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24 de junho de 2021

Eu Vi: Assassin's Creed

assassins-creed-posterMeu conhecimento direto de Assassin's Creed parou no primeiro título, mas é impossível não saber os meandros da franquia, que passou a se integrar com a cultura dos jogos eletrônicos. Dito isso, ouso dizer que o longa-metragem de 2016 se esforça para entregar uma adaptação louvável e acaba funcionando na maior parte do seu tempo.

Seus méritos se apoiam mais em elementos que costumam ser negligenciados em outras adaptações. Primeiramente, a trilha sonora instrumental é muito bem executada e se encaixa nas cenas com precisão, adicionando profundidade e tensão extrema onde o roteiro não conseguiria sozinho. É importante notar também a plasticidade de algumas cenas e sua fotografia, ainda que o uso exagerado de CGI comprometa em alguns pontos.  Então, com um visual intrigante e uma música envolvente, já temos meio caminho andando para uma imersão satisfatória. Embora, no começo e no final, alguém da produção insista em empurrar um hip-hop moderninho na sonoridade.

Os atores são competentes. Na verdade, são competentes até demais. Jeremy Irons é um monstro clássico do cinema que já teve papéis inesquecíveis, mas precisa pagar suas contas e deve ter um agente horroroso, porque já participou de Dungeons & Dragons e Eragon e agora está aqui, praticamente apagado na história. Marion Cotillard é uma das raras atrizes que consegue passar emoções pesadas com um simples olhar e certamente é a única que aproveita bem a brecha que o filme lhe dá, embora seu grande momento aconteça somente no final, abrindo caminho para uma continuação que nunca virá.

Entretanto, o grande pecado do filme é desperdiçar Michael Fassbender como o protagonista Cal Lynch. Por mais conflituoso que seja seu personagem, suas elucubrações internas e sua evolução ao longo da história são tratadas de forma burocrática por um roteiro preguiçoso.

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Porém, se você chegar em Assassin's Creed esperando boas sequências de ação, ou como bem sintetizou meu filho, "tem que ter parkour e tem que ter morte", o filme fica em cima do muro. Não há dúvidas de que o combate e a movimentação do filme são exemplares, porém, acontecem a conta-gotas em um filme que parece se conter.

Além disso, temos a inabilidade da edição. Por um lado, eles conseguiram combinar as cenas do passado com as cenas do presente, dando agência para o protagonista. Cal Lynch não se limita a ficar estático enquanto sua mente vaga pelo Animus, mas participa de cada combate através de uma parafernália móvel. Por outro lado, cada momento de ação é tomado por cortes frenéticos, essa mania do cinema moderno que desistiu de produzir boas coreografias. Quando o movimento dura mais que dez segundos, o filme brilha e a adrenalina sobra.

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É questionável a decisão do enredo em se focar nos eventos presentes. A franquia Assassin's Creed sempre se marcou por trazer grandes tramas do passado, que aprofundam cada vez o mito do credo dos Assassinos e sua figuras icônicas. Aqui, Aguilla, o antepassado de Cal Lynch, é raso como um pires, diz meia dúzia de palavras e fica na sombra do personagem dos dias atuais. Para uma eventual continuação, o filme teria se colocado em uma enrascada: seguir os passos de Cal Lynch, sem mais nenhuma menção aos eventos históricos que marcaram a série? Adotar um novo protagonista e praticamente repetir a trama do primeiro filme? Ou capturar Cal Lynch novamente e privá-lo de sua importância?

Entre erros e acertos, Assassin's Creed transporta bem o espírito da franquia para as telas, entretem e prenunciava uma continuação ainda melhor. Entretanto, Hollywood é movida por fatores inexplicáveis e essa jornada termina por aqui mesmo.

Ouvindo: Hate Dept - Hit Back

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