Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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2 de abril de 2008

Relaxar, Construir e Conquistar

Age of Empires é o único jogo que retorna ao meu HD de tempos em tempos. Por quê? Porque ele me traz paz. Parece uma afirmação estranha para se fazer sobre um jogo de estratégia onde a vitória (geralmente) é conseguida através da guerra, mas uma partida de AoE me acalma e constitui um excelente passatempo entre um FPS e outro ou após meses de dedicação a um CRPG qualquer.

Age of Empires

Si Vis Pacem Para Bellum

Primeira etapa: separar duas horas de minha vida sem qualquer interrupção ou apenas com interrupções leves. Não é tão simples como era em 1998, quando eu comprei o jogo, mas ainda é possível. A idéia aqui é relaxar, como um prolongado banho de banheira ou uma soneca após o almoço de domingo.

Então, nada de partidas multiplayer ou modo campanha. Existe também um modo de combate contra o computador chamado de  Death Match em que você e a máquina começam com todos os recursos no máximo e só precisam se preocupar em construir o maior exército possível no menor espaço de tempo para esmagar o inimigo. Obviamente, não é nada relaxante. Esqueça.

O ideal é a opção Random Map. Você sabia que o AoE tem 9999 mapas preparados? As chances de você repetir um mapa no modo aleatório é quase zero. E a variedade de cenários é instigante: Planalto, Planície, Litoral, Interior, Ilhas Grandes e Ilhas Pequenas. Cada cenário tem sua própria estratégia.

Eu não ligo para as particularidades de cada civilização e jogo com todas as tecnologias abertas para todos os jogadores. Meses de pesquisa histórica e planejamento por parte dos desenvolvedores e eu simplesmente ignoro. Repito: a idéia é relaxar. Não quero saber se os egípcios constroem mais rápido ou se os hititas extraem madeira melhor, se os gregos são ótimos para lutar com infantaria ou se os fenícios são os soberanos dos mares.  Sou eu comandando os exércitos vermelhos contra o computador jogando com azuis, amarelos e marrons. Três contra um está na medida exata de desafio e tranquilidade.

Começa a partida. Criar camponeses, extrair frutas, criar portos, criar barcos, pescar e construir prédios. A primeira etapa é coordenar os pequenos homenzinhos e seus afazeres enquanto eu escuto os sons da natureza e a música do jogo.

Na segunda etapa, eu construo muros em volta do meu território. Muitos muros. A AI do computador não liga para muros e me deixa em paz. Como eu sei que mais cedo ou mais tarde uma civilização mais agressiva vai enviar uma horda de bárbaros para tentar destruir um muro, eu construo torres. Torres e muros são o calcanhar de Aquiles do computador. Protegido e livre de aborrecimentos, eu curto minha música e faço minha civilização prosperar. Eventualmente,o computador ataca minhas muralhas com mais vigor que o normal. Uma divisão de Arqueiros em Biga se movimenta pelo meu território, preparada para dizimar o inimigo rapidamente. Arqueiros em Biga tem um bom alcance, são rápidos e muito baratos para criar.

Atingido o pico da minha civilização, eu inicio a montagem do meu exército definitivo. Geralmente, Cavalaria para ter mobilidade e Elefantes para ter poder de destruição. Construído meu exército, aniquilo as civilizações do computador uma a uma. Sem stress. Duas horas aproveitadas sem correria, sem tensão...

Passado, Presente e... Futuro?

Papel de Parede de Jogos : AoE - Archers

Meu primeiro contato com Age of Empires foi através de um CD de revista, destes recheados de demos de jogos.  Foi também meu primeiro contato com um jogo de estratégia. Naquele distante ano de 1998, tempo era um recurso abundante e eu levei três horas lendo todo o help de AoE. Cada civilização, unidade, tipo de mapa e regra estava detalhada até a exaustão. Para minha frustração, o demo do jogo não tinha 80% das funcionalidades descritas no manual...

A memória pode falhar, mas eu lembro que o demo do jogo tinha algumas missões desinteressantes e um único mapa que conquistou minha atenção. Este único mapa foi minha febre por um bom tempo. Travei aquela mesma guerra de diversas formas, com diferentes estratégias, várias e várias vezes. Foi o que bastou para eu correr atrás e adquirir meu primeiro jogo. Age of Empires também foi o primeiro jogo que eu comprei desde meu último cartucho de Dynavision (um clone do Atari).

De cara, odiei as campanhas. Até hoje eu não suporto "missões" e "campanhas" em jogos de estratégia. São tentativas frustradas de se construir uma narrativa usando a ferramenta errada: "Nesta missão, Hannibal chega com uma mão na frente e outra atrás na pacata região do Cáucaso. Sua missão é reunir um exército de arqueiros para enfrentar as forças do Rei da Mesopotâmia e proteger seu Centro de Cidade. Na próxima missão, Hannibal descarta seu fabuloso exército de arqueiros e seu Centro de Cidade, está novamente com uma mão na frente outra atrás e deve começar tudo de novo na pacata região do Baixo Nilo...". Nada contra narrativas, mas elas são melhor aproveitadas em RPGs, Adventures e até mesmo Shooters. (E, por favor, parem de tentar enfiar narrativas em jogos de corrida!!)

Papel de Parede de Jogos : AoE - Vitória

Joguei os Mapas Aleatórios até não aguentar mais e desinstalei o jogo depois de mais de um ano permanentemente ocupando espaço em meu singelo HD de 2GB. Mas ele sempre volta...

Logo após o lançamento do jogo, veio sua primeira expansão, Rise of Rome. O que acrescentava ao jogo? Uma melhoria brutal na rotina de encontrar caminhos da inteligência artificial. Finalmente, o único bug do jogo era corrigido. Antes, suas unidades se desorientavam sobre qual a melhor rota para ir de um ponto A para um ponto B e poderiam ficar "tropeçando" umas nas outras enquanto tentavam cruzar um caminho entre duas florestas, por exemplo. Rise of Rome também trazia uma nova campanha (não que eu ligasse) e novas unidades. Por novas unidades entenda-se: Cavaleiros Montados em Camelos (!), Soldados Armados com Fundas (inferiores a qualquer arqueiro), Elefantes de Armadura e um Barco que Cospe Fogo. O demo da expansão ficou uns dias instalado em minha máquina. Considerando que o último patch do jogo também consertava o bug, a expansão não chegou a me empolgar e nunca foi comprada.

Tendo uma simpatia tão grande por AoE, o que mais eu poderia querer? Age of Empires 2, é claro! Mas a sequência veio e era pesada demais para meu computador na época. O tempo foi passando, continuei jogando o primeiro, troquei de computador várias vezes, outros jogos foram surgindo e nunca tentei AoE 2 novamente.

E foi lançado Age of Empires 3! Que gráficos! Totalmente 3D! Muito mais imersivo! Muito mais avançado! Muito mais inteligente! Nunca testei... Continuo jogando o primeiro.

Um dia, a curiosidade irá vencer a preguiça e eu vou experimentar as sequências. Mas tenho sérias dúvidas de que elas possam ser tão relaxantes quanto o original.

E o futuro? Uma imagem reveladora capturada em uma feira de jogos nos Estados Unidos mostra uma página do catálogo dos desenvolvedores. Tirem suas próprias conclusões:


Age of Empires 4 e 5??
Ouvindo: Speed King - Speed King On The Run
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2 comentários:

leandrodaniel_cb@yahoo.com.br disse...

achei que ero o unico viciado nesse joguinho antigo, todo dia quando chego em casa a noite jogo uma partida e sempre no random, me tira todo o stress do dia, é uma terapia
nem vejo o tempo passar.

Hawk disse...

Também jogo até hoje. Nunca joguei um Multiplayer, mas o random domina. :D

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