Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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1 de junho de 2008

Primórdios: BigMax 15

Interface do CD-ROM

Alguém se lembra da tela acima? Era do CD-ROM da revista BigMax número 15. Talvez não seja a interface mais cativante do mundo para os padrões de hoje (por exemplo, os títulos não eram links, apenas legendas para você entender o significado dos números que você clicava em baixo). Mas esta tela traz boas lembranças do primeiro CD-ROM que eu comprei, dez anos atrás...

Não tenho vergonha de dizer que cheguei atrasado à festa. Quando todo mundo e seu vizinho já tinham um computador, eu finalmente consegui comprar um Pentium 166, com incríveis 32MB de memória e um disco rígido de 2GB. Placa de vídeo 3D? Você está brincando, certo? E, após um longo hiato, eu estava de volta ao mundo dos jogos eletrõnicos.

O que você faz quando ganha um computador novo? Hoje em dia, você entraria na Internet para falar com os amigos. Ou para atualizar o Windows, se você tiver um pouco de bom-senso, antes de mergulhar no abismo de vírus que são Orkut, chats e congêneres... Em 1998, você ia até a banca de jornais e comprava um CD-ROM.

BigMax 15 foi o marco zero para mim. Os demos de jogos presentes naquela edição ajudaram a definir o meu gosto até hoje:

  • Close Combat: A Bridge Too Far era o segundo jogo da série de jogos de estratégia ambientados na segunda guerra mundial. Apesar de possuir uma única batalha, eu joguei aquele mesmo confronto entre aliados e nazistas dezenas e dezenas de vezes, experimentando estratégias diferentes, tentando posicionar minhas tropas no cenário de todas as maneiras possíveis, até adquirir a versão completa do jogo. A série atingiria seu ápice em Close Combat V, presente na minha lista de favoritos.
  • Age of Empires dispensa apresentações. Foi o primeiro jogo que eu comprei e o único daquela época que eu ainda jogo ocasionalmente. Já fiz uma resenha completa do jogo. Ainda que Age of Empires copiasse padrões de jogos de estratégias estabelecidos por Command and Conquer (que por sua vez pegara emprestado da série Dune...), para mim ele se tornou o paradigma pelo qual eu julgaria todos os jogos do gênero. Hoje, quando começo um novo jogo de estratégia, a primeira coisa que faço é testar todos os comandos de teclado gravados a ferro e fogo em minhas sinapses pelas inúmeras sessões de Age of Empires.
  • Cart Precision Racing fazia juz ao nome: era necessária uma grande dose de precisão para dirigir aqueles veículos. Desisti em vinte minutos e nunca mais abri o jogo. Até hoje, eu divido jogos de corrida em dois tipos: os que eu consigo controlar (pouca física, modo arcade) e os que eu não consigo (simuladores "realistas" onde um pequeno toque no teclado manda seu carro para fora da pista).
  • FIFA 98 confirmou o que eu já suspeitava: futebol não é comigo. Nem mesmo a versão digital. Tanta gente parece se divertir com a série, até pessoas que não tem o hábito de jogar, e eu não consigo atinar com os controles!
  • Lara Croft Tomb Raider 2 trazia a musa(?) dos jogos eletrônicos Lara Croft. Um punhado de pixels mal-modelados, mas atraía a imaginação de jogadores carentes de atenção. Gostei muito da movimentação do personagem no demo: Lara pulava para um lado, pulava para o outro, nadava, matava um tigre com duas pistolas... Mas os gráficos horríveis me mantiveram preso na primeira caverna para sempre. Por mais que a arqueóloga saltasse feito uma pipoca pelas paredes, eu não conseguia encontrar a saída. Durante anos, sustentei um preconceito com jogos em perspectiva de terceira pessoa, até Max Payne chegar e quebrar este estigma.
  • Quake 2 não rodava direito no meu PC. Logo de cara, fui apresentado à obsolescência dos computadores. Sem que eu soubesse, a insana corrida por placas de vídeo cada vez melhores havia começado ali. Anos mais tarde, com outra máquina e a versão completa do jogo, finalmente consegui conhecer a guerra entre a humanidade e os Stroggs. Mas a esta altura da vida, eu já havia conhecido Unreal, Half-Life, Serious Sam... o avanço tecnológico (para a época) de Quake 2 era insignificante se comparado com as idéias criativas por trás de seus rivais.
  • O mais estranho jogo do CD era Galapagos. A idéia era realmente revolucionária: você não controlava o personagem, você controlava o ambiente! Em uma bizarra dimensão de luzes, cores e formas geométricas, vive Mendel, uma forma de vida artificial capaz de aprender com seus erros, movido por um ímpeto incansável de sair dali. Como jogador, você deveria clicar em determinados pontos do cenário em constante mutação para desativar armadilhas ou movimentos perigosos que pudessem destruir o pobre Mendel. A implementação do jogo, entretanto, era confusa. Mendel não era tão inteligente quanto se alardeava. Estávamos em 1998, então você pode imaginar o nível de inteligência artificial que o personagem possuía... Não tinha como não se irritar com ele, enquanto ele marchava teimosamente em direção à própria morte repetidas vezes. A frase mais repetida por mim durante cada tentativa (tirando os palavrões) foi: "Por aí não, Mendel, por aí não, por aí... ahhhhhh, morreu de novo!"
    Mendel
  • Test Drive 4 fechava a seleção de jogos da BigMax 15. O demo do jogo possúia uma única corrida, metade de uma das pistas do jogo completa. Cada partida durava menos de três minutos. Foi o suficiente para me entreter por meses a fio. Centenas(!) de vezes eu corri aquele mesmo percurso, alternando os únicos dois carros desbloqueados para o jogador. E o meu melhor resultado foi o terceiro lugar, uma vez. Na maioria das vezes, eu chegava em penúltimo lugar mesmo. Test Drive 4 me ensinou a ter persistência em jogos de corrida, que sempre é possível melhorar o desempenho. Na verdade, me viciou no gênero, ainda que eu nunca tenha vencido corrida alguma em jogo algum da série Test Drive. Mas o que eu aprendi aqui foi crucial para triunfar em tantos outros jogos de velocidade, como Need For Speed ou POD.

Prisoner of Ice BigMax 15 trazia também o primeiro jogo completo de PC que eu já tive: Prisoner of Ice. Qual não foi o meu fascínio ao descobrir um adventure cheio de animações e inteiramente dublado em português! Baseado nos trabalhos do escritor de terror H.P. Lovecraft, o jogo possuía um clima sombrio e uma história instigante. Nazistas, deuses antigos, viagens no tempo, abominações assassinas!

Infelizmente, sofria do mesmo problema de 99% dos adventures que existem: puzzles difíceis de serem solucionados e um sistema de combate sofrível. Reconheço que existe uma parcela da população que não sente qualquer dificuldade em resolver jogos como Myst, Out of this World ou o Sudoku do jornal de domingo. Da mesma forma que FIFA 98 e jogos de luta, adventures são um gênero que não combinam comigo. Consultando várias vezes a solução, ainda assim consegui fechar Prisoner of Ice, tão envolvido que estava no enredo. Até hoje, esta é a forma que eu jogo os adventures que eu gosto...

BigMax 15 foi o começo de milhares de horas de diversão, centenas de reais bem gastos, dezenas de jogos adquiridos. A revista acabou falindo, como tantas outras daquela época, mas, para mim, foi o primeiro passo de uma jornada que jamais terá fim.

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13 comentários:

Anonymous disse...

PO SO TENHU UMA COISA PARA TE DISER (PACIENCIA É UMA VIRTUDE) EU JOGO GAME DES DO ATARI A MAIORIA N PARO ATÉ FEXA O GAME... ENTAUM SO UM POÇO DE PACIENCIA! JA JOGUEI GOD OF WAR NO EASY E ME AREPENDI ATÉ AGORA! COMEÇEI O 2 NO ESPARTAN! CARA SE VC FEXA UM GAME N TEM GRASA JOGA DEPOIS ENTAUM CADA MOMENTO É UNICO NEM Q SEJA DIFICIL!

Alan Schmitt Mafra disse...

Puxa vida. Não sei se ainda tenho o CD da revista e a revista em si. Mas o jogo completo eu ainda tenho, e por coincidência, joguei na semana passada. Por mais decorado que esteja, ainda me entretenho com os mitos de Cthulhu. A animação é muito diferente e, mesmo não sendo realista, é muito intrigante. Abraço!

Anonymous disse...

qual a revista big max que tem o jogo luridland?? Vc tem??

C. Aquino disse...

Prezado anônimo, consultando o Mobygames não consegui encontrar nenhum jogo chamado luridland ou Lurid Land. Tem certeza do nome?

Marcos A. S. Almeida disse...

Amigo, é realmente incrível...parece que tivemos as mesmas sensações pelos mesmos jogos na mesma época!!! É claro que têm variações de gosto ( não sou chegado á RPG , muito menos DIABLO ou FALLOUT ), mas tivemos quase que as mesmas sensações e opiniões pelos mesmos jogos! Muito legal! Mas PRISIONER of ICE foi meu primeiro contato com um adventure e fechei-o com muita dificuldade mas muito prazer e o que me estimulou foi o fato de vir com legendas e dublagem em português.Não sei se é o seu caso também , mas tenho os cds dessa época até hoje, inclusive os com as demos.

Illusion Softgames disse...

Eu lembro do Lurid Land, era um jogo de plataforma e puzzle com um mago azul e um vermelho.

Num fórum de jogos antigos faz pouco tempo um cara configurou a versão completa pra rodar no XP/Vista/7.

Tá nessa página:
http://www.dosgames.com/forum/about11462-0-asc-45.html

Hawk disse...

Tive a paciência para zerar Tomb Raider 2 duas vezes, o jogo é muito bom.
Estes dias estava rodando o jogo novamente no meu PC, mas a sensação não é a mesma. Ainda aguardo a Eidos lançá-lo em uma versão HD, igual fez com o primeiro Tomb Raider, lançando o Tomb Raider Anniversary.

Éder RM disse...

Nossa, que achado! Quantas lembranças!

Tive meu primeiro PC também em 98, e a primeira revista BIG MAX que tive foi a 16, com o jogo Atomic Bomberman!

Nela havia o passo a passo a passo do Prisoner of Ice, e como eu sempre adorei um mistério, fiquei curioso e achei a edição 15, com esse jogo.

E na 16 havia também uma matéria sobre o jogo MDK, que seria o próximo a ser lançado pela revista. Lembro de ficar ansioso esperando o lançamento...

Eu adorava a época da BIG MAX, comprei várias, tanto edições que foram lançadas depois quanto anteriores. Lembro de ficar jogando horas Mega Race 2 ,Alone in the Dark 3, e todos os demos que vinham nos CDs.

Ah, bons tempos que já não voltam mais...

Anônimo disse...

Cara, você realmente acha Out of this World difícil?Esse Out of this World?

http://www.mobygames.com/game/out-of-this-world

O jogo não é difícil.Na verdade a grande jogada dele é que o porsonagem principal não tem super poderes.É só um humano com uma arma e um et como ajudante.
É claro que ele morre muito, mas eu zerei esse game com 12 anos em pouco tempo.

Para quem gostou desse tipo de jogo (é igual Prince of Persia do genesis) eu recomendo um chamado Flashback (snes/genesis e outras quinhentas plataformas).É da mesma desenvolvedora e o jogo é até melhor que o Out of this world.

Bons tempos!!!

Anônimo disse...

Mais uma coisa, eu também tive essa revista.
Na época eu tinha jogado a demo do Prisoner of Ice.Gostei muito do jogo e comecei a procurar.A sorte é que a revista que tinha esse jogo era a ultima da banca.
Esse sim eu tive que usar detonador (que vinha dentro do cd).Naquela época era pequeno e não tinha muita paciência para puzzle.

Abraços!!!

Anônimo disse...

Boas lembranças dessa revista, ganhei ela no colégio na oitava série em uma ação de marketing da revista. Também tinha um Pentium 166 com com 32mb de ram ! Devo ter passado um ano fuçando os arquivos de cabo a rabo e jogando os demos do cd, em uma época que não existia Internet era um delírio. Bons tempos que não voltam.

gui disse...

Sei que aqui não é bem pra isso mas nao consigo fazer o Age of empires I nem o II rodar no windows 10 =/

C. Aquino disse...

Eu não tenho o Windows 10 instalado para te ajudar. Talvez seja um problema de DirectX... vou ficar muito chateado se não puder rodar meu Age of Empires no Windows 10 quando tiver ele!

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