Retina Desgastada
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22 de maio de 2024

Eu Li: Super Mario Bros 2

Page 04Recentemente, em um dos vários despejos de memória do blog, comentei sobre a continuação em quadrinhos daquele filme live action do Mario. Movido pela curiosidade, resolvi ler a sequência, com a certeza de que não poderia ser pior do que o filme original.

Quebrei a cara.

Super Mario Bros 2 é o resultado da egotrip de dois dos dez(!) roteiristas envolvidos no longa-metragem. Um deles foi o responsável pela cena final do filme, em que a Princesa Daisy retorna para o apartamento de Mario e Luigi, fortemente armada, e diz que eles precisam ajudá-la outra vez. Era a promessa não cumprida de um segundo filme. O que parecia uma bobagem, uma janela aberta de otimismo, era, na verdade, um plano real do roteirista, que tinha algumas ideias em mente. Essas ideias provavelmente o atormentaram por anos. Imagino que atrapalhavam seu sono. De qualquer forma, tais ideias foram estruturadas em um projeto com dez capítulos, cada capítulo em torno de dez páginas de quadrinhos.

Entretanto, digamos que determinadas ideias, assim como o próprio filme, não deveriam jamais serem consolidadas. É evidente que seus autores tem pouco ou nenhum apreço para o mundo de Mario e seus personagens, da forma como foram concebidos pela Nintendo. O primeiro capítulo é capaz de enganar os incautos, trazendo ação nervosa contra uma invasão promovida por versões edgy dos Shy Guys montados em Yoshis. Qualquer esperança de similaridade com seu ponto de origem precisa ser deixada de lado, na expectativa de eventualmente curtir um isekai de dois nova-iorquinos distribuindo bordoadas em ninjas extradimensionais.

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Não dá para dizer que estava funcionando antes, mas havia algum potencial para ser divertido. Lamentavelmente, o ritmo despenca a partir do segundo capítulo. É a estrutura básica de um roteiro de cinema: temos um primeiro ato de tirar o fôlego, seguido de um meio mais moroso para ampliar o escopo, criar estruturas emocionais e apostar tudo no grande ato final. Exceto que Super Mario Bros 2 não tem exatamente um primeiro ato tão bom assim e, quando ele fica moroso, ele fica realmente moroso, para não dizer sonífero.

Temos então longos e constrangedores diálogos que não levam a lugar algum por três capítulos inteiros. Há reencontros com personagens do filme, há uma tentativa de romance mais físico entre Luigi e Daisy, mas é tudo muito arrastado.

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O maior defeito de Super Mario Bros 2 é se render ao banal, é não brilhar em momento algum. Com todos os defeitos que o filme possuía (e eram muitos), falta de ambição não era um deles. A Dinohattan do filme é colossal, uma obra-prima da cafonice, com figurinos e arquitetura que se destacam para o bem ou para o mal. Nos quadrinhos, nada disso transparece, não há um único traço de ousadia, de fugir do lugar-comum, de tentar novos horizontes, mesmo falhando.

E então acaba. O quarto capítulo termina com um cliffhanger e não continua. O que deveriam ser 10 capítulos foi abandonado em 2015, menos de dois anos depois de começar e após uma tentativa de troca de desenhista. Em 2021, a história passou por um reboot, mas atingiu a impressionante marca de apenas 8 páginas publicadas.

Super Mario Bros 2 ainda teve a infelicidade de estar ativa quando o gigante Bob Hoskins faleceu. O tributo publicado é o maior mérito que essa "sequência canônica" atingiu:

Bob-Hoskins-Memorial

Ouvindo: Crysis - Prophet's Bridge

Um comentário:

Davi Stanesco disse...

Algumas coisas devem ser esquecidas, rsrs.

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