Retina Desgastada
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30 de maio de 2009

Jogando: S.T.A.L.K.E.R. – Shadow of Chernobyl (Conclusão)

Assim como Gothic 3 e Indigo Prophecy, S.T.A.L.K.E.R. desperdiça seu imenso potencial para ser um clássico com uma conclusão frouxa e uma série de pequenos defeitos que perturbam a experiência. Entretanto, ao contrário dos citados, eu gostaria que o jogo não tivesse fim...

Antes de mais nada, é preciso derrubar o principal mito que foi construído em torno de S.T.A.L.K.E.R.: o mito de que ele apresenta uma reprodução fiel da cidade contaminada de Chernobyl e seus arredores.

Na verdade, não tenho condições de atestar ou negar a fidelidade da reprodução, mas, com certeza, o que existe no jogo é tão somente uma pequena amostra do que existe no mundo real. Da cidade de Prypiat, exploramos um punhado de quarteirões, incluindo a famosa roda-gigante tão popular nos screenshots divulgados do jogo. De Chernobyl, apenas o complexo do reator nuclear. Quem esperava cidades inteiras abertas para descobertas com a mesma riqueza de detalhes dos prédios de beira de estrada do resto da Zona, irá se decepcionar.

Pripyat

Para complicar (ou esconder esta falta de localidades), o enredo acelera a uma velocidade vertiginosa quando se chega a Prypiat. Você cruza a cidade abandonada escoltado por outros stalkers, que impõem o ritmo da travessia entre combates com franco-atiradores posicionados em janelas ao longo das ruas. Prypiat é o pesadelo perfeito para a guerra urbana, com dezenas de posições para um inimigo se esconder, mas você não terá tempo para vagar por ali. As balas voam de todos os lados e seus parceiros estão com pressa. Quando você menos percebe, Prypiat acabou e você está entrando na próxima região.

Stalker Se Prypiat é frustrante, Chernobyl é o banho de água fria definitivo. A cidade que dá o subtítulo ao jogo não é vista em momento algum. Entre Prypiat e Chernobyl, você é apresentado a uma cena de transição que promete uma jornada repleta de perigos: anomalias gigantescas e destruidoras, feras mutantes, facções em conflito, uma terra castigada pela radioatividade. Infelizmente, a cutscene não é uma prévia do que virá, mas um resumo do que você supostamente atravessou entre as duas cidades. Você não leu errado: o trecho entre Chernobyl e Prypiat não é jogável. Você sai de Prypiat, vê um vídeo e já está na porta da usina nuclear.

"Bem, pelo menos eu posso explorar o entorno, certo?". Errado! Cinco minutos depois que você chega em Chernobyl, um contador para uma explosão iminente começa a marcar o tempo e você tem apenas mais cinco minutos para se abrigar dentro do reator. Você tem, então, exatos dez minutos para conhecer o exterior da usina que a equipe de desenvolvimento levou anos para modelar. Mas também não são dez minutos de tranquilidade: tropas do exército russo desembarcam de helicóptero e você precisa correr pela sua vida, por que, se parar para dar combate, você explode junto com todo mundo.

Talvez o subtítulo do jogo seja justo, afinal, você vê apenas a "sombra" de Chernobyl...

Stalker - ColagemSe a história de S.T.A.L.K.E.R. era difícil de acompanhar, o(s) final(is) entrega(m) tudo de mão beijada. Se você conseguir evitar o final que não responde nada e te deixa com um gosto amargo na boca, então você será apresentado a um personagem que tem a tediosa tarefa de ficar em pé na sua frente esclarecendo todos os pontos que ficaram sem explicação antes. Eu posso estar sendo exigente demais, mas uma história que precisa desse tipo de recurso apresenta um defeito narrativo. S.T.A.L.K.E.R. apresenta sete finais alternativos, dos quais eu experimentei dois e li sobre o resto. O primeiro final é tão medíocre que eu me recusei a acreditar que tivesse caído nele. O segundo é um pouco mais satisfatório, mas deixou dúvidas no ar. O "melhor" final do jogo só está disponível para quem atravessar um penoso e repetitivo processo que envolve vinte teleportadores e dezenas de inimigos para abater.

Com uma história mal-alinhada, um final decepcionante, problemas de inteligência artificial, alguns bugs e um nível de dificuldade absurda, como foi possível que eu tenha sido hipnotizado por S.T.A.L.K.E.R.? A resposta é a Zona. Os desenvolvedores conseguiram com extraordinária eficiência criar um universo pulsante de vida e perigo que te aprisiona com os nervos à flor da pele. Poucos jogos foram capazes de manter a tensão a todo instante e, ao mesmo tempo, oferecer a satisfação de um novo cômodo para desbravar, uma nova estrada a trilhar, um novo prédio a invadir. S.T.A.L.K.E.R. é uma mistura bem-sucedida de polícia-e-ladrão com pique-esconde em um imenso e virtual condomínio abandonado.

Se S.T.A.L.K.E.R. fosse um pouco menos pretensioso em sua proposta ou tivesse, de fato, entregar um pouco mais do que prometia, eu estaria diante de um novo membro para a minha lista de favoritos. Fico imaginando o que os desenvolvedores prepararam na prequel Clear Sky ou o que eles estão criando na continuação Call of Pripyat.

Pontos positivos de S.T.A.L.K.E.R. – Shadow of Chernobyl: a atmosfera sombria e tensa, a engine gráfica impressionante mesmo para os padrões atuais, a reconstituição da arquitetura. Pontos negativos de S.T.A.L.K.E.R. – Shadow of Chernobyl: a história escassa, as missões secundárias completamente descartáveis, a dificuldade suicida. Nota final: 8.0.

Ouvindo: Rotersand - Electronic World Transmission (Reconstructed by Sitd)
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7 comentários:

Rafael disse...

Só passando do blog anterior para o atual:
Só uma observação a sua análise: Chernobyl é o nome da Usina Nuclear da cidade de Pripyat e fica a 18km de distancia da mesma, portanto não se trata de outra cidade e sim o ganha pão dos residentes da cidade que foi construída em 1972 para abrigar os trabalhadores da usina.
(complementando) muitos cometem esse quívoco de achar que se trata de uma cidade (até no wikipédia)
Abraço!

obs: gostei desse blog e espero poder ajudar mais em outros posts.

C. Aquino disse...

transportando minha resposta do velho blog... "Valeu pela dica, Rafael! Acho que, em algum momento, eu também cometi o erro de dizer que o jogo é russo. Na verdade, assim como Pripyat, o jogo e seus desenvolvedores são da Ucrânia."

Hawk disse...

Esta primeira foto me lembrou o jogo CoD4.

Anônimo disse...

Não sei se sabem, mas dizer que a a história escassa, é porque não conhece o roteiro original, assistam o filme e passaram a entender a grandeza do jogo, que é uma continuação do filme. para quem quer assistira não é dificil de encontrar o filme tem o mesmo nome do jogo, o diretor é Andrey Tarkovsky, é um belo filme Russo, só que este filme é pra poucos não esperem ação e muitos cortes é um tipico filme russo.

Alex Reis disse...

Cara... Travei numa parte desse jogo (Shadow of Chernobyl).

É uma parte que diz que eu tenho que pegar uns arquivos e entregar ao "Beeesher" (ou alguma coisa assim...não lembro agora).
AContece que eu vou na sala, pego os documentos, mas ...a porta por onde eu vim diz: "Há alguém na porta" E ela está pegando fogo, e não tem como abri-la.

Ou seja, não tenho como retornar no game. Aparentemente fico preso ali
E tem um "fogo" (uma especie de anomalia) que me mata se eu ficar confrontando-a muito tempo.

Alguém sabe o que tem que ser feito?????
VALEU



alexfsreis@gmail.com

Raphael Brittüit disse...

alex... vc tem que atirar no espectro que origina as chamas. observe que ele desce a escada no canto direito quando vc desce com os documentos... mate o espectro e a porta será liberada...

naruto disse...

cara o jogo nao tem a ver so com Prypiat e Chernobyl o jogo se basea na zona em como eles vivem ali na guerras dos duty com os monolity. so minha opiniao achei o jogo legal que poucos jogos conseguem passar essa sensacao.

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