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10 de abril de 2009

Dead Space: Horror Multimídia

Dead Space nasceu em 2008 como um projeto ambicioso. Não contente em produzir um jogo de survival horror ambientado no espaço, a EA Games decidiu que a experiência narrativa seria complementada por uma série em quadrinhos e por um média-metragem de animação. A revista, em seis edições, foi lançada em fevereiro e narrava os dantescos eventos que se sucediam na colônia espacial de Aegis 7 após a descoberta de um estranho artefato enterrado. A animação, lançada em outubro, continuava a história a partir do ponto que o artefato era embarcado na nave USG Ishimura, em órbita do planeta, e revelava o terrível massacre de sua tripulação. Finalmente, o jogo, lançado também em outubro, colocava o jogador no papel do personagem Isaac Clarke, enviado para investigar o mistério e obrigado a confrontar horrores inimagináveis.

Tive a oportunidade de tanto ler os quadrinhos quanto de assistir ao anime recentemente e posso afirmar: o trabalho final é primoroso. Se o jogo corresponder em qualidade e tensão ao material que o precede, Dead Space promete ser um título excepcional.

O Começo do Fim

comiccover_issue1cover_download_022108 Eu já havia comentado sobre a revista em quadrinhos aqui, quando o primeiro volume foi disponibilizado gratuitamente na internet. Com ilustrações de Ben Templesmith (o mesmo de 30 Dias de Noite) e texto de Antony Johnston, a narrativa tem um ritmo lento que vai construindo um crescendo de paranóia, claustrofobia e inevitabilidade que explode nas duas últimas edições em um frenesi de carne, sangue e desespero.

Se Johnston não parece ter pressa em estabelecer o elemento sobrenatural, é apenas para construir personagens verossímeis e mostrar que muitas vezes a mente humana pode quebrar de diversas formas diferentes quando confrontada com o inexplicado. Não há como não construir uma empatia com o protagonista Sargento Abraham Neumann, chefe da segurança da colônia, em sua luta quase solitária para entender os motivos de sua sociedade estar desmoronando progressivamente ao seu redor. Infelizmente, o que começa com histeria e fanatismo, culmina com o surgimento de forças muito além de sua capacidade de compreensão ou mesmo confrontação.

Templesmith repete aqui o seu magistral trabalho de arte quase estilizada, que destaca a fragilidade e a angústia de seus personagens. Não há cores simultâneas em Aegis 7. Tudo está sempre sendo banhado em tons monocromáticos, por luzes artificiais, que removem o ser humano de seu elemento natural e o colocam em um cenário que é nitidamente alienígena e sutilmente hostil. Se o artista não criou o visual dos monstros presentes no jogo, ele soube se apropriar de suas principais características e injetar seu talento.

Nenhum dos autores faz qualquer concessão em direção a um resultado que poderia ser mais palatável ao grande público. A história é opressiva e não oferece possibilidade de redenção.

Lamentavelmente, este material não foi lançado no Brasil e não há previsão para publicação.

A Queda

Dead Space: Downfall tem apenas 74 minutos para contar sua história e, consequentemente, abandona o detalhamento dos personagens em prol de um ritmo mais frenético. Novamente, o protagonista é um chefe de segurança. Alissa Vincent comanda uma equipe que irá tentar salvaguardar a USG Ishimura da ameaça oriunda da colônia, ao mesmo tempo que o comandante da espaçonave tem planos diferentes.

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Se os quadrinhos prepararam os nervos do leitor para a dimensão do problema despertado em Aegis 7, a animação libera a adrenalina e bombardeia o espectador com doses maciças de violência pouco vistas no Ocidente. Seguindo a trilha de filmes como Aliens e Tropas Estelares, o que se assiste é uma sucessão de batalhas de vida ou morte contra monstros que parecem saídos dos mais terríveis pesadelos. Não há muito tempo para pensar, mas o diretor consegue segurar a proposta, não deixando a tensão cair em momento algum.

A qualidade da animação não rivaliza com o produto dos grandes estúdios. Contrariando as últimas tendências, não se trata de uma animação em 3D feita no computador, mas a boa e tradicional técnica de "desenho animado". O resultado, entretanto, é satisfatório. Chuck Patton, o diretor, foi responsável pela arte de alguns episódios de Jovens Titãs e dirigiu a animação de Spawn alguns anos atrás. Confira o trailer abaixo:

Ao contrário dos quadrinhos, a animação pode ser encontrada em DVD oficialmente no Brasil, traduzida como Dead Space: A Queda.

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