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9 de dezembro de 2008

Jogando: Gothic 3 (Conclusão)

Gothic 3 - Zuben Acabou. O jogo mais longo que eu fechei em 2008 terminou casualmente meia-noite e quarenta e cinco de uma sexta-feira. Com um fiapo de história que não se sustenta, após uma "introdução" de quatro semanas, tudo se resolve muito rapidamente, sem surpresas, sem reviravoltas, sem emoção.

Após encontrar o último dos cinco Artefatos místicos do mundo de Gothic 3, três teleportes rápidos e eu recebia a última missão: eliminar um Rei rival. Do outro lado do continente. Programei-me para jogar um pouco antes de dormir, pelo menos conduzir o Herói Sem Nome até o seu objetivo já que a distância era absurda. Cheguei ao destino e aqui vale um adendo: é a região mais cheia de bugs de todo o mundo. Árvores de cabeça pra baixo, pedras flutuantes, texturas fora do lugar. Eu tinha chegado ao fim do mundo e ao fim da paciência dos desenvolvedores. Eu pensei: "mais dez minutos e vou dormir". Dez minutos depois, o alvo estava morto e o jogo terminado.

No último segundo, os fãs de longa data da série ganham um presente da Piranha Bytes. Somos apresentados a uma série de telas que contam o destino de cada um dos principais NPCs após os eventos de Gothic 3 (como no final de Baldur's Gate 2: Throne of Bhaal). Se os desenvolvedores não deram quase nenhum destaque a Diego, Gorn, Milten, Lester e outros neste terceiro capítulo, pelo menos tiveram a decência de contar que fim levaram aqueles que acompanham o Herói Sem Nome deste a prisão de Khorinis. Foi o único momento de todo jogo em que senti estar diante de uma saga de verdade. Para aqueles que conheceram a série apenas neste último título, o final não deve dizer muita coisa.

Um Videoclipe Sem Fim

Gothic 3 tem seus méritos.

Gothic 3 - Gargoyles É uma experiência sensorial extraordinariamente imersiva. É fácil se perder na imensidão gerada pelos mais belos gráficos que eu já vi em um jogo eletrônico. Cada cascata, cada folha que se move, cada casa na colina, cada ruína no deserto, tudo inebria os olhos com promessas de fantasias perpétuas. O deslumbre permanece da primeira sessão de jogo até o fim. Não vou negar.

Com a máquina certa, dois anos depois do seu lançamento, o continente se estende SEM UMA ÚNICA TELA DE LOADING. Nada atrapalha a imersão. Se nos títulos anteriores, você tinha um espaço menor e uma pausa para carga antes de entrar em templos e cavernas, em Gothic 3 tudo flui sem interrupções.

Gothic 3 OST A trilha sonora completa a ilusão com chave de ouro. O trabalho orquestral feito em Gothic 3 é para ser aplaudido de pé. Nos dois primeiros jogos, o trabalho da música era bom e condizente. Neste último título, a trilha supera a qualidade do próprio jogo e permanece no ouvido por muito tempo. É possivelmente uma das melhores já feitas para um RPG. Congratulações para a Bochum Symphony Orchestra.

Tudo isso apenas torna o vazio do jogo mais amplo, mais insuportável. Gothic 3 poderia ser uma obra-prima mas tudo mais deu errado.

Não vou falar aqui dos bugs. A maioria deles foi corrigida com o último update. Azar daqueles que, como eu, obtiveram o jogo em 2006. Foi uma longa espera por uma versão estável.

O problema crucial é a falta de história. Danem-se os gráficos! Anachronox tinha um visual "quadrado" herdado de Quake 2, mas tinha uma história e um charme que faziam tudo valer a pena. Dane-se a trilha sonora! Half-Life tinha uma trilha tão insípida que ninguém lembra e, ainda assim, o jogo é um clássico. Dane-se a ausência de loading! Elder Scrolls III: Morrowind parava para dar carga de cenário a cada dez minutos, mas tinha mais dez vezes mais enredo e contexto que Gothic 3.

Faltou tempo, faltou cuidado em Gothic 3. A primeira ausência provocou um lançamento cheio de falhas e, neste caso, a culpa pode ser jogada para cima da JoWood. Mas a falta de cuidado é culpa da Piranha Bytes. Como uma equipe de desenvolvedores de RPGs foca mais na engine do que na trama? O foco distorcido pode funcionar com a id software, especialista em FPS, mas a Blizzard ou a Bioware não chegariam onde estão se seus jogos não apresentassem excelência também nos quesitos história, personagens, diálogos, missões.

Com muita tristeza, testemunho o fim de uma série que está na minha lista de favoritos. Gothic 3 não conquistou um lugar ao lado de seus antecessores e permanece com um lamentável testamento de como boas idéias podem naufragar diante do excesso de confiança e de pretensão.

Pontos positivos de Gothic 3: a trilha sonora, a engine gráfica, a adrenalina das primeiras dez batalhas com Orcs. Pontos negativos de Gothic 3: a ausência de um rumo na história e o tédio das últimas cinqüenta batalhas repetitivas com Orcs. Nota final: 7.0.

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