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19 de junho de 2008

Convergência: Halo e Literatura

A Bungie acaba de anunciar o título do sexto livro ambientado no universo de Halo: Cole Protocol. O livro será escrito pelo novato (na série) Tobias S. Buckell, autor de outros livros de ficção científica, mas desconhecido no Brasil. A história vai seguir o destino do  Spartan Gray Team e "conduzir os leitores para um conflito inexplorado da Guerra Humanos-Covenant onde alianças improváveis são formadas e quebradas...". O novo livro deve sair próximo ao fim do ano.

Os três primeiros livros Para quem acredita que jogos eletrônicos são “entretenimento de crianças” ou “passatempo imbecilizante”, pode soar surpreendente que um jogo de tiro já tenha gerado 5 livros. Sou obrigado a admitir que este casamento perfeito entre mídias não é comum. Já houve livros anteriormente ambientados neste ou naquele universo de jogo, desde Shadow Warrior até Resident Evil, mas nunca uma obra tão longa, complexa e de qualidade quanto a série Halo.

Após jogar Halo e adicioná-lo à minha lista de favoritos, nada mais natural que eu corresse atrás de novas aparições de Master Chief e suas aventuras. Halo 2 estava disponível somente para Xbox (hoje existe para Windows Vista também, não que eu esteja tão ansioso assim para migrar de sistema operacional). A saída foi uma promoção da Amazon com os três primeiros livros da série embalados em uma caixa bacana e a preço de bananas. Não me arrependi. Os livros expandem (oficialmente) o universo do jogo e acrescentam tantos detalhes que, em minha cabeça, acabou acontecendo uma inversão: após cinco livros lidos e apenas um jogo experimentado, Halo se tornou uma série literária, que, por acaso, tem um volume que pode ser jogado! Se você domina o inglês e curte ficção-científica militar, não precisa sequer ter conhecimento do jogo para entrar de cabeça em um épico que já se estende por milhares de páginas.

Fall of the Reach

O primeiro livro foi escrito por Eric Nylund e narra os eventos anteriores ao primeiro jogo. De particular interesse é a gênese do personagem principal da saga, o super-soldado conhecido como Master Chief. Nylund revela a infância de codinome John-117 e seu recrutamento forçado para um programa militar secreto aos seis anos de idade. Junto com outros infantes, John formaria a elite guerreira do universo de Halo, os Spartans. O livro acompanha o treinamento cruel, as cirurgias de ampliação de capacidade física e a liberação da armadura para os jovens soldados. Mais adiante, Fall of the Reach descreve o avanço da invasão alienígena do Covenant e os primeiros esforços dos Spartans em deter o inimigo.

A tal Queda de Reach é o ataque massivo realizado pelo Covenant contra o quartel-general das forças humanas em busca de um artefato religioso. O resultado é um planeta destruído, a unidade Spartan desmembrada e Master Chief a bordo da nave em fuga Pillar of Autumn... exatamente o ponto em que o primeiro jogo começa.

Sargento Johnson contra criatura da Flood

The Flood

William C. Dietz teve a ingrata tarefa de adaptar o jogo Halo na íntegra para este livro. Porém, o autor não se deixou limitar em contar somente os eventos que os jogadores já conheciam. Histórias paralelas seguem a trama principal e enriquecem a narrativa: vemos os mesmos acontecimentos do jogo da perspectiva dos fuzileiros entrincheirados, do famoso Sargento Johnson, de outras forças de elite em combate e até mesmo de dois inimigos (um mero Grunt se esforçando para manter-se vivo e um Elite em busca de redenção através da destruição do “demônio inimigo”, o próprio Master Chief).

Não recomendo ler o livro antes de jogar o primeiro Halo, uma vez que todas as surpresas da história estão presentes. Mas o livro é mais do que recomendável para aqueles que completaram o jogo, para ter uma visão mais ampla da história e obter algumas respostas que ficaram faltando.

First Strike

Eric Nylund retorna para escrever em sete semanas(!) o terceiro livro da série. A história começa durante a Queda de Reach e revela o destino de um pequeno grupo de Spartans que sobrevive ao massacre do planeta. Logo em seguida, Nylund retoma o ponto onde o livro anterior termina e prepara o terreno para o próximo jogo, fazendo a conexão entre os sobreviventes de Halo e os Spartans de Reach e anunciando a iminente invasão da Terra.

Este volume é essencialmente um livro de ligação na saga e pouco acrescenta à mitologia. A ação é ininterrupta, mas as constantes reviravoltas deixam a história confusa e entregam que o autor escreveu o livro em pouco tempo. Apesar da correria desenfreada da trama, Nylund ainda consegue ter o texto mais seguro de todos os autores e demonstra conhecimento do jargão militar (imaginário, mas que soa como real).

Master Chief

Ghosts of Onix

Nylund retorna à sua melhor forma com o quarto livro. Como um mágico, ele tira da manga seu maior trunfo: a revelação da existência de um outro time de Spartans, a série III. Escolhidos a partir de uma base genética menos seleta, com um treinamento ainda mais duro e compacto e armaduras inferiores, os Spartans-III são o equivalente mais dispensável e secreto da geração de John-117. Eles são encarregados do “lado sujo” da guerra: missões suicidas, infiltrações e genocídio. O tom do livro é o mais sombrio de todos e a participação do heróico Master Chief se restringe a um breve (mas envolvente) flashback.

A este time de “rejeitados” se juntam Spartans da série II e fuzileiros para combater uma nova ameaça que surge no planeta Onix, enquanto os eventos de Halo 2 se desdobram na Terra. Nylund ainda nos brinda com mais revelações do que antes e seqüências de combate espacial tão impactantes quanto as do primeiro livro.

Contact Harvest

O último livro (até o momento) foi escrito por Joseph Staten. Staten não é um escritor profissional, mas compensa sua inexperiência com um profundo conhecimento de causa. Não é pra menos: ele é um dos desenvolvedores do jogo, foi o responsável pela direção das cutscenes e grande contribuidor para a criação da mitologia da série. E, em seu livro de estréia, Staten nos apresenta uma história fundamental para a compreensão de tudo que se passa no universo de Halo: o primeiro contato entre a raça humana e a aliança alienígena conhecida como The Covenant.

Neste marco histórico ficam definidos os reais motivos da guerra, a origem do Sargento Johnson e sua participação no início do confronto e o extermínio do planeta Reach. Tudo isto não apenas do ponto de vista dos humanos mas também, em profundidade inédita, do ponto de vista dos alienígenas. Para quem nunca tinha publicado, Staten realiza uma proeza difícil, justamente ao conseguir injetar farta dose de humanidade em uma série mais alinhada com a frieza e precisão do militarismo. Vemos um lado humano, com falhas, traumas e virtudes, de Johnson e personagens secundários, de alienígenas da Covenant (geralmente vistos apenas como fanáticas máquinas de destruição) e até mesmo de Inteligências Artificiais, envolvidas em uma bela e inusitada história de amor (!).

Cole Protocol

O próximo livro não trará Nylund de volta, como chegou a ser especulado. E, ao que tudo indica, tampouco seguirá a linha cronológica de Ghosts of Onix ou o destino de Master Chief após os eventos de Halo 3. Tobias S. Buckell irá abrir uma terceira frente narrativa no universo, ao focar no Spartan Gray Team.

Curiosamente, Protocolo Cole é o nome dado ao conjunto de procedimentos que deve ser empregado por comandantes de espaçonaves humanas para que a localização da Terra não caia nas mãos da Covenant. Após a invasão em Halo 2, este Protocolo, obviamente, tornou-se desnecessário. Então, qual será a justificativa por trás do título? O futuro (e uma encomenda na Amazon) dirá.

Ainda é um Jogo

Mas a Bungie é, acima de tudo, uma desenvolvedora de jogos e não uma editora. Lamentavelmente, não estão disponíveis em formato de livro as narrativas dos jogos Halo 2 e 3, que concluem a guerra! Para saber como tudo acaba, o leitor precisa comprar os jogos, abandonar o papel de espectador dos eventos e se colocar na pele de John-117, personagem já tão familiar a esta altura, para derrotar a Covenant com as próprias mãos.

Halo Wars

A saga, a mais rentável da ainda curta história dos consoles Microsoft, promete render mais jogos. Halo Wars será um jogo de estratégia em tempo real, narrando de um ponto de vista menos pessoal as batalhas maciças entre a raça humana e os alienígenas da Covenant. O lançamento está previsto para outubro deste ano, mas será exclusivo (a princípio) para o Xbox 360. E o próximo passo da série será o misterioso Halo Chronicles, sem data prevista, sem estilo determinado e, segundo rumores, ambientado após os eventos da trilogia de jogos. De concreto sobre Halo Chronicles, sabe-se apenas do envolvimento do cineasta Peter Jackson (dos filmes Senhor dos Anéis e King Kong) na criação do roteiro.

Ouvindo: Lard - Drug Raid at 4 am

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