Eu Li: Nazi Zombie Army: Gotterdammerung

Nazi Zombie Army Gotterdammerung Em algum ponto de 2012, a desenvolvedora Rebellion olhou para o mercado e percebeu um pouco tardiamente que zumbis vendiam muito bem. Call of Duty estava explorando esse filão desde 2008, com sucesso. Foi nesse ponto que a desenvolvedora resolveu pivotar a franquia Sniper Elite. Nascia ali o derivado Nazi Zombie Army, lançado em fevereiro de 2013 e que se transformaria em sua própria franquia no mesmo ano, com Nazi Zombie Army 2 chegando em outubro, desenvolvido a toque de caixa.

Entretanto, era necessário dar algum tipo de contexto e algum tipo de marketing para essa transição. Estávamos falando de um título que buscava mostrar a Segunda Guerra Mundial de um ponto de vista realista, repentinamente mergulhando de cabeça em um universo de horror, na linha de Hellboy.

Para atingir esse objetivo, a Rebellion chamou o escritor Jonathan Green para escrever Nazi Zombie Army: Gotterdammerung. O ebook gratuito de 37 páginas apresentaria ao leitor o tom da campanha que estaria presente no jogo: experimentos profanos conduzidos no interior da Alemanha nazista seriam capazes de despertar os mortos como criaturas malignas.

Zumbis nazistas estavam longe de ser uma novidade em qualquer mídia. O Wolfenstein clássico (principalmente suas tentativas de ressurreição em 2001 e 2009) já tinham lidado com esse tema. No cinema, o filme Zumbis na Neve trazia nazistas mortos-vivos descongelando e despertando para continuar matando. Porém, Call of Duty havia mostrado o potencial lucrativo da proposta e 2012 parece ter sido o ano do gatilho definitivo. Exatamente em 2012, a série Marvel Zombies tinha apresentado um capítulo especial de sua saga mostrando uma Terra alternativa em que a Alemanha tinha vencido a Segunda Guerra Mundial usando mortos-vivos. No mesmo ano de 2012, a editora Antarctic Press tinha lançado uma minissérie em quadrinhos batizada de Nazi Zombies.

Portanto, Jonathan Green veio para jogar no seguro. O caminho já estava mais do que aberto, estava escancarado, e ele não inova em um único parágrafo de seu conto. Muito pelo contrário. Acompanhamos aqui um time de atiradores de elite que tem a missão secreta de interromper um ritual macabro da divisão de ocultismo da Alemanha nazista. A cidade em que a missão acontece se chama Totenstadt, que significa "Cidade dos Mortos". O alvo principal da operação é o cientista que comanda esse ritual, um certo Doutor von Teufel, que significa "Von Diabo" em alemão. Sutileza não é o forte da narrativa. Um cientista desertor se junta aos comandos britânicos e esse cientista se chama… Fritz. Um dos britânicos chega a questionar se o nome do cientista é mesmo Fritz, de tão lugar-comum que é, mas a situação fica por isso mesmo.

A prosa de Green também não é das melhores e fiquei com a impressão de que ele estava alongando as frases para bater meta. Infelizmente, o autor também não é muito bom para descrever sequências de ação e o resultado final fica insosso. Nazi Zombie Army: Gotterdammerung acaba sendo uma introdução perfeitamente dispensável para o seu jogo, para seu gênero e que depõe contra seu autor.

Ouvindo: Heldmaschine - Sexschuss

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