Retina Desgastada
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11 de junho de 2008

Jogando: Advent Rising

Após mais de quinze dias sem tempo pra jogar nem Campo Minado e olhando para o ícone de Advent Rising instalado na Área de Trabalho, enfim, encontro um pouco de tranquilidade para começar o jogo.

AdventRising_pc Advent Rising foi lançado em 2005 para Xbox e para PC, com muita fanfarra (leia-se hype) e uma recepção gélida por parte do grande público. Vendido como o “próximo Halo”, com um roteiro desenvolvido pelo incensado escritor de ficção-científica Orson Scott Card, trilha sonora executada por uma orquestra comandada pelo grande Tommy Tallarico, o jogo tinha tudo para dar certo. Sua produtora, a Majesco, investiu pesado em propaganda e alardeou aos quatro cantos que Advent Rising seria o primeiro de uma trilogia (vide o endereço do site oficial), que o jogo teria ramificações em histórias em quadrinhos, teria um derivado lançado para PSP e que o escritor lançaria livros baseados na série. Com as baixas vendas, todos os planos foram cancelados e a história permanece inacabada até hoje.

Outro Anachronox. Foi o que eu pensei...

Não é Halo...

Muitas foram as falhas que levaram o jogo ao fracasso: muitos bugs na versão do Xbox, uma escolha de arte controversa, excesso de expectativas criadas…

Para mim, o pior são as similaridades com Halo. Cheiram a plágio. A história (que não foi criada por Orson Scott Card) narra o ataque gratuito de uma raça alienígena tecnologicamente superior à espécie humana por motivos supostamente religiosos. No jogo, até onde eu fui, você pode dirigir um veículo idêntico em tudo, menos no nome, ao Warthog de Halo. Você só pode carregar duas armas de cada vez. Você pode juntar granadas, humanas e alienígenas. Os invasores desembarcam em terra em pequenas naves dotadas de metralhadoras na parte de baixo. Uma das raças atacantes se protege dos seus disparos atrás de um escudo de energia. É possível encontrar pelo cenário canhões fixos, que podem ser controlados para limpar uma área de alienígenas. A energia do personagem principal se renova com o tempo.

A semelhança dos detalhes incomoda. Principalmente quando tantos outros elementos de qualidade de Halo não estão presentes.

A jogabilidade não é realista. Não se pode chamar Advent Rising de sci-fi tactical shooter. Parece um jogo de arcade mesmo, com vários inimigos em cena ao mesmo tempo se materializando do nada, seu personagem atirando para todos os lados, com uma arma gigante em cada mão (com direito a “giradinha” pra recarregar). Não há uma explicação racional do motivo da energia do personagem principal se renovar com o tempo. O controle do Scythe, a versão genérica do Warthog, é idêntica ao jipe de Halo, mas o peso dele… parece errado. O Scythe é leve como papel e capota com facilidade, mas pequenos jatos(!) na carroceria o colocam de volta na posição correta. E não importa quanto dano ele receba, ele nunca explode ou quebra. Em muitas áreas não adianta parar para lutar: o suprimento de inimigos será infinito. O jogo te instrui a seguir o seu caminho e deixar o combate para trás. Tudo isto quebra a credibilidade da trama e te lembra a todo instante que você está sentado na frente de um “joguinho”.

...mas até que é bom!

Quem não curte vídeos longos no meio da partida pode ficar imensamente frustrado com o jogo. É uma pena. Advent Rising cresce nas horas das cutscenes. Nestes momentos, o peso do roteiro de Card se destaca e somos presenteados com cenas de tirar o fôlego. Se a história é um apanhado de clichês, é um apanhado de clichês belamente exibido. E por mais que os diálogos de Card sejam superiores à média dos jogos que existem por aí, o ritmo que dita as cutscenes é o ritmo frenético da ação absurda: planetas explodindo, naves explodindo, estações espaciais explodindo, tudo e mais um pouco indo pelos ares e o personagem central ali no meio do perigo de explodir também.

Depois da terceira explosão, Gideon, o herói da história, é introduzido ao Poder latente da raça humana. A partir deste ponto, o jogo pára de emular Halo e começa a pegar emprestados elementos de Guerra nas Estrelas. O novo rumo de Advent Rising é positivo. A implementação de poderes como telecinésia, campos de força e rajadas de energia emitidas pelo personagem ficou muito boa. E, principalmente, muito divertida. Desde então, raramente recorri a armas de fogo ou granadas, me concentrando em erguer meus inimigos no ar e sacudi-los como bonecos contra o chão ou contra as paredes até que eles morram. Sádico, mas mais efetivo do que atirar neles.

E algo de que não se pode reclamar jogando Advent Rising é de tédio. Ainda não cheguei ao meio do jogo, mas já pilotei uma nave, um tanque e um jipe. Já controlei canhões, arremessei inimigos em direção ao vácuo do espaço, abordei uma nave em órbita, fugi desesperadamente de uma descompressão e explorei uma nave submersa.

Advent Rising tenta, mas não é Halo, nem Anachronox ou Knights of Old Republic. É um jogo de ficção-científica que possui seus próprios méritos e, até agora, merece uma nota 8.0.

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