor meio para se contar uma história, por mais que outros desenvolvedores pensem o contrário. Então, não há NPCs, vilões, mocinhas em perigo, cenas de transição, diálogos fajutos ou motivações extras na trama. A praga e o cenário de ficção-científica estão ali com um único propósito: oferecer uma justificativa para a mais bizarra coleção de pistas e carros já vista em um jogo do gênero.

POD 01

POD 02 

Oficialmente, POD comporta 16 circuitos originais. Cada um, radicalmente diferente do anterior, com uma estranha mistura de texturas que beira o psicodelismo. Você irá competir em ruas de cidades futuristas, em cânions, em esgotos, em meio a plantas alienígenas gigantes, complexos industriais e outras pistas que desafiam a descrição. A variedade cresce quando entra em cena o conteúdo disponível por download. A Ubisoft teve o pioneirismo de oferecer DLC em uma época que a sigla ainda não havia sido inventada e POD suporta 16 pistas extras, oferecidas no site oficial ou criadas por fãs. A partir daí, você pode correr em cima de icebergs, em cemitérios macabros, em praias "caribenhas", em minas abandonadas, edifícios-garagem e por aí vai... Com estas 32 pistas, você podia configurar seu próprio campeonato customizado, fazendo uma seleção das melhores 16. Não ficou satisfeito com as opções? Você também poderia disputar qualquer uma das pistas no sentido inverso! No menu de seleção de pistas, você digitava "mirror" (sem aspas, é claro) para habilitar o botão de reverso. Está acompanhando? POD trazia, no final de tudo, a possibilidade de disputar 64 circuitos diferentes!! Eu posso estar enganado, mas poucos títulos de corrida trazem tantas opções.

POD 05

Vale aqui um pequeno adendo: quando eu abri o Need for Speed Underground pela primeira vez e vi que o modo campanha tinha 111 corridas, eu pensei: "Caramba! POD foi superado!". Para minha decepção, as 111 disputas de NFSU eram variações das mesmas 6, 8 pistas em diferentes fragmentos... Em POD, as 32 pistas são realmente distintas uma das outras!

Os carros de POD tinham um visual futurista que acompanhava a atmosfera do jogo. Suas estatísticas eram completamente customizáveis, de forma que você não precisava ficar preso ao "melhor" carro: você escolhia o veículo que mais te agradasse esteticamente a ajustava seus parâmetros ao seu estilo de direção. E muitos outros veículos estavam também disponíveis para download no site oficial.

POD 03

POD 06

Completando o pacote, havia a trilha sonora. Possivelmente, foi a primeira vez que a música de um jogo chamou minha atenção. Não que eu já não conhecesse o som de títulos como Mario, Pac-Man ou outros clássicos. Mas POD trouxe a primeira trilha que eu me imaginava escutando fora do jogo, no dia a dia. Uma mistura de eletrônico com ambiência, que conseguia a proeza de relaxar e injetar adrenalina ao mesmo tempo. Seu criador capturou com maestria a sensação de velocidade, a atmosfera de distopia e o temor subliminar da praga que devasta o planeta. Compare com a música de um título similar, como Wipeout e se percebe a diferença: enquanto o famoso Hypeout, quero dizer, Wipeout possuía uma trilha caracterizada massivamente pelo ritmo alucinado, a trilha de POD convidava a outras esferas, mais reflexivas, mais melancólicas. Infelizmente, a trilha de POD não possui créditos, nome das faixas ou informações similares.

Passado Negro e Futuro Brilhante

Como muitos outros jogos, meu primeiro contato com POD foi através de um demo distribuído em uma revista de CD-ROM, com apenas duas pistas e dois carros disponíveis. Foi o bastante para me cativar e tive a sorte do jogo completo ser lançado logo em seguida nas bancas de jornais. Em uma fase de minha vida de extrema vagabundagem, o Planeta da Morte foi meu companheiro de madrugadas, jogando sucessivos campeonatos enquanto o sono não chegava. Um dos momentos mais baixos de minha carreira de jogador (e talvez como ser humano também) foi quando meu pai e eu resolvemos viajar e meu pai disse que estaria partindo às seis da manhã para evitar o trânsito do feriadão. Para mim, (mal) acostumado naquela época a dormir três horas da manhã, seria impossível acordar às cinco. Decidi que iria atravessar a noite acordado. Jogando. Jogando POD. Cinco horas da manhã, o relógio de meu pai despertou, ele levantou, foi até o meu quarto para me chamar e eu estava batendo meu recorde em uma pista qualquer. Estava pronto para viajar, mas o sono tinha ido pro espaço. Depois daquela viagem, reduzi meu tempo de jogo e passei a dormir mais cedo.

Guardei comigo os arquivos com meus recordes do jogo. Vez ou outra, POD retornava ao meu HD para mais um campeonato para relaxar. Parece estranho que um jogo de corrida possa ser relaxante, mas POD é mesmo um jogo estranho.

POD 07

Infelizmente, devido a sua arquitetura otimizada para o Pentium MMX (sensação tecnológica de 1997), POD se tornou incompatível com processadores mais modernos e com o Windows XP e esteve afastado de minha máquina por anos. Uma tentativa frustrada de rodá-lo dentro de uma Máquina Virtual com Windows 98 produziu uma jogabilidade arrastada, um jogo de corrida para lesmas a parcos frames por segundo.

Se não há mais lugar para POD nos dias de hoje, podemos esperar um POD 2? Considerando que o site oficial da Ubisoft não existe mais e que todo o conteúdo para download desapareceu da desenvolvedora, eu diria que provavelmente não. Em 2000, foi lançado, apenas para o Dreamcast, POD: Speedzone, o sucessor do título. No jogo, o mesmo vírus mutante do primeiro jogo atacava outra colônia, alterando não apenas a paisagem, mas também os veículos dirigidos pelo jogador. Houve rumores de que o título seria adaptado para PC, mas nove anos depois, nada se concretizou.

Sem conteúdo extra disponível na Ubisoft, sem rodar no Windows XP ou Vista, sem uma continuação no horizonte, o fã de POD está condenado a viver de lembranças? Nada disso... basta dizer que todas as telas presentes neste post foram tiradas semana passada em um Pentium Dual-Core, rodando XP, com resolução widescreen e sem (quase) nenhum bug no jogo. Como? Isso é assunto para um próximo post: "Jogando POD no Windows XP"

POD 04

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2 comentários:

Anonymous disse...

Poxa POD foi o primeiro jogo de corrida que joguei para PC. num pentium 133 ,32MB de ram ^^ jogava pra caramba, esse post fez escorrer uma lagrima dos meus olhos. huahau
Abraços
Pedro

Wellington da Silva Fernandes disse...

Nossa POD foi um jogaço... como o amigo ai disse faz lembrar bons tempos ou mals... lembro que foi bem na época que meu pai faleceu lembro nitdamente...( T.T ) é fods dahora esse jogo

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